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A mostrar mensagens de Junho, 2010

Saída de Campo: Flora Ameaçada do PN Serra da Estrela

No passado dia 20 de Junho teve lugar uma saída de campo para a observação da flora característica da Serra da Estrela. A saída decorreu de acordo com um itinerário pré-definido, de forma a contemplar uma variedade de habitats com diferentes características. A Serra da Estrela alberga um precioso coberto vegetal, onde se encontram reunidos muitos dos elementos característicos de várias regiões do país numa combinação única, acrescentando-lhe ainda algumas riquezas próprias.

Foto 1: Bosque de carvalho-negral (Quercus pyrenaica)

O ponto de encontro para o início da saída foi na delegação do PN Serra da Estrela em Gouveia e estiveram presentes 14 pessoas. Seguiu-se então para o primeiro ponto de paragem, um bosque de carvalho-negral (Quercus pyrenaica) entre Linhares e Prados onde se começou por observar uma variedade de espécies características destes bosques e das suas orlas, como por exemplo a dedaleira (Digitalis purpurea), os cardos (Carduus platypus, Carduus tenuiflorus e Cirsium palustre), os Ranunculus sp., a Linaria triornithophora, e Prunella grandiflora, entre outras espécies.

Foto 2: Flor de Linaria triornithophora.

Já em Prados (Videmonte), foram visitados os lameiros característicos desta região, de forma a mostrar e a perceber a importância do ambiente rural e das técnicas da agricultura tradicional para a conservação da biodiversidade. A longa história do uso tradicional destes terrenos produziu uma elevada diversidade de espécies. Ao longo do tempo esta diversidade de plantas diferentes invadiu este biótopo, o que atraiu muitos tipos de insectos, que por sua vez atraem uma grande diversidade de aves insectívoras. Nestes lameiros podemos encontrar um conjunto vasto de gramíneas, e de outras plantas como por exemplo a Parasidea lusitanica, Serapias sp., Pedicularis lusitanica, e Scilla ramburei. Numa época diferente do ano, finais de Abril, início de Maio, é possível ver estes lameiros cobertos de narcisos (Narcissus sp.), que formam um manto amarelo muito bonito.

Foto 3: Flor de serapião-de-flores-grandes (Serapias cordigera)

Seguiu-se para Famalicão, e realizou-se um pequeno percurso pedestre num souto, onde se observou um conjunto de plantas muito interessantes características de bosques de folhosas como é o caso de Genista falcata que é uma planta que se costuma encontrar perto de castanheiros (Castanea sativa). O clima que se sente dentro do souto, muito fresco e com sombra, permite o crescimento de algumas plantas, como por exemplo, as paónias (Paeonia sp.) e a rosa-de-cão (Rosa canina).

Seguimos em direcção ao Sameiro, e paramos junto a uma ribeira para almoçar. Esta é uma zona muito quente, caracterizada por alguma vegetação de clima mediterrânico. Predominam as azinheiras (Quercus rotundifolia) formando pequenos bosquetes denominados de azinhais. Ao longo da estrada foi possível observar plantas características das zonas rupícolas como é exemplo a bela-luz (Thymus mastichina).

Foto 4: Azinheira (Quercus rotundifolia).

Após o almoço seguiu-se em direcção à torre pela estrada que percorre o vale do Zêzere, até um bosquete de teixos (Taxus baccata) no seio de um vidoal (Betula celtiberica) junto ao Covão da Ametade. Na Serra da Estrela restam poucos indivíduos espontâneos de teixo, sendo uma das espécies arbustivas/arbóreas mais ameaçadas da serra. É uma árvore que encontra as suas condições óptimas de crescimento em encostas húmidas, principalmente ao longo de ribeiros.

Foto 5: Teixo (Taxus baccata)

A paragem seguinte foi na Nave de Santo António, para observar um cervunal, pastagens de montanha relativamente pobres em espécies e dominadas pelo cervum (Nardus stricta) que se encontra bem adaptado ao pastoreio e ao pisoteio.
Na Senhora da Estrela fez-se uma paragem para observar comunidades rupícolas e prados cuminais xerofíticos, que se caracterizam pela presença de Festuca summilusitana.

Para observar as turfeiras e os zimbrais parou-se na zona das Salgadeiras e Fonte dos Perús. O zimbro-rasteiro (Juniperus communis subsp. alpina) está amplamente distribuído nesta zona. Este mato é acompanhado na maioria das vezes por urze-branca (Erica arborea), e ocasionalmente por outras espécies arbustivas. As espécies características são Deschampsia flexuosa subsp. iberica, piorneira-da-estrela (Cytisus oromediterraneus), arando (Vaccinium myrtillus), licopódio-da-estrela (Lycopodium clavatum) e algumas briófitas. Os zimbrais-rasteiros albergam um grande número de plantas que se reproduzem por esporos e plantas epífitas.

Foto 6: Lameiros de Prados.

A paragem seguinte seria a Lagoa Comprida para visitar o Lagoacho das Favas, no entanto o tempo já era escasso, pelo que se optou para deixar esta visita para uma próxima saída. No final tudo correu como previsto, e ao longo do dia observaram-se dezenas de espécies características de diversos habitats do PN Serra da Estrela.

Algumas espécies de plantas observadas por habitat:

Bosque de carvalho-negral (Quercus pyrenaica) e sua orla:
  • Leucanthemum sylvaticum (bem-me-quer)
  • Linaria triornithophora (esporas-bravas)
  • Centaurea sect. Paniculata
  • Polygonatum odoratum (selo-de-salomão)
  • Ruscus aculeatus (gilbardeira)
  • Asphodelus albus (abrótea)

Lameiro:
  • Ajuga pyramidalis
  • Armeria beirana
  • Caltha palustri (malmequer-dos-brejos)
  • Dactylorhiza caramulensis
  • Echium lusitanicum (soajos)
  • Montia fontana (marujinha)
  • Narcissus pseudonarcissus
  • Paradisea lusitanica
  • Pedicularis sylvatica
  • Ranunculus bulbosus (ranúnculo-bulboso)
  • Rhinanthus minor (galocrista)
  • Scilla ramburei
  • Serapias cordigera (serapião-de-flores-grandes)

Bosque de castanheiro (Castanea sativa):

  • Anthemis triunfeti
  • Aristolochia paucinervis (erva-bicha)
  • Astragalus glycyphyllus
  • Euphorbia amygdaloides
  • Lathyrus niger
  • Melica uniflora
  • Melittis melissophyllum (melissa-bastarda)
  • Orchis mascula (satirão-macho)
  • Paeonia officinalis subsp. microcarpa (rosa-de-lobo)
  • Paeonia broteroi (rosa-albardeira)
  • Poa nemoralis (poa-dos-bosques)

Bosque de azinheira (Quercus rotundifolia)
:
  • Arbutus unedo (medronheiro)
  • Dianthus lusitanus (cravinas-bravas) Thymus mastichina
  • Helichrysum stoechas (perpétua-das-areias)
  • Lavandula pedunculata (rosmaninho-maior)
  • Rosa sp.
  • Rubia peregrina (granza-brava)
  • Ruta montana (Arrudão)
Cervunal e prados cuminais xerofíticos:

  • Nardus stricta (cervum)
  • Calluna vulgaris (torga-ordinária)
  • Cytisus oromediterraneus (piorneira-da-estrela)
  • Erica arborea (urze-branca)
  • Erica australis (urze-vermelha)
  • Erica umbellata (queiró)
  • Narcissus asturiensis
  • Ranunculus nigrescens
  • Pterospartum tridentatum (carqueja)
  • Thymelaea dendrobryum
  • Viola langeana
Mato de Juniperus alpina:

  • Campanula herminii
  • Festuca henriquesii
  • Fritillaria nervosa (fritilária)
  • Gentiana lutea (argençana-dos-pastores)
  • Jasione crispa
  • Potentilla erecta (sete-em-rama)
  • Ranunculus ololeucos



O ingresso de crias

A queda do ninho é um dos motivos que mais frequentemente está associado ao ingresso de animais nos centros de recuperação de fauna selvagem, sendo que entre 2006 e 2009, no CERVAS esta foi a principal causa de ingresso de crias.

Foto 1: Cria de coruja-do-mato (Strix aluco)

Todos os anos, com a aproximação dos meses quentes de Primavera e Verão, a fauna selvagem prepara-se para cuidar da sua prole e assim garantir a perpetuação da espécie. Sendo assim, após o acasalamento os progenitores começam a procura dos locais mais seguros para se reproduzirem; no entanto os perigos são vários e são muitas as razões que podem trazer as crias destes animais para os centros de recuperação de fauna selvagem.

Pela experiência obtida no CERVAS, entre 2006 e 2009 entraram no total 146 crias de animais selvagens no centro. Os ingressos estão distribuídos entre os meses de Março e Setembro, com destaque para os meses de Maio, Junho e Julho.


Gráfico 1: Evolução anual dos ingressos de crias por mês, registados entre 2006 e 2009

Dentro das espécies que mais ingressam no centro por queda do ninho estão as aves de rapina nocturnas, em primeiro a coruja-do-mato (Strix aluco), seguida por mocho-galego (Athene noctua) e mocho-de-orelhas (Otus scops), e por último coruja-das-torres (Tyto alba) com 29, 19, 18 e 11 ingressos respectivamente entre 2006 e 2009.

Entre as rapinas diurnas a águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) ocupa o 1º lugar nos ingressos por queda de ninho. Para além disso é frequente o ingresso de outras espécies como o milhafre-preto (Milvus migrans), o gavião (Accipiter nisus), a águia-calçada (Aquila pennata) e o peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus). Noutros grupos de aves é importante referir o grupo dos ciconiformes, mais concretamente a cegonha-branca (Ciconia ciconia) e o grupo dos apodiformes, onde se agrupam os andorinhões (Apus sp.), que também representam um número significativo de ingressos enquanto crias.


Foto 2: Crias de águia-de-asa-redonda (Buteo buteo).

No caso dos mamíferos a situação é distinta, já que os hábitos destes animais são bastantes diferentes dos das aves o que se reflecte num menor número de ingressos nos centros de recuperação. Para além dos seus hábitos nocturnos, normalmente os refúgios destes animais são bastante escondidos, pelo que no caso da morte dos progenitores as crias ficam abandonadas, sendo por isso de difícil detecção. A raposa (Vulpes vulpes) é a espécie que ingressa mais frequentemente enquanto cria no CERVAS, no entanto a gineta (Genetta genetta), a fuinha (Martes foina) e o esquilo (Sciurus vulgaris), são animais que todos os anos representam uma pequena fatia das crias em recuperação no centro.

Os animais que ingressaram por queda de ninho no CERVAS entre 2006 e 2009 provêm essencialmente de zonas geograficamente próximas dos locais de acção deste centro (concelhos de Gouveia, Seia e Guarda) mas também da zona de Coimbra e Portalegre.

Gráfico 2: Distribuição geográfica por freguesia dos ingressos no CERVAS de crias de animais selvagens entre 2006 e 2009.

No sentido de diminuir a mortalidade destas crias, existe um grande esforço por parte do centro em aperfeiçoar as técnicas e os cuidados a ter com estes animais, de forma a garantir o seu crescimento e a sua sobrevivência no meio selvagem. Sendo assim quando uma cria ou juvenil de um animal selvagem ingressa num centro, é importante reduzir o contacto visual dos animais com o ser humano ao mínimo indispensável, de forma a evitar a sua domesticação. O primeiro passo deve ser avaliar se está em boa condição física e nesse caso descobrir onde foi encontrado e tentar devolvê-lo de imediato ao seu local de origem, recolocando-o no seu ninho ou toca, se as condições de segurança para a cria estiverem garantidas. Embora este fosse o procedimento ideal, só muito raramente existem as informações necessárias e as garantias de sucesso que permitam tomar essa decisão. Assim, e porque poucas vezes se conhece a proveniência exacta e a localização dos locais de reprodução, o animal deve ficar no centro.


Foto 3: Cria de coruja-das-torres (Tyto alba).

Para a sua recuperação podem ser tentadas diversas soluções, que podem passar pela tentativa de adopção por mães/pais adoptivos (geralmente animais irrecuperáveis da mesma espécie ou outra semelhante) que existam nos centros, colocá-los em conjunto com outros juvenis de idade aproximada que tenham sido também recolhidos na mesma época (mesmo que sejam provenientes de outras zonas), ou tentar alimentá-los manualmente, reduzindo sempre o contacto com humanos ao mínimo indispensável. A interacção com animais adultos da mesma espécie é de extrema importância pois vai permitir que as crias aprendam os comportamentos típicos da espécie, sendo que muitas vezes, os adultos irão começar a alimentar as crias, o que permite que o contacto com humanos seja praticamente eliminado.

Foto 4: Cria de fuinha (Martes foina).

A alimentação correcta destas crias é um factor decisivo para o sucesso da sua recuperação, sendo muito importante conhecer a biologia das espécies, já que existem alguns casos em que o alimento que as crias consomem é diferente dos adultos. Para além disso, nos centros de recuperação as crias são estimuladas a obter o alimento por elas próprias, por exemplo as aves de rapina são incentivadas a caçar, já que esta actividade é de extrema importância para a sua sobrevivência após a sua libertação para a Natureza.

Assim, quando se encontra uma cria abandonada, e se a sua devolução ao ninho ou toca não for possível, esta deve ser encaminhada para um centro de recuperação de animais selvagens o mais rapidamente possível.

Saída de Campo: As Aves do Rio Mondego - Gouveia

No passado dia 19 de Junho, efectuou-se mais uma saída de campo decicada às “Aves do Rio Mondego”, desta vez no concelho de Gouveia. Esta actividade organizada pelo CERVAS e pela D.L.C.G. – EM, contou com a presença de alguns participantes regulares, mas também de alguns membros da VORTAL, interessados na observação de aves e no trabalho realizado pelo CERVAS, que fizeram questão de participar nesta saída de campo e em visitar as instalações do centro de recuperação.

Foto 1: Visita ao CERVAS

O ponto de encontro foi às 6.30 da manha, em frente aos paços do concelho, seguindo-se depois para o primeiro ponto de observação, Ribamondego. Neste local, forma observadas e ouvidas várias espécies de aves ripícolas, entre as quais destacamos o guarda-rios (Alcedo atthis), pica-pau-malhado (Dendrocopos major) e papa-figos (Oriolus oriolus).


Daqui seguiu-se para Ponte Nova, uma localidade perto de Ribamondego, onde se conseguiram observar várias espécies de andorinhas, entre as quais andorinha-das-rochas (Ptyonoprogne rupestris), andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica), andorinha-dáurica (Cecropis daurica) e andorinha-dos-beirais (Delichon urbicum). Neste ponto foi também possível observar várias espécies de pardais, entre os quais pardal-comum (Passer domesticus), pardal-espanhol (Passer hispaniolensis) e pardal-francês (Petronia petronia). Registou-se também uma observação, que durou alguns minutos, de melro-azul (Monticola solitarius), espécie habitual neste local.

Durante a hora de maior calor, efectuou-se o pic-nic na área do Parque Ecológico de Gouveia, seguindo-se depois para o CERVAS, para a visita programada.


Após a visita, a saída de campo prosseguiu, desta vez montanha acima, sem nunca perder o rio de vista (a nascente do rio Mondego era o objectivo). Perto do Vale do Rossim, observou-se mais uma espécie, o cruza-bico (Loxia curvirostra) não muito comum nesta altura do ano.

Foto 2: Cruza-bicos (Loxia curvirostra)

Nesta saída de campo participaram 16 pessoas, que tiveram a oportunidade de observar e ouvir 64 espécies diferentes de aves.

  • Milvus migrans (Milhafre-preto)
  • Circus pygargus (Águia-caçadeira)
  • Accipiter nisus (Gavião)
  • Buteo buteo (Águia-d’asa-redonda)
  • Aquila pennata (Águia-calçada)
  • Alectoris rufa (Perdiz)
  • Columba livia (Pombo-das-rochas domest.)
  • Columba palumbus (Pombo-torcaz)
  • Streptopelia decaocto (Rola-turca)
  • Streptopelia turtur (Rola-brava)
  • Cuculus canorus (Cuco)
  • Otus scops (Mocho-pequeno-d’orelhas)
  • Athene noctua (Mocho-galego)
  • Strix aluco (Coruja-do-mato)
  • Apus apus (Andorinhão-preto)
  • Alcedo atthis (Guarda-rios)
  • Merops apiaster (Abelharuco)
  • Upupa epops (Poupa)
  • Dendrocopos major (Pica-pau-malhado)
  • Galerida cristata (Cotovia-de-poupa)
  • Lullula arborea (Cotovia-dos-bosques)
  • Alauda arvensis (Laverca)
  • Ptyonoprogne rupestris (Andorinha-das-rochas)
  • Hirundo rustica (Andorinha-das-chaminés)
  • Cecropis daurica (Andorinha-dáurica)
  • Delichon urbicum (Andorinha-dos-beirais)
  • Motacilla cinerea (Alvéola-cinzenta)
  • Motacilla alba (Alvéola-branca)
  • Troglodytes troglodytes (Carriça)
  • Prunella modularis (Ferreirinha)
  • Erithacus rubecula (Pisco-de-peito-ruivo)
  • Luscinia megarhynchos (Rouxinol)
  • Phoenicurus ochruros (Rabirruivo)
  • Saxicola torquatus (Cartaxo)
  • Monticola solitarius (Melro-azul)
  • Turdus merula (Melro)
  • Cettia cetti (Rouxinol-bravo)
  • Hippopais polyglotta (Felosa-poliglota)
  • Sylvia communis (Papa-amoras)
  • Sylvia atricapilla (Toutinegra-de-barrete)
  • Phylloscopus bonelli (Felosa-de-papo-branco)
  • Phylloscopus ibericus (Felosinha-ibérica)
  • Regulus ignicapilla (Estrelinha-real)
  • Aegithalos caudatus (Chapim-rabilongo)
  • Lophophanes cristatus (Chapim-de-poupa)
  • Periparus ater (Chapim-carvoeiro)
  • Parus major (Chapim-real)
  • Sitta europaea (Trepadeira-azul)
  • Certhia brachydactyla (Trepadeira)
  • Oriolus oriolus (Papa-figos)
  • Lanius senator (Picanço-barreteiro)
  • Garrulus glandarius (Gaio)
  • Corvus corone (Gralha-preta)
  • Sturnus unicolor (Estorninho-preto)
  • Passer domesticus (Pardal-comum)
  • Passer hispaniolensis (Pardal-espanhol)
  • Petronia petronia (Pardal-francês)
  • Fringilla coelebs (Tentilhão)
  • Serinus serinus (Milheirinha)
  • Chloris chloris (Verdilhão)
  • Carduelis carduelis (Pintassilgo)
  • Loxia curvirostra (Cruza-bico)
  • Emberiza cia (Cia)
  • Miliaria calandra (Trigueirão)

Libertação: 18 de Junho de 2010

18 de Junho de 2010, Sexta-feira
Libertação de duas corujas-das-torres (Tyto alba)
20:30 Vacariça, Mealhada


Estas aves foram encontradas no final do mês de Abril, por um particular, dentro de uma habitação, na freguesia do Botão, Coimbra. Os animais foram recolhidos por funcionários da Reserva Natural do Paúl de Arzila, que os encaminharam para o CERVAS. O processo de recuperação para estas aves envolveu a alimentação para que os animais adquirissem o peso ideal e houvesse um normal desenvolvimento da plumagem. Foram também colocadas em contacto com animais da mesma espécie para que pudessem adquirir comportamentos típicos da espécie e ainda treinos de voo e de caça.


A sua devolução à natureza decorreu num local próximo da sua origem, na presença de cerca de 15 pessoas, na sua maioria habitantes da localidade e que baptizaram as duas aves de "Saramago" e "Vacariça".

Saída de Campo: Ecossistemas de Montanha


Centro de Educação Ambiental de Folgosinho, Gouveia
11 de Julho

A Serra da Estrela é uma montanha com características únicas em Portugal continental. Atingindo os 1991 metros de altitude, é um local de eleição para quem quer observar e desfrutar dos vários tipos de ecossistemas, distribuídos ao longo de vários patamares de altitude.
Nesta saída de campo iremos ter oportunidade de visitar e explorar os ecossistemas de montanha da zona de Folgosinho, acompanhados por José Conde, técnico do CISE (Centro de Interpretação da Serra da Estrela).

A participação nesta saída de campo é gratuita e aberta a todos os interessados.

Os participantes devem vir munidos de:
  • Água
  • Merenda
  • Calçado e roupa confortável
  • Protector solar
  • Guias de campo (opcional)
  • Binóculos (opcional)

O ponto de encontro será as 7.30 no Largo de Viriato, junto ao restaurante “O Albertino”.


Sobre o nosso convidado: José Conde é licenciado em Biologia, ramo científico, variante de Zoologia, pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Actualmente, exerce funções de Técnico Superior no Centro de Interpretação da Serra da Estrela, Município de Seia, onde desenvolve trabalho a nível da educação e interpretação ambientais e apoio a projectos científicos, que se realizam na área do Parque Natural da Serra da Estrela.

Informações e inscrições através do e-mail: cervas.pnse@gmail.com

Libertação: 16 de Junho de 2010

16 de Junho de 2010, Quarta-feira
Libertação de três Corujas-das-torres (Tyto alba)
20:30 - Larçã, Botão (Coimbra)




Estas aves, todas da mesma ninhada, foram encontradas no final do mês de Abril, por um particular, dentro de uma habitação, na freguesia do Botão, Coimbra. Os animais foram recolhidos por funcionários da Reserva Natural do Paúl de Arzila, que os encaminharam para o CERVAS. O processo de recuperação para estas aves envolveu a alimentação para que os animais adquirissem o peso ideal e houvesse um normal desenvolvimento da plumagem. Foram também colocadas em contacto com animais da mesma espécie para que pudessem adquirir comportamentos típicos da espécie e ainda treinos de voo e de caça.





Na devolução à Natureza das três Corujas-das-torres estiverem presentes cerca de 15 pessoas, populares de Larça. As corujas foram baptizadas com seguintes nomes: Princesa, Ronaldo e Larçã.


Espécie do mês de Junho: Abutre-preto

O abutre-preto (Aegypius monachus) é uma ave de rapina muito grande que pode atingir os 2,85m de envergadura, sendo a 2ª maior ave de rapina do Mundo. O indivíduo adulto apresenta coberturas da face inferior das asas não uniformemente escuras e a pelagem da cabeça e da gola é acastanhada enquanto que o juvenil possui coberturas da face inferior das asas homogeneamente pretas, mais escuras que as penas de voo, e a pelagem da cabeça e da gola também de cor preta (adquire a coloração de adulto ao fim de cerca de 6 anos). Possui asas largas com “dedos” muito compridos, cauda curta, redonda ou ligeiramente cuneiforme e patas com uma coloração que varia entre o branco azulado, rosado ou amarelado.


É uma espécie que se reproduz tanto em regiões montanhosas como em grandes florestas de terras baixas com colinas e afloramentos rochosos, nidificando quase sempre em árvores, em grandes ninhos feitos de ramos e pequenos galhos, de forma isolada ou em pequenas colónias, com ninhos dispersos de forma desorganizada. A postura é de apenas um ovo e ocorre entre Fevereiro e Março. É uma espécie monogâmica e ambos os progenitores cuidam e alimentam a cria.

Esta ave apresenta hábitos necrófagos, alimentando-se de carcaças de grande e médio porte, rasgando a pele e músculos com o seu poderoso bico. Alimenta-se em zonas vastas de cerealicultura e pastoreio extensivo e também em zonas de mato não muito denso, sozinho ou em pequenos grupos, podendo regressar à mesma carcaça durante vários dias, e só muito raramente captura presas vivas.



Na Europa, existem apenas 1000 casais, a maior parte destes em Espanha. A sua área de ocorrência regular no nosso país restringe-se a uma faixa muito estreita na zona fronteiriça do Alentejo e Beira Baixa (Tejo Internacional). Esta espécie foi classificada pelo ICNB em 2005 como “Criticamente em perigo” pois apresenta uma população extremamente reduzida em Portugal. Após um longo período sem nidificar em território nacional, durante este ano foram registados os 2 primeiros casos de reprodução da espécie, algo que não acontecia desde a década de 70. Poderá ver 2 reportagens sobre a nidificação do abutre-preto em Portugal, emitidas pela SIC, aqui e aqui.

As principais ameaças a esta espécie são: uso de iscos envenenados para controlo de predadores de espécies pecuárias e cinegéticas, redução da disponibilidade trófica devido ao cumprimento das exigências higieno-sanitárias, diminuição do aproveitamento pecuário extensivo, dificuldades de funcionamento dos “alimentadores artificiais de necrófagos”, a perturbação humana, a colisão e electrocussão, o abate ilegal, a degradação de habitats de alimentação e a instalação de parques eólicos e infra-estruturas hidráulicas.


Uma nota final: o abutre-preto que se encontra em recuperação no CERVAS desde o final de 2007, irá finalmente deixar este centro. Este animal sofreu uma electrocussão grave, que levou a queimaduras muito extensas na zona da asa e que desde então impediram o correcto crescimento das penas secundárias, tornando-o assim num animal irrecuperável. O "Aloe", nome que carinhosamente lhe foi dado pelos colaboradores do CERVAS, irá ser transferido para o CERAS - Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens, em Castelo Branco, onde irá apoiar a recuperação de um animal da mesma espécie que esteve em cativeiro ilegal e onde irá aguardar pela transferência para Espanha para integrar um programa de reprodução em cativeiro desta espécie.



Curso de Iniciação à Ilustração Científica a Preto e Branco

Realizou-se entre os dias 10 e 13 de Junho de 2010 em Gouveia um curso de Iniciação à Ilustração Científica a Preto & Branco organizado pelo Projecto BARN do CERVAS. Esta actividade tinha como objectivo iniciar os participantes na ilustração científica, tendo abordado algumas técnicas como esboço de campo e ilustração a tinta. O curso contou com a presença de 10 participantes e teve a orientação da formadora Davina Falcão.

Agradecemos mais uma vez a colaboração da STAEDTLER na realização deste curso, bem como o apoio das Águas Serra da Estrela, Câmara Municipal de Gouveia/D.L.C.G,. Agrupamento de Escolas de Gouveia e PNSE/ICNB.






O CERVAS na Feira do Vinho e da Vinha

O CERVAS estará representado na Feira do Vinho e da Vinha, no âmbito da parceria entre a Associação ALDEIA e a Vinicola Castelar.


O evento decorre até próximo dia 20 de Junho, na cidade de Anadia e servirá também para a apresentação ao público de uma nova garrafa comemorativa do trabalho do CERVAS, em que parte dos lucros gerados pela venda desta série muito limitada reverterão para o trabalho deste centro.


Este produto poderá ser adquirido directamente à Vinicola Castelar, sendo que alguns exemplares estarão à venda nas próximas actividades da ALDEIA.



Libertação: 11 de Junho de 2010

11 de Junho de 2010, Sexta-feira
Libertação de um milhafre-preto (Milvus migrans)
11:30 Praia Fluvial de Pereira, Montemor-o-Velho


Esta ave ingressou no CERVAS a 23 de Abril de 2010, após ter sido recolhida pela Equipa do SEPNA de Cantanhede, na localidade de Ançã, em Cantanhede, tendo o seu transporte até ao CERVAS sido realizado através da Reserva Natural do Paul de Arzila. Na altura do seu ingresso verificou-se que esta ave apresentava alguns comportamentos compativeis com cativeiro ilegal, apesar de ter sido encontrado em ambiente selvagem. O seu processo de recuperação consistiu em treinos de voo e de caça e no contacto com individuos da mesma espécie.


Na sua devolução à Natureza estiveram presentes cerca de 35 pessoas, na sua maioria crianças da Escola Básica Integrada de Pereira, mas também representantes da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, da Cruz Vermelha e da Escola Universitária Vasco da Gama. A ave foi baptizada pelos presentes com o nome "Camões". Esta acção foi precedida de uma breve palestra, realizada na Escola Básica Integrada de Pereira, acerca do trabalho dos centros de recuperação de fauna selvagem.



Oficinas de Introdução ao Estudo de Aves de Rapina Nocturnas

O CERVAS realizou no passado dia 7 de Junho de 2010 uma oficina de "Introdução ao Estudo de Aves de Rapina Nocturnas" no Centro Cultural de Celorico da Beira.
Esta oficina, organizada pelo CERVAS em parceria com a Câmara Municipal de Celorico da Beira, contou com a presença de duas turmas da Escola Secundária Sacadura Cabral de Celorico da Beira e tinha como objectivo aumentar o conhecimento sobre a identificação e biologia de aves de rapina nocturnas, bem como dar a conhecer alguns projectos de conservação destas espécies em Portugal e na Europa. Para além da palestra realizada da parte da manhã, foi realizada durante a tarde do mesmo dia uma acção de campo demostrativa de vários desenhos de caixas-ninho não só para aves de rapina nocturnas mas também para outras aves.


Saída de Campo: Indícios de Mesomamíferos da Serra da Estrela

Centro de Educação Ambiental de Folgosinho, Gouveia
3 de Julho

Os mamíferos são um grupo de animais bastante particular em estado selvagem. Ao contrário das aves, estes raramente se deixam ver e apresentam hábitos nocturnos ou crepusculares. Por estes motivos algumas espécies deste grupo de animais são muito pouco conhecidas, desconhecendo-se por vezes os seus efectivos em estado selvagem. O objectivo desta saída de campo não se prende com a observação directa de mamíferos, sendo o seu principal foco a observação e identificação dos vários indícios de presença destes animais, que se encontram no campo. Para guiar esta saída de campo, iremos contar com o formador Pedro Pereira, aluno de mestrado do departamento de Biologia da Universidade de Aveiro.

Os participantes devem vir munidos de:
  • Água
  • Merenda
  • Calçado e roupa confortável
  • Protector solar
  • Guia de campo (opcional)

O ponto de encontro será as 8.30 no Largo de Viriato, junto ao restaurante “O Albertino”, em Folgosinho.

Esta actividade é gratuita e aberta a todos os interessados. Para mais informações e inscrições contacte: cervas.pnse@gmail.com ou parque.ecologico@dlcg.pt

Libertação: 1 de Junho de 2010

1 de Junho de 2010, Terça-feira
Libertação de um milhafre-preto (Milvus migrans)
13:00 Parque da Senhora dos Verdes, Cativelos, Gouveia

Esta ave ingressou no CERVAS a 8 de Abril de 2008, após ter sido apreendida a um particular que a mantinha em cativeiro ilegal. Na altura do seu ingresso no CERVAS, verificou-se a existência de comportamentos típicos de um animal domesticado e o seu processo de recuperação consistiu essencialmente no contacto com animais da mesma espécie para que pudesse re-aprender os comportamentos típicos da sua espécie, bem como treinos de voo e de caça.


Esta devolução à Natureza foi integrada nas comemorações do Dia Mundial da Criança e foi realizada na presença das crianças do Ensino Pré-Escolar e do 1º Ciclo do concelho de Gouveia (que apadrinharam a ave com o nome de "Sábio"), bem como de representantes do poder local, dos Bombeiros Voluntários, da GNR e de diversas associações locais.


Para além desta libertação, o CERVAS esteve presente neste evento com um pequeno atelier sobre a construção de comedouros para passeriformes com recurso a técnicas e materiais simples.