domingo, 16 de março de 2014

Espécie do mês de Março: Corvo



O Corvo (Corvus corax) é o maior passeriforme existente no nosso país, possuindo um tamanho semelhante ao de uma águia-de-asa-redonda (Buteo buteo). 

Muitas vezes confundido com a gralha-preta (Corvus corone), o corvo apresenta um bico enorme e uma cauda comprida em forma de cunha, e as penas do pescoço muitas vezes apresentam um aspecto hirsuto. 


Este grande passeriforme emite sons roucos e profundos e possui um voo poderoso, com batimentos de asas regulares, planando frequentemente a diversas altitudes e executando muitas vezes acrobacias aéreas.


O corvo é uma espécie residente no nosso país, que ocorre em baixas densidades na sua área de distribuição, mas localmente pode ser relativamente numeroso. Distribui-se de norte a sul do país sendo no entanto mais abundante no interior e estando ausente em muitas regiões, sobretudo ao longo da faixa litoral. O corvo é uma espécie que ocorre frequentemente em zonas montanhosas, sendo observado com alguma regularidade no planalto da Torre, na serra da Estrela, a mais de 1800 m de altitude.

O habitat do corvo parece estar mais associado a locais com ausência de perturbação humana do que a características específicas de clima, vegetação ou do uso do solo. O corvo é uma espécie tímida, encontrando-se em zonas pouco visitadas e com povoamento humano disperso, sendo escasso onde existam povoamentos florestais extensos e densos, de pinheiros e eucaliptos.


O corvo constrói os seus ninhos em fragas na montanha ou escarpas de vales fluviais, estando por isso associado a este tipo de habitat. No sul, o corvo também coloniza áreas desprovidas de zonas rochosas, nidificando também em árvores e pode ainda crias em estruturas construídas como postes de condução de electricidade ou em torres de minas desactivadas. Um mesmo casal pode possuir vários ninhos no seu território, que utilizam de forma alternada. As paradas nupciais iniciam-se em finais de Fevereiro e as posturas podem ocorrer entre meados de Março e meados de Abril, podendo ser observados entre 3 e 5 ovos, durando a incubação 18-21-dias. As crias de corvo abandonam o ninho quando têm cerca de 45 dias de idade, acontecendo, normalmente, no final do mês de Maio.

A dieta do corvo é constituída por matéria animal e vegetal, sendo consumida de uma forma oportunista, incluindo carne de cadáveres e de presas que são capturadas e mortas por intermédio do seu poderoso bico. Esta ave pode ser também frequentemente observada a alimentar-se em aterros sanitários e lixeiras.

Bibliografia: 
- Bruun B., Svensson H. 2002. Aves de Portugal e Europa. Guias FAPAS. ISNB:972-95951-0-0
- Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.

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