sexta-feira, 16 de maio de 2014

Espécie do mês de Junho: Víbora-cornuda


A víbora-cornuda (Vipera latastei) é uma das duas espécies de víbora existente em Portugal e que pode ser potencialmente perigosa para o Homem uma vez que possui veneno. 

Esta víbora de tamanho pequeno, não ultrapassa, geralmente os 70 cm de comprimento total, possui um corpo robusto com uma cauda curta, e um dorso com uma coloração variável, entre o cinzento ou acastanhado. Ao longo do seu corpo tem uma banda dorsal escura disposta em zigue-zague, e o ventre é esbranquiçado ou acinzentado com manchas irregulares. A cabeça da víbora-cornuda é bem diferenciada do tronco e possui a extremidade do focinho proeminente formando um apêndice nasal típico da espécie. Os olhos têm a particularidade de ter a pupila vertical e a íris amarela ou dourada. Na parte posterior da cabeça existem normalmente duas manchas escuras que formam um V invertido. 


As fêmeas de víbora-cornuda apresentam uma coloração do dorso acastanhada, enquanto que os machos são cinzentos e com uma cauda mais larga logo a seguir à cloaca e ligeiramente mais comprida. Os juvenis possuem uma coloração semelhante aos adultos mas apresentam um contraste dos desenhos e cores do corpo mais acentuado. Os recém-nascidos medem entre 15 e 20 cm de comprimento total.


Esta espécie pode ser confundida com a outra víbora também existente em Portugal, a víbora-de-Seone (Vipera seoanei), e a cobra-de-água-viperina (Natrix maura). Distinguindo-se da primeira por apresentar o focinho mais proeminente e a cabeça mais triangular, e da segunda por ter placas cefálicas subdivididas, pupila vertical e focinho proeminente.

A víbora-cornuda é essencialmente diurna, embora nos meses de maior calor possa apresentar actividade crepuscular e nocturna. Tem um período de hibernação de duração variável e que está dependente de factores como a altitudes e a latitude.


A época de reprodução desta espécie inicia-se na Primavera, e sendo ovovípara, a fêmea de víbora-cornuda origina cinco a oito crias no final do verão, podendo ainda ter um segundo período de actividade sexual em Setembro e Outubro. A maturidade sexual é atingida quando o comprimento corporal ronda os 30 a 40 cm, alcançando os indivíduos os noves anos de idade.

A víbora cornuda alimenta-se essencialmente de micromamíferos , podendo também capturar lagartixas, juvenis de sardão e de lagarto-de-água, assim como outros répteis  de pequeno e médio porte. Incluem-se também na sua dieta presas como os passeriformes, pequenos anfíbios e até mesmo insectos.


Como predadores da víbora-cornuda,  as aves de rapina e os mamíferos como o saca-rabos, o javali  a geneta e o ouriço-cacheiro, assim como  outras cobras de maior tamanho, como a cobra-rateira, são os principais predadores desta espécie. Quando está na presença de inimigos, geralmente opta pela fuga, embora quando ameaçada sopre e tente morder. A víbora-cornuda produz um veneno de características proteolíticas, podendo ser potencialmente perigosa para o Homem, quando perturbada.


A víbora-cornuda ocorre em zonas rochosas de montanha com cobertura arbustiva, no entanto também pode ocorrer em zonas mais baixas como matagais, zonas agrícolas e pinhais arenosos do litoral. Em Portugal, distribui-se desde o nível do mar até aos 1500m, na Serra da Estrela. Esta espécie de víbora ocorre na Península Ibérica e norte de África e em Portugal distribui-se por todo o território, embora em núcleos populacionais fragmentados.


Bibliografia:
- Loureiro, A., Almeida, N.,Carretero, M., Paulo,O. 2008. Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidasde,I.P.
- Anfíbios e Repteis de Portugal, blog acedido em 10 de Maio de 2014, em: http://anfibioserepteis.blogspot.pt/

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