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A mostrar mensagens de Agosto, 2009

Espécie do mês de Agosto: Cegonha-branca

Cegonha-branca adulta

A cegonha-branca (Ciconia ciconia) pertence à ordem dos ciconiiformes e distribui-se por todo o nosso país. Possui um comprimento entre 90 e 105cm (com o pescoço distendido) e uma envergadura entre 180 e 218cm. Pode viver até cerca de 33 anos em estado selvagem. Esta ave tem uma plumagem de cor branca com excepção das penas primárias e secundárias, as grandes coberturas e as coberturas primárias, a alula e as escapulares que apresentam uma coloração preta. A cegonha-branca possui pernas altas de coloração vermelha e pescoço longo. Os juvenis distinguem-se dos indivíduos imaturos e adultos principalmente através da coloração do bico: nas primeiras fases de vida é mais curto e quase preto, passando progressivamente para uma coloração acastanhada ou vermelho-pálido com a ponta preta, até atingir a coloração vermelha, típica dos adultos.

Cegonha-branca juvenil (durante pesagem)

Apesar de ser considerada uma ave aquática, a maioria dos casais nidificantes em Portugal utiliza diversos habitats como pastagens naturais, searas, montados ou lameiros. No entanto, charcas, pequenas ribeiras, pântanos, sapais e arrozais são muito utilizados por estas aves como locais de alimentação.
A cegonha-branca apresenta uma dieta bastante variada: insectos, lagostim-vermelho, anfíbios, pequenos mamíferos, répteis e até mesmo restos de alimento humano, que encontram em lixeiras e aterros sanitários.

Esta espécie é monogâmica e, geralmente, utiliza o mesmo ninho, ano após ano. Os casais podem nidificar isoladamente ou em colónias. Em Portugal, são conhecidas colónias constituídas por mais de 70 casais nidificantes. Esta espécie escolhe árvores, construções humanas de diversos tipos, postes e escarpas fluviais e costeiras para edificar o ninho. A postura é efectuada em Fevereiro/Março, sendo que a incubação dura 33-34 dias. O período de permanência no ninho, após a eclosão, é de aproximadamente dois meses (58-64 dias). A incubação, tal como a protecção e a alimentação das crias, é realizada por ambos os membros do casal, podendo ser criadas 1 a 5 crias.

Cria de cegonha-branca

Esta cegonha é uma espécie caracteristicamente migradora e dispersiva sendo que a maioria das aves nidificantes em Portugal migra para a bacia do Rio Niger através do Estreito de Gibraltar.

Mapa da distribuição dos ingressos (por freguesia), no CERVAS, de Ciconia ciconia, registados entre 2006 e 2009 e dos principais rios de Portugal continental.

Como curiosidade, a associação milenar da cegonha-branca ao nascimento de crianças está intimamente relacionada com os seus hábitos migratórios. O seu regresso à Europa, para aqui se reproduzir, coincidente com a estação da Primavera, que simboliza o renascimento da vida, tornou esta espécie num símbolo de fertilidade.

Em Portugal, a cegonha-branca tem o estatuto de “Pouco preocupante”, atribuído pelo ICNB no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal em 2005.
A destruição do habitat, a intensificação da agricultura e abandono de práticas tradicionais, a contaminação química das cadeias alimentares, o abate ilegal e a electrocussão são os principais factores de ameaça a esta espécie.

Educação Ambiental: 25 de Agosto de 2009

No passado dia 25 de Agosto, o CERVAS realizou uma "Oficina de Educação Ambiental" com cerca de 80 crianças da colónia de férias da Cáritas, na Praia do Pedrógão - Leiria.

Esta acção consiste na sensibilização e formação de crianças e adultos sobre algumas espécies da Fauna nacional, a sua recuperação nos centros e a sua conservação na natureza, através da visualização e contacto com material biológico, indícios de presença e outros associados aos vários animais.






Fotografias de Ana Raquel Gouveia

Libertações: 21 a 24 de Agosto de 2009

CERVAS devolve 8 aves selvagens à Natureza
Libertações em vários locais dos distritos da Guarda, Viseu, Coimbra e Aveiro

21 de Agosto de 2009, 6ª feira
Libertação de um Milhafre-preto (Milvus migrans)
10h00, Covão do Forno - Seia
Ponto de encontro: Covão do Forno, Seia

Esta ave foi recolhida por um particular por se encontrar debilitada e desnutrida, e encaminhada para o CERVAS. Aqui sofreu todo o processo de recuperação que consistiu em alimentação para que adquirisse o peso adequado, contacto com aves da mesma espécie e treinos de voo e caça.


Este evento foi organizado com a colaboração do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) e da EDP e realizado no âmbito das acções que estão a ser desenvolvidas por esta empresa para cobertura de um canal de água onde se verificava elevada mortalidade de fauna. Contou com a presença de cerca de 30 funcionários da EDP, que assistiram deste modo à devolução à Natureza da ave baptizada com o nome "Covão".


22 de Agosto de 2009, Sábado
Libertação de um Mocho-galego (Athene noctua)
21h00, Gouveia
Ponto de encontro: Quinta da Cerca, Gouveia

Este pequeno juvenil foi recolhido no inicio do mês de Julho após ter caído do ninho. Foi encaminhado para o CERVAS onde sofreu todo o processo de recuperação que consistiu em alimentação para que crescesse, desenvolvimento da plumagem, contacto com aves adultas da mesma espécie de modo a aprender os comportamentos próprios e treinos de voo e caça. Deste modo, esta ave encontrava-se agora pronta para ser devolvida à Natureza.

Esta acção foi inserida no Gaudela Star Fest, festival musical realizado com a colaboração da ALDEIA, e contou com a presença de cerca de 30 participantes e organizadores deste evento, bem como elementos das várias bandas. O pequeno "Gaudela", nome pelo qual foi baptizado este mocho, foi libertado pelo baterista da banda cabeça de cartaz, os The Temple.


24 de Agosto de 2009, 2ª feira
Libertação de um Gavião (Accipiter nisus)
8h30, Sta Comba Dão
Ponto de encontro: Posto da GNR de Sta Comba Dão

Esta ave foi recolhida por um particular por se encontrar debilitada e foi encaminhada para o CERVAS pela equipa do SEPNA de Sta Comba Dão. Aqui sofreu todo o processo de recuperação que consistiu em alimentação para que adquirisse o peso adequado, contacto com aves da mesma espécie e treinos de voo e caça.

Foto: EcoClube do Dão


Nesta acção estiveram presentes escuteiros do Agrupamento de Sta Comba Dão, membros do EcoClube do Dão, elementos do SEPNA de Sta Comba e o senhor responsável pela recolha desta ave, que a baptizou com o nome "Aida".

Libertação de um Milhafre-preto (Milvus migrans)
9h00, Treixedo - Sta Comba Dão
Ponto de encontro: Junta de Freguesia de Treixedo


Esta ave foi apreendida em Dezembro de 2008 pelo SEPNA de Sta Comba Dão a um particular que a mantinha em cativeiro ilegal. Foi encaminhada para o CERVAS e aqui sofreu o processo de recuperação que consistiu em alimentação para que adquirisse o peso adequado, processo de muda das penas danificadas por se encontrar em cativeiro, contacto com aves da mesma espécie para que adquirisse os comportamentos próprios e treinos de voo e caça.


Nesta acção estiveram presentes escuteiros do Agrupamento de Sta Comba Dão, membros do EcoClube do Dão e elementos do SEPNA de Sta Comba. A ave foi baptizada com o nome "Billy".

Esta apresentação foi criada pelo EcoClube do Dão e gentilmente cedida ao CERVAS. O nosso sincero agradecimento.

---> Acções em colaboração com a Reserva Natural do Paúl da Arzila (RNPA)

24 de Agosto de 2009, 2ª feira
Libertação de uma Cegonha-branca (Ciconia ciconia)
11h00, Mata Nacional do Choupal - Coimbra
Ponto de encontro: Sede da Reserva Natural do Paúl da Arzila (RNPA), Mata Nacional do Choupal

Esta ave foi recolhida no mês de Julho na Figueira da Foz, pelo SEPNA de Montemor-o-Velho, e encaminhada para a RNPA. Foi então entregue no CERVAS e verificou-se que apresentava uma fractura numa pata. O processo de recuperação consistiu na resolução desta lesão, alimentação para que adquirisse o peso adequado, contacto com aves da mesma espécie e treinos de voo.


Nesta acção estiveram presentes cerca de 10 crianças do ATL do Centro de S. João, elementos do SEPNA de Coimbra e representantes da empresa ABASTENA (colaboradores/patrocinadores do CERVAS), entre outros.

Libertação de uma Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)
12h30, Outil - Cantanhede
Ponto de encontro: Largo no centro de Outil

Esta ave foi recolhida em Outil no mês de Junho, pelo SEPNA de Cantanhede, após ter caído do ninho. Foi entregue na RNPA e encaminhada para o CERVAS. Aqui sofreu o processo de recuperação que consistiu em alimentação para que crescesse e adquirisse o peso adequado, passagem pelo 1º processo de muda das penas, contacto com aves da mesma espécie para que adquirisse os comportamentos próprios e treinos de voo e caça.



Esta acção contou com a presença de elementos do SEPNA de Cantanhede e do presidente da Associativa de Caça "Pedra Branca", entre outros.

Libertação de uma Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)
14h30, Fermentelos - Águeda
Ponto de encontro: Pateira de Fermentelos, Águeda

Esta ave foi recolhida por um particular na Pateira de Fermentelos, em Julho, por se encontrar debilitada e desnutrida. Foi entregue na RNPA e encaminhada para o CERVAS. Aqui sofreu o processo de recuperação que consistiu em alimentação para que adquirisse o peso adequado, contacto com aves da mesma espécie e treinos de voo e caça.

Libertação de um Milhafre-preto (Milvus migrans)
16h00, Moita - Anadia
Ponto de encontro: Moita Rugby Clube da Bairrada, Anadia

Esta ave juvenil foi apreendida pela equipa do SEPNA de Anadia em conjunto com outras 6 aves de rapina, na casa de um particular, onde terão permanecido durante cerca de um mês. De acordo com o mesmo, as aves terão caído dos respectivos ninhos durante o abate de um pinhal. As aves foram então entregues na RNPA e encaminhadas para o CERVAS. O processo de recuperação desta ave consistiu em alimentação para que aumentasse e mantivesse o peso, processo de muda das penas danificadas, contacto com aves da mesma espécie de modo a adquirir os comportamentos próprios e treinos de voo e caça.

Distribuição e prevalência de hemoparasitas de aves selvagens

Com o objectivo de estudar a prevalência e distribuição de hemoprotozoários (parasitas sanguíneos) dos géneros Haemoproteus, Leucocytozoon, Trypanosoma e Plasmodium das aves ingressadas no CERVAS, foram observados perto de 250 esfregaços sanguíneos entre Janeiro de 2007 e finais de Agosto de 2009. As aves são originárias da região interior, norte e centro de Portugal. As amostras foram recolhidas no momento do ingresso e utilizadas para fazer contagem e diferenciação celular, auxiliando assim no diagnóstico de possíveis doenças. Todos estes esfregaços foram guardados para futuros estudos.
Os resultados obtidos indicam uma prevalência total de infecção por hemoparasitas em 40,10% das aves analisadas, sendo o mais abundante o Leucocytozoon spp. As espécies mais afectadas são o Gavião (Accipiter nisus), o Bufo-real (Bubo bubo), o Açor (Accipiter gentilis) e a Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo).
A importância destes parasitas em termos de conservação das espécies de aves selvagens ainda não é bem conhecida já que a maior parte dos animais infectados não apresentam sintomas de doença mas a presença de hemoparasitas pode fornecer dados sobre a saúde das populações e sobre a ecologia dos vectores e das aves afectadas.


1. Leucozytozoon spp.


2. Trypanosoma spp.


3. Haemoproteus spp.

Ibone Anza, Médica Veterinária

Libertação: 15 de Agosto de 2009 & 1º ECEV

15 de Agosto de 2009, Sábado
Libertação de um Milhafre-preto (Milvus migrans)
14h30, Torre - Serra da Estrela


Esta acção foi organizada em colaboração com o Parque Natural da Serra da Estrela e inserida no programa "Há Volta", da RTP, que acompanhou a 71ª Volta a Portugal. A ave foi libertada pelo apresentador João Baião, tendo sido baptizada de "RTP".


Neste mesmo dia, foi realizado o 1º ECEV - Encontro de Colaboradores, Estagiários e Voluntários, que reuniu 20 pessoas que já passaram pelo CERVAS (das cerca de 80 que colaboraram no centro desde a sua abertura). Este evento contou com uma saída para observação de aves selvagens, um pic-nic, libertação da ave na Torre, momentos de lazer e diversão e terminou com um jantar no Escorropicha Ana, apresentação de fotografias e atribuição de certificados de colaboração.











Libertações: 7 a 11 de Agosto de 2009

CERVAS devolve 14 aves selvagens à Natureza
Libertações em vários locais de Coimbra e Beira Alta

7 a 11 de Agosto de 2009

---> Acção em colaboração com a Reserva Natural do Paúl da Arzila (RNPA):

7 de Agosto de 2009, 6ª feira
Libertação de dois Milhafres-pretos (Milvus migrans), uma Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) e duas Cegonhas-brancas (Ciconia ciconia)
15h30, Casais do Campo, Coimbra
Ponto de encontro: Junto à ponte dos Casais, na estrada da Beira Rio (margem direita do Rio Mondego)

Todas estas aves, com excepção de uma das cegonhas (um individuo já adulto que se encontrava debilitado), terão caído do ninho enquanto juvenis. Foram recolhidas por equipas do SEPNA e pelos Vigilantes da Natureza, entregues na RNPA e encaminhadas para o CERVAS. Neste centro, sofreram o processo de recuperação que consistiu em alimentação para que adquirissem o peso ideal, crescimento e desenvolvimento da plumagem, contacto com aves da mesma espécie e treinos de voo (e de caça, no caso das aves de rapina).


---> Acção do CERVAS inserida nas Festas do Sr. do Calvário - Gouveia 2009:

8 de Agosto de 2009, Sábado
Libertação de uma Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)
15h00, Gouveia
Ponto de encontro: Curral do Negro, Gouveia



---> Acção em colaboração com a Reserva Natural da Serra da Malcata (RNSM):

11 de Agosto de 2009, 3ª feira
Libertação de uma Cegonha-branca (Ciconia ciconia)
10h30, Vila Boa, Sabugal

Esta ave foi recolhida por um Vigilante da Natureza da RNSM no inicio do mês de Julho, por se encontrar debilitada, e encaminhada para o CERVAS. Neste centro, sofreu o processo de recuperação que consistiu em alimentação para que adquirisse o peso ideal, contacto com aves da mesma espécie e treinos de voo.


---> Acções em colaboração com o Parque Natural do Douro Internacional (PNDI):

11 de Agosto de 2009, 3ª feira
Libertação de uma Cegonha-branca (Ciconia ciconia)
10h30, Freineda, Almeida
Ponto de encontro: Igreja Matriz da Freineda

Esta ave foi recolhida pelo SEPNA de Vilar Formoso junto da igreja da Freineda, no inicio do mês de Julho, após ter caído do ninho. Foi encaminhada para o CERVAS e aqui sofreu o processo de recuperação que consistiu em alimentação para que adquirisse o peso ideal, contacto com aves da mesma espécie e treinos de voo.

Esta acção contou com a presença do SEPNA de Vilar Formoso e de vários populares, incluindo as pessoas responsáveis pela recolha da ave.


Libertação de uma Cegonha-branca (Ciconia ciconia)
11h30, Malhada Sorda, Almeida
Ponto de encontro: Capela N. Sra. da Ajuda, Malhada-Sorda

Esta ave foi recolhida do ninho (junto à Capela N. Sra. da Ajuda) pelos Bombeiros Voluntários de Almeida por apresentar um cordel enrolado numa das patas. Foi transportada pelo SEPNA de Vilar Formoso para o CERVAS e aqui sofreu o processo de recuperação que consistiu em tratamento da lesão provocada pelo fio, alimentação para que adquirisse o peso ideal, contacto com aves da mesma espécie e treinos de voo.

Esta acção contou com a presença do SEPNA de Vilar Formoso e de vários populares, incluindo o presidente da Junta de Freguesia de Malhada-Sorda.



Libertação de uma Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

12h30, Poço Velho - Nave de Haver, Almeida
Ponto de encontro: Igreja N. Sra. da Conceição, Poço Velho

Esta ave foi recolhida em Poço Velho pelo SEPNA de Vilar Formoso, no dia 16 de Julho, por se encontrar debilitada. Foi encaminhada para o CERVAS e aqui sofreu o processo de recuperação que consistiu em alimentação para que adquirisse o peso ideal, contacto com aves da mesma espécie e treinos de voo.

Esta acção contou com a presença do SEPNA de Vilar Formoso e de vários populares.


Libertação de uma Cegonha-branca (Ciconia ciconia)
14h30, Figueira de Castelo Rodrigo
Ponto de encontro: Igreja de Fig. de Castelo Rodrigo

Esta ave foi recolhida pelos Bombeiros Voluntários de Figueira de Castelo Rodrigo junto da igreja, no inicio do mês de Julho, após ter caído do ninho. Foi transportada pelo SEPNA de Vilar Formoso para o CERVAS e aqui sofreu o processo de recuperação que consistiu em alimentação para que adquirisse o peso ideal, contacto com aves da mesma espécie e treinos de voo.

Esta acção contou com a presença dos Bombeiros Voluntários de Figueira de Castelo Rodrigo, inclusivé da pessoa responsável pela recolha desta ave (na foto) e do nome que lhe foi atribuído: "Pereira".

Fotografia de Daniel Gil - Agência Lusa

Libertação de três Tartaranhões-caçadores (Circus pygargus)
16h00, Vilar Torpim, Fig. de Castelo Rodrigo
Ponto de encontro: Largo do Solar dos Saraivas, Vilar Torpim

Estas 3 aves foram recolhidas por um particular no dia 24 de Junho, durante a ceifa de um campo de cereal (local onde esta espécie constrói o ninho) em Vilar Torpim. Foram encaminhadas para os Vigilantes do PNDI e entregues no CERVAS. Verificou-se que não apresentavam quaisquer lesões. Realizaram então todo o processo de recuperação neste centro, que consistiu em alimentação para que crescessem, desenvolvimento da plumagem e treinos de voo e caça.

Esta acção contou com a presença de vários populares, incluindo as pessoas responsáveis pela recolha destas aves (na foto).

Fotografia de Daniel Gil - Agência Lusa

Espécie do mês de Julho: Tartaranhão-caçador ou Águia-caçadeira

Fêmea juvenil de tartaranhão-caçador (Circus pygargus) numa jaula de recuperação exterior

O tartaranhão-caçador (Circus pygargus), também conhecido como águia-caçadeira, é uma ave rapina diurna pertencente à família Accipitridae. Atinge 41 a 47 cm de comprimento e 100 a 116 cm de envergadura. O macho pesa entre 225 a 300 g, tem plumagem cinzenta azulada, asas muito compridas e estreitas, corpo esguio e cauda comprida e estreita de coloração negra. Pode ser facilmente confundido com o seu congénere tartaranhão-azulado, do qual se distingue por uma característica barra transversal preta nas asas e por um abdómen castanho, no caso dos machos. As fêmeas e os juvenis apresentam uma plumagem de tons castanhos arruivados, podendo as fêmeas atingir um peso entre 300 a 450 g. A fêmea adulta tem uma barra escura nas supra-alares, discernível à distância. Esta ave pode atingir uma longevidade de 16 anos.



Fêmeas juvenis de tartaranhão-caçador (Circus pygargus) numa jaula de internamento


Alimenta-se de aves, pequenos mamíferos, lagartos e insectos, caçando a 2 ou 3 metros do solo contornando o relevo do terreno.

Pode ser observada em voo leve, elegante e pausado, rente ao solo nas planícies e planaltos. Executa voos malabaristas nas suas elaboradas paradas nupciais em voo, sendo considerado um virtuoso acrobata, justificando plenamente o nome que Lineu lhe atribuiu, Circus. Habitualmente é silenciosa, sendo que o chamamento nupcial é um pio rápido e repetido de tonalidade aguda.

Reproduz-se em planícies descampadas, pântanos de terras baixas, searas, terrenos baldios entre campos de cultivo e urzais. Em zonas de estuário e em dunas costeiras poderá nidificar em sapais e em vegetação dunar, respectivamente.
Os seus ninhos, de 20 a 40 cm de diâmetro, são construídos no chão, muitas vezes no meio das searas. A postura consiste em 3 a 5 ovos, incubados pela fêmea durante 4 semanas. Os juvenis são capazes de voar ao fim de 35 dias.


Cria de tartaranhão-caçador (Circus pygargus)


A águia-caçadeira reproduz-se na Eurásia e norte de África, desde a Península Ibérica e Marrocos até cerca do paralelo 60, no sul da Sibéria e Ásia norte-central. Sendo nidificante estival, está presente no nosso país a partir de meados de Março até Setembro, migrando para a África subsariana, (principalmente Sudão, Etiópia e África do Leste e sub-continente indiano). Em Portugal ocorre em grande parte do território nacional, de norte a sul, em particular na metade este do país, acompanhando a distribuição dos terrenos abertos com searas nas planícies do Alentejo e os planaltos serranos do centro-leste e norte. Está praticamente ausente de grande parte do oeste do país e do Algarve.

Considerada pelo ICNB como uma espécie "em perigo", de entre os factores que mais ameaçam esta espécie contam-se o abandono e declínio rápido da cerealicultura extensiva; a elevada mortalidade de ovos e crias, provocada pela maquinaria agrícola durante a ceifa e por predadores naturais (raposa, corvídeos, entre outros). Estes factores tendem a baixar consideravelmente a produtividade das populações que nidificam em terras de cereais praganosos.

Plumoteca e Banco de Penas

As aves são o grupo de animais que mais frequentemente ingressa num Centro de Recuperação por diversas causas, destacando-se os atropelamentos, colisões, tiros, cativeiro ilegal, intoxicações, debilidade ou subnutrição. Para além das feridas, fracturas de membros, luxações ou deslocações associadas às causas de ingresso referidas, muitas aves apresentam penas quebradas ou muito danificadas. Por outro lado, a permanência em cativeiro gera novas lesões e problemas na plumagem associados ao stress e ao tipo de espaços em que os animais são instalados.

Açor (Accipiter gentilis) com as penas primárias e rectrizes danificadas devido a cativeiro ilegal

O tempo de recuperação de uma ave num Centro de Recuperação depende das condições fisicas que esta apresenta no ingresso e da capacidade de minimizar os novos problemas que podem surgir. Por isso, quando uma ave apresenta penas danificadas, o tempo de recuperação poderá ser mais prolongado uma vez que será necessário aguardar pela muda natural das penas. Muitas aves passam por mudas anuais, substituindo as tectrizes de uma forma mais ou menos gradual.

A época de muda depende de diversos factores e difere de espécie para espécie. Geralmente ocorrem duas vezes por ano: muda completa após a nidificação e parcial antes desta, podendo haver substituições mais frequentes ao longo do ano.

A primeira plumagem (após a penugem de pós-eclosão) designa-se por juvenil ou imatura. Uma ave é considerada imatura até mudar a segunda série de penas das asas. As aves que mudam duas vezes antes de substituirem as penas das asas designam-se juvenis outonais ou juvenis invernais. A plumagem adulta tem a coloração completa. A ave adulta pode ter mais do que uma plumagem distinta por ano, designadas por adulta de Inverno (Outono) ou adulta de Verão (Primavera). Em algumas espécies a plumagem adulta é precedida por uma série variável de camadas sub-adultas.

Enxerto de penas (Imping):
O enxerto de penas é uma técnica tradicional desenvovida pela Falcoaria, que permite substituir as penas quebradas de uma ave por penas em bom estado recolhidas de outra ave morta ou irrecuperável. Em situações de emergência poderão ser usadas penas de espécies diferentes no enxerto mas essa situação deverá ser evitada ao máximo.
O enxerto de penas pode também ser utilizado na marcação de aves para pesquisa científica, substituindo uma pena da ave por outra marcada (com coloração diferente, por exemplo).

Método: O animal deve ser anestesiado para poder ser manipulado correctamente. De seguida, a pena danificada deve ser cortada um pouco acima da base. Após uma análise cuidadosa da pena de reposição e certificando-se de que esta se encontra limpa e sem quebras, deve-se cortar a pena, com um corte limpo, no mesmo local onde se cortou a danificada. Seguidamente introduz-se na parte oca da pena um pequeno palito ou um pedaço de bambu (usado preferencialmente devido à sua flexibilidade e leveza) com Araldite (ou uma cola semelhante) e orienta-se a pena de reposição de modo a que esta fique perfeitamente adaptada à asa. Por fim une-se a pena de reposição à asa com cola (tendo o cuidado de proteger as restantes penas da ave para nao sujar com a cola), ajusta-se a pena na posição definitiva e deixa-se secar. Caso se use uma cola-tudo com tempo de secagem muito rápido a pena deve ser introduzida já na sua posição definitiva de modo a evitar erros graves que dificultem o voo da ave.

Imping de penas primárias numa coruja-das-torres (Tyto alba)

Importância de um Banco de Penas:
O acesso a um banco de penas revela-se importante para um Centro de Recuperação pois permite efectuar enxertos nas penas das aves que deles necessitem. A reparação manual das penas danificadas acelera o processo de recuperação da ave, que pode treinar o voo mais cedo do que se aguardasse a época de muda natural. Assim evita-se uma permanência prolongada da ave no Centro e consequente contacto com humanos (evitando assim a impregnação ou domesticação), bem como situações de stress que podem gerar problemas de doenças associados à permanência no Centro. Quando a ave apresenta uma pena quebrada, fica uma lacuna na asa ou cauda, tornando as penas mais próximas da lacuna mais frágeis e sujeitas a quebras. Por tal, as penas quebradas devem ser substituidas o mais rápido possível.

O banco deverá estar organizado por espécie, sexo e idade e cada pena deverá estar identificada e numerada de acordo com a sua posição no corpo. As penas para a elaboração de bancos são recolhidas de animais mortos.

Recolha de penas de uma águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)

Método: Recolhem-se as penas Primárias, Secundárias e Rectrizes da ave e numera-se individualmente cada pena. Para uma melhor organização, colam-se as penas numa tira adesiva (uma tira para as secundárias do lado direito, outra tira para as primárias do lado direito, e assim sucessivamente). Por fim, guardam-se as tiras num saco ou envelope identificado e armazenam-se num congelador ou arca frigorífica tendo o cuidado de não dobrar as penas.

Importância de uma Plumoteca:
Uma plumoteca consiste numa colecção de penas, devidamente organizada por espécie, sexo e idade dos animais. A elaboração de uma plumoteca pressupõe um bom conhecimento da morfologia e das caracteristicas que distinguem cada espécie.
A existência de uma plumoteca num Centro de Recuperação é importante pois permite uma melhor identificação da espécie dos animais que chegam ao centro, assim como a determinação da idade e do sexo do animal por comparação com as penas arquivadas. Uma plumoteca torna-se de extrema importância na identificação de animais recebidos em elevado estado de decomposição (penas e ossos).
Sendo a plumoteca digital, torna-se muito ítil por questões de espaço e organização. Também facilita a consulta e a partilha com outros Centros de Recuperação.

Para a elaboração de uma plumoteca são recolhidas penas de vários locais do corpo da ave: cabeça, pescoço, manto, dorso, coberturas supracaudais, coberturas infracaudais, abdómen, peito, escapulares, alula, coberturas primárias, coberturas secundárias (pequenas, médias e grandes), coberturas subalares, primárias, secundárias e rectrizes.

Penas secundárias de um peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus)


Método: Recolhem-se e identificam-se as penas individualmente, tendo o cuidado de recolher diferentes exemplares de cada categoria. No caso das primárias, secundárias e rectrizes, recolhe-se todo o conjunto de penas e cola-se numa tira adesiva, devidamente identificadas e numeradas. Posteriormente digitaliza-se cada exemplar e organiza-se uma base de dados informática com o maior número possivel de caracteristicas de cada ave utilizada (idade, sexo, proveniência, etc).

Alula de uma coruja-do-nabal (Asio flammeus)

Fábia Azevedo, Bióloga