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A mostrar mensagens de Maio, 2010

Espécie do mês de Maio: Tritão-de-ventre-laranja


O tritão-de-ventre-laranja (Lissotriton boscai) é um endemismo ibérico, com uma distribuição limitada ao nosso país e à região centro e oeste de Espanha.

Os indivíduos adultos atingem um tamanho máximo de 10 cm, sendo os machos mais pequenos do que as fêmeas. Os animais apresentam o dorso com uma coloração distinta de indivíduo para indivíduo e que pode variar entre amarela-acastanhada pálida, esverdeada ou ainda em tons castanhos-acinzentados. O dorso pode apresentar também manchas negras, que podem ser de diferentes dimensões, bem como uma risca pálida, numa posição lateral e paralela à linha da coluna vertebral.


O ventre tem uma coloração intensa cor-de-laranja (facto que deu origem ao seu nome comum), sendo rodeado por manchas negras, que se dispõem de forma mais ou menos paralela.



Distingue-se facilmente das restantes espécies de tritão existentes em Portugal, sendo mais pequeno que o tritão-marmoreado (Triturus marmoratus) e por apresentar coloração bastante diferente (o tritão-marmoreado tem uma coloração em tons verdes, com manchas negras). No caso do tritão-de-patas-espalmadas (Lissotriton helveticus), os indivíduos desta espécie apresentam uma coloração amarela bastante discreta no ventre.

Encontra-se numa grande variedade de habitats, como prados, zonas de bosque e campos agrícolas, mas sempre associado à água, podendo encontrar-se em reservatórios.
Os tritões-de-ventre-laranja possuem uma fase aquática, durante o período de reprodução e uma fase terrestre, fora desta. É uma animal com actividade essencialmente nocturna, ainda que no período de reprodução possa ser visto em actividade durante o dia. Durante a fase aquática alimentam-se de insectos e vermes presentes neste meio, ao passo que durante a fase terrestre se alimentam essencialmente de pequenos invertebrados moles, como lesmas e minhocas.

De acordo com o ICNB, no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, esta espécie apresenta um estatuto de conservação “Pouco Preocupante”. Os principais factores de ameaça a esta espécie são a perda e degradação do seu habitat, seja por destruição de antigos charcos e tanques usados para a reprodução, seja pela poluição das massas de água. Para além disso sofrem com a presença de espécies invasoras, nomeadamente com o lagostim-vermelho-da-Louisiana (
Procambarus clarkii), uma vez os animais desta espécie atingem frequentemente densidades muito elevadas e são predadores de anfíbios. Adicionalmente, as alterações climáticas e a disseminação de agentes infecciosos como o fungo cítrico também contribuem para a redução dos efectivos da espécie, ainda que a magnitude do impacto destes factores ainda não seja totalmente conhecida.


No CERVAS existe uma pequena charca, criada para potenciar a ocorrência natural de anfíbios, sendo também aproveitado para a realização de acções de educação ambiental.

Libertação: 12 de Maio de 2010


12 de Maio de 2010, Quarta-feira
Libertação de um grifo (Gyps fulvus)
14:00 Foz do Cobrão, Portas de Ródão


Esta ave ingressou no CERVAS no final do mês de Fevereiro, sendo a causa que levou ao seu ingresso desconhecida. Este animal foi recolhido pela equipa do SEPNA de Portalegre, que o entregou aos cuidados dos funcionários do Parque Natural da Serra de São Mamede, que por sua vez o encaminharam para o CERVAS. Na altura do seu ingresso verificou-se que a ave tinha sido anilhada em Espanha, estando marcada com uma anilha de PVC amarela, com a inscrição 4L5.


Esta libertação foi precedida de uma acção de educação ambiental, que teve como alvo as cerca de duas centenas de crianças presentes nesta acção e que consistiu na observação da avifauna existente no local de libertação e de uma pequena palestra acerca do trabalho do CERVAS.

Curso: Identificação, Biologia e Conservação de Aves de Rapina - 5ª Edição


Figueira de Castelo de Rodrigo
24 a 27 de Junho

As Aves de Rapina constituem um dos grupos mais fascinantes da avifauna portuguesa e há cada vez mais interessados em conhecê-las e estudá-las.

A ALDEIA, a Associação Transumância e Natureza e o Parque Natural do Douro Internacional organizam a 5ª edição de um curso que tem como objectivos contribuir para a divulgação e formação técnica sobre vários aspectos relacionados com a identificação, o estudo científico e a conservação das Aves de Rapina existentes em território nacional.
Esta iniciativa destina-se a quem se esteja a iniciar nestes temas, mas também a quem pretenda consolidar o seu conhecimento sobre estas aves. O curso terá um carácter principalmente prático, com uma forte componente de saídas de campo, para observação das aves, interpretação ecológica, identificação de ameaças, e análise a problemas de conservação e respectivas soluções.

Os formadores são técnicos que trabalham directamente nestas áreas, e que por um lado disponibilizarão conhecimentos e experiências e por outro, serão guias privilegiados a alguns dos recantos menos conhecidos do fabuloso espaço fronteiriço do Douro Internacional.

Mais Informações aqui!

Saída de Campo: As Aves do Rio Mondego - Celorico da Beira

No passado dia 22 de Maio, efectuou-se mais uma saída de campo (“Aves do Rio Mondego”) para observação da avifauna, no concelho de Celorico da Beira. Esta saída contou com 7 participantes, os quais puderam observar 47 espécies de aves. No primeiro ponto de observação, em Vila Boa do Mondego, foi possível observar algumas espécies interessantes, apesar do constante ruído dos automóveis (encontrávamo-nos sob uma ponte da A25) como tentilhão-comum (Fringilla coelebs), andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica), pintassilgo (Carduelis carduelis) e trepadeira-comum (Certhia brachydactyla).

Foto: CERVAS

O passeio seguiu até ao Espinheiro, local onde se efectuaram dois pontos de observação, bastante ricos em avifauna. Nestes locais foi possível observar falcão-abelheiro (
Pernis apivorus), picanço-barreteiro (Lanius senator), picanço-real (Lanius meridionalis), poupa (Upupa epops), tartaranhão-caçador (Circus pygargus), entre outros.


Foto: José Prata dos Reis

Quando o calor começou a apertar, seguiu-se até Casas do Rio, onde se aproveitou para almoçar, refrescar e continuar a observação. Neste ponto de observação tranquilo, onde o rio Mondego já atinge uma dimensão considerável, foi possível observar abelharuco (
Merops apiaster), guarda-rios (Alcedo athis), alvéola-cinzenta (Motacilla cinerea), toutinegra-de-barrete-preto (Sylvia atricapilla), trigueirão (Miliaria calandra), cegonha-branca (Ciconia ciconia), águia-calçada (Aquila pennata) e grifo (Gyps fulvus).


Abelharuco (Merops apiaster)
Foto: CERVAS


Guarda-rios (Alcedo atthis)
Foto: José Prata dos Reis


No final da tarde efectuou-se o último ponto de observação na Ratoeira, onde se observou perdiz-comum (Alectoris rufa), rola-brava (Streptopelia turtur) e andorinhão-preto (Apus apus).

Perdiz-comum (Alectoris rufa)
Foto: José Prata dos Reis


Durante esta saída observaram-se as seguintes 46 espécies:

  • Ciconia ciconia (Cegonha-branca)
  • Alectoris rufa (Perdiz-comum)
  • Gyps fulvus (Grifo)
  • Aquila pennata (Águia-calçada)
  • Milvus migrans (Milhafre-preto)
  • Circus pygargus (Tartaranhão-caçador)
  • Buteo buteo (Águia-de-asa-redonda)
  • Pernis apivorus (Falcão-abelheiro)
  • Falco tinnunculus (Peneireiro-vulgar)
  • Columba livia (Pombo-das-rochas)
  • Columba palumbus (Pombo-torcaz)
  • Streptopelia decaoto (Rola-turca)
  • Streptopelia turtur (Rola-brava)
  • Cuculus canorus (Cuco-canoro)
  • Apus apus (Andorinhão-preto)
  • Upupa epops (Poupa)
  • Alcedo athis (Guarda-rios)
  • Merops apiaster (Abelharuco)
  • Galerida cristata (Cotovia-de-poupa)
  • Ptyonoprogne rupestris (Andorinha-das-rochas)
  • Hirundo rústica (Andorinha-das-chaminés)
  • Delichon urbicum (Andorinha-dos-beirais)
  • Motacilla alba (Alvéola-branca)
  • Motacilla cinerea (Alvéola-cinzenta)
  • Erithacus rubecula (Pisco-de-peito-ruivo)
  • Phoenicurus ochruros (Rabirruivo)
  • Saxicola torquata (Cartaxo-comum)
  • Turdus merula (Melro-preto)
  • Sylvia atricapilla (Toutinegra-de-barrete-preto)
  • Parus major (Chapim-real)
  • Periparus ater (Chapim-carvoeiro)
  • Certhia brachydactyla (Trepadeira-comum)
  • Lanius meridionalis (Picanço-real)
  • Lanius senator (Picanço-barreteiro)
  • Cyanopica cyanus (Pega-azul)
  • Garrulus glandarius (Gaio)
  • Corvus corone (Corvo)
  • Corvus corax (Gralha-preta)
  • Sturnus unicolor (Estorninho-preto)
  • Passer domesticus (Pardal-comum)
  • Fringilla coelebs (Tentilhão-comum)
  • Carduelis cannabina (Pintarroxo)
  • Carduelis carduelis (Pintassilgo)
  • Chloris chloris (Verdilhão)
  • Serinus serinus (Chamariz)
  • Emberiza calandra (Trigueirão)

Saída de Campo - Flora Ameaçada do PN Serra da Estrela


No dia 20 Junho será realizada mais uma saída de campo, no sentido de conhecer e identificar a flora presente no território do PNSE. Com vista a visitar um maior número de habitats característicos da Serra da Estrela, a saída de campo decorrerá de acordo com um itinerário pré-definido, que contempla lugares de grande interesse para a conservação da biodiversidade florística desta região. O encontro é às 8.00h da manhã na Delegação do Parque Natural da Serra da Estrela.

Esta saída será guiada por Alexandre Silva que actualmente desempenha funções de técnico superior no Município de Seia-Centro de Interpretação da Serra da Estrela. Licenciado em Engenharia Agrícola, e com frequência da Licenciatura em Biologia na Faculdade de Ciências e Técnologia da Universidade de Coimbra, os seus principais interesses centram-se na flora e vegetação da serra da Estrela. Actualmente em parceria com o ICNB/PNSE desenvolve um projecto para a conservação do teixo (Taxus baccata) nas serras do centro de Portugal.

Esta actividade é gratuita. Mais informações e inscrições em cervas.pnse@gmail.com e 962714492/918288148.

Itinerário: Visita a um lameiro em Prados (Videmonte) para mostrar o ambiente rural e a sua importância para a biodiversidade. Entre Videmonte e Famalicão breve paragem para observar a melhor mancha de carvalho-negral do PNSE. De seguida, em Famalicão curto percurso pedestre num souto, no qual se podem observar um conjunto de plantas muito interessantes características de bosques de folhosas. No Vale do Zêzere, visita a um azinhal no Sameiro ou em alternativa, ainda em Videmonte, a seguir ao prado visita a Quinta da Taberna que é um dos melhores azinhais da serra. Ainda, no Vale do Zêzere paragem para observar as comunidades ripícolas e outra para observar um pequeno bosquete de teixos no seio de um vidoal junto ao Covão da Ametade. Paragem na Nave de Santo António para observar um cervunal. Na Senhora da Estrela comunidades rupícolas e prados cuminais xerofíticos. Na zona das Salgadeiras e Fonte dos Perús observaríamos exemplos de turfeiras e os Zimbrais. Se houver vontade e tempo poder-se-á ainda visitar a Lagoa Comprida para ver o Lagoacho das Favas. Durante o percurso podem-se fazer ajustamentos em função do tempo que se tiver.

Mini-Seminário: Medicina de Aves Aquáticas e Petroleadas

Quarta-feira, 26 de Maio de 2010
19:00 - Auditório do PNSE (Gouveia)

Nesta segunda sessão das Conversas de Fim de Tarde,iremos ter connosco João Brandão, médico veterinário, que nos irá falar sobre a sua experiência de trabalho com aves aquáticas, em especial nas situações de derrames petrolíferos, isto numa altura que começam a surgir as primeiras notícias sobre os impactos directos à biodiversidade da catástrofe ecológica que decorre no Golfo do México.

As sessões das Conversas de Fim de Tarde são abertas a todos e de participação gratuita. As inscrições são limitadas e deverão ser feitas via e-mail para cervas.pnse@gmail.com

Sobre o nosso convidado:
João M. L. Brandão
Licenciado em Medicina Veterinária pela UTAD. Experiência voluntária em recuperação de animais selvagens no Centro de Recepção, Acolhimento e Tratamento de Animais Selvagens (CRATAS), Operação Ganso Patola (resposta ao derrame do Prestige), no CERVAS, entre outros. Internato em Medicina de Aves Aquáticas e Aves Petroleadas no International Bird Rescue Research Center, Califórnia (EUA). Realizou também internato em Medicina de Aves de Rapina de Falcoaria e Animais Exóticos no Great Western Referrals, Swindon (Reino Unido) sob orientação de Neil Forbes.

Libertação: 17 de Maio de 2010

17 de Maio de 2010, Segunda-feira
Libertação de uma águia-cobreira (Circaetus gallicus)
11:30 Castelo da Lousã


Esta ave foi encontrada dentro de um tanque, numa situação de pré-afogamento, por um membro da Equipa dos Sapadores da Serra da Lousã, que a recolheu e entregou à Equipa do SEPNA da Serra da Lousã, de modo a que fosse transferida para um centro de recuperação. Na altura do seu ingresso no CERVAS, verificou-se a existência de fluidos nos sacos aéreos, provenientes da inalação de água. O seu processo de recuperação consistiu em terapida de suporte, alimentação e contacto com animais da mesma espécie.



Na sua devolução à Natureza estiveram presentes cerca de 2 dezenas de pessoas, incluindo representantes de associações locais, da Câmara Municipal da Lousã, da comunicação social, da Equipa do SEPNA da Lousã e ainda os membros da Equipa de Sapadores responsáveis pela recolha da "Vitória" (nome dado à águia pelos presentes na sua libertação).

O CERVAS na Festa das Aves



O CERVAS esteve presente na Festa das Aves organizada pela AEPGA (Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino) que se realizou no passado fim de semana (14 a 17 de Maio de 2010) na aldeia de Vila Chã da Braciosa, situada em Miranda do Douro, tendo conduzido as oficinas “Ovos, Bicos e Penas” e “O que fazer quando encontrar uma animal ferido ou envenenado”. As oficinas tinham como público-alvo crianças e jovens das escolas dos concelhos de Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro, cujo objectivo passava pelo reforço e conclusão das acções de sensibilização ambiental levadas a cabo pelo projecto “Plano de Emergência para a Recuperação de 3 Espécies de Aves Rupícolas no Parque Natural do Douro Internacional” (PEAR) nas escolas dos mesmos concelhos, com o intuito de, num ambiente mais descontraído e de festa, apelar para a problemática da conservação e preservação das aves e dos seus habitats. Simultaneamente, pretende também destacar o papel vital que as aves desempenham no equilíbrio dos ecossistemas, realçando a sua importância para o ser humano.


A Festa das Aves foi delineada com o intuito de promover a valorização da natureza através das aves. O objectivo primordial era sensibilizar para a preservação das aves através de uma diversidade de actividades que incluiam caminhadas na natureza para observação e identificação de aves, identificação de ameaças e análise dos problemas de conservação e respectivas soluções, interpretação ecológica, palestras, tertúlias, mostra de filme documentários, eventos artísticos (música, teatro, contos e poesia), actividades para crianças (pintura-facial, jogos lúdico-pedagógicos, manualidades como oficinas de construção de pinhas alimentares, comedouros e bebedouros para aves, construção de ninhos artificiais, etc…), exposições (desenho científico, fotografia), feira e mostra dedicada ao estudo das aves, entre outras. Entre as inúmeras actividades propostas pretendia-se que, cada vez mais pessoas, aprendam a apreciar as aves que convivem connosco no dia-a-dia.

STAEDTLER apoia o Projecto BARN do CERVAS


O Projecto BARN do CERVAS agradece o apoio da STAEDTLER. Esta colaboração irá apoiar a realização do Curso de Iniciação à Ilustração Científica.


Muito obrigado pela vossa pronta disponibilidade!