quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Espécie do mês de Agosto: Pisco-de-peito-ruivo



Com um aspecto rechonchudo o pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) é um pequeno passeriforme da família dos turdídeos com o peito e faces ruivas. Possui uma cabeça e olhos escuros grandes e um bico fino, com um amplo peito e ventre esbranquiçado. Os juvenis são mais parecidos com outros turdídeos, acastanhados e malhados.


É uma espécie residente muito comum, havendo igualmente indivíduos invernantes provenientes da Europa Ocidental, Setentrional, Central e Oriental, desde o Reino Unido à antiga URSS. As primeiras aves migradoras surgem no sul do país a partir da 2ª quinzena de Setembro e a espécie torna-se abundante no norte e no centro no princípio de Outubro, verificando-se que a maioria dos indivíduos invernantes desta espécie é do sexo feminino. Devido à captura de indivíduos no algarve, com grandes reservas de gordura em Outubro e em Novembro, é possível que alguns dos piscos-de-peito-ruivo observados no Outono estejam de passagem para o Norte de África. No Inicio de Fevereiro começam as partidas para as áreas de reprodução, tornando-se escassos no sul de Portugal, onde ficam restritos a áreas com maior humidade, principalmente em zonas acidentadas junto ao litoral. Estes migradores tendem a distribuir-se pelos habitats consoante o sexo e a classe etária a que pertencem, destacando que há maior proporção de fêmeas em zonas de matagais mediterrânicos em comparação com os machos que ocorrem mais em bosques e montados com pouco sub-bosque. Em zonas muito abertas, com pouco abrigo e poucos recursos alimentares encontram-se principalmente indivíduos juvenis.


Tanto no verão como no inverno o pisco-de-peito-ruivo frequenta uma enorme variedade de habitats desde que estes possuam alguma cobertura arbórea ou apenas arbustiva, frequentando ainda pomares, vinhas, parques, jardins e pequenos quintais nas zonas urbanas.

A população residente começa a reprodução a partir do mês de Março, embora a maioria das posturas seja feita nos meses de Abril, Maio e Junho (apesar de este aspecto não estar bem estudado). Os ninhos são construídos em pequenas cavidades pouco profundas em diversos substratos que incluem árvores, rochas, taludes e em algumas estruturas artificiais. Estes ninhos geralmente localizam-se a baixa altura, desde o nível do solo até cinco metros ou mais. As posturas são geralmente compostas por 4 a 6 ovos, criando entre duas e ocasionalmente três ninhadas por ano. A incubação dura cerca de 14 dias e as crias estão aptas a abandonar o ninho, aproximadamente, aos 14 dias de idade.



A alimentação do pisco-de-peito-ruivo na Primavera deverá ser essencialmente insectívora, ao passo que no inverno as aves invernantes alimentam-se essencialmente de frutos carnudos, como por exemplo as azeitonas, de bagas, pedaços de bolotas e pequenos invertebrados que apanha desde o solo.



O pisco-de-peito-ruivo é uma ave solitária e bastante curiosa, que emite durante grande parte do ano um canto doce e com uma variada sucessão de melodiosos trinados, por vezes ténues e agudos. O canto dos piscos-de-peito-ruivo invernantes ouve-se com mais intensidade de Outubro a meados de Novembro, diminuindo a sua frequência até se tornar raro desde Dezembro até à partida de regresso às áreas de nidificação. Relativamente às aves residentes ocorre igualmente uma diminuição do canto ao longo do Outono, aumentando este a partir de Janeiro ou Fevereiro, altura em que as aves invernantes são quase silenciosas. Muitas vezes em zonas com iluminação artificial, é possível escutar o canto do pisco-de-peito-ruivo durante a noite.

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