quarta-feira, 22 de junho de 2011

Espécie do mês de Junho: Melro-preto

Fotografia: Bruno Martins

O melro-preto – Turdus merula, Linnaeus, 1758 – é uma espécie comum nas zonas verdes da generalidade das localidades do nosso país. Os machos são facilmente identificados pela sua plumagem preta, bico alaranjado e a auréola amarelada em torno do olho. As fêmeas e os juvenis são acastanhados, com algumas riscas ténues, e, embora possam ser confundidos com o estorninho-preto, a plumagem dos melros é mate e a dos estorninhos é brilhante. Tanto o macho como a fêmea possuem patas e cauda compridas (1).

Fotografia: Gonçalo Costa

Em Portugal, o melro-preto é uma espécie residente muito comum, ainda que ocorram alguns indivíduos invernantes, e existe apenas a subespécie nominal (Turdus merula merula) (2). Distribui-se por toda a Europa de climas temperados, Rússia, Turquia, norte do Irão e China, podendo ser residente ou migratória (3). Encontra-se em toda a extensão do território nacional e frequenta todo o tipo de habitats florestais, embora seja escasso em eucaliptais extensos e pinhais contínuos e sem sub-bosque, e nas zonas mais áridas do nosso país, como por exemplo nas planícies mais abertas do Baixo Alentejo (2).

Começa a ouvir-se com regularidade em princípios de Fevereiro, mas é mais frequente ouvir-se o seu canto com regularidade de inícios de Março até Junho, embora os jovens machos possam começar a cantar mais cedo, com objectivo de estabelecer território. Durante o Verão os melros-pretos são mais silenciosos, mas no Outono é possível ouvir alguns machos a cantar (2, 4).

Alimenta-se principalmente de insectos e minhocas, que captura no solo ou na vegetação baixa, e no Outono e Inverno a sua dieta é maioritariamente composta por frutos e bagas diversas (2).

Fotografia: Bruno Martins

No início de Março inicia-se o acasalamento e o macho atrai a fêmea com uma exibição de corte. Depois de encontrarem o local para a construção do ninho, geralmente em árvores ou arbustos, a uma altura que varia de 1 a 4 metros do solo, é a fêmea que faz a maioria do trabalho de construção. O resultado final é um ninho em forma de taça com ervas ou pequenos galhos e geralmente forrado com lama, que pode demorar duas semanas a estar completo e até ser usado por mais do que uma ninhada (2, 5).

A época de nidificação é determinada pelas condições meteorológicas (2), começando normalmente no início de Março e durando até ao final de Julho. Os melros-pretos criam regularmente duas ou três ninhadas por ano, mas num ano favorável podem realizar quatro posturas e criar quatro ninhadas, não sendo assim de estranhar que se encontrem crias nos ninhos no mês de Agosto (2, 5).


As posturas têm entre 3 e 5 ovos que são incubados durante 12 a 14 dias. Apenas a fêmea é responsável pela incubação, mas depois da eclosão, ambos os progenitores alimentam as crias. Treze ou catorze dias depois da eclosão, as crias estão prontas para sair do ninho, mas se este for perturbado, poderão sair e sobreviver com apenas 9 dias de idade. São alimentadas com minhocas e larvas de borboleta, dependendo da zona de nidificação. Quando saem do ninho não voam, mas aprendem no prazo de uma semana (2, 5).

Por norma, os melros não atingem idades superiores a 3 ou 4 anos. A mortalidade dos adultos é particularmente acentuada na época de crias, durante a qual passam a maioria do tempo a procurar alimento. Morrem devido a doenças e até mesmo de fome, mas são também ameaçadas pelo tráfico, por acidentes (colisão com janelas ou outras estruturas humanas), pelos próprios predadores e, em ambiente urbano e suburbano, pelos animais domésticos, especialmente gatos (5), estas são igualmente as principais causas de ingresso desta espécie no CERVAS, verificando-se igualmente as quedas do ninho e o cativeiro ilegal.


Bibliografia

(1) Aves de Portugal: Turdus merula, consultado em http://www.avesdeportugal.info/turmer.html, a 30-05-2011.
(2) Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.
(3) ARKive – Turdus merula, consultado em http://www.arkive.org/blackbird/turdus-merula/ , a 1 de Junho de 2011.
(4) Snow, David. A Study of Blackbirds. Londres: British Museum (Natural History), 1988. ISBN 0-7136-3940-7
(5) Blackbird. The Royal Society for the Protection of Birds, consultado em http://www.rspb.org.uk/wildlife/birdguide/name/b/blackbird/nesting.aspx , a 30-05-2011.







4 comentários:

Anónimo disse...

E são estes animais magníficos que querem deixar caçar a partir de novembro??? Temos de fazer alguma coisa para evitar isso!
Se o cativeiro é ilegal - e muito bem! - caçá-los, a tiro ou de outra forma qualquer, também devia ser.
Gostava de saber de quem terá sido a ideia tão "brilhante"? Provavelmente algum produtor de fruta incomodado...
Haja vergonha, senhores!

sobralfilho disse...

Descobri este site por mero acaso ao tentar recolher informação sobre o workshop de macrofotografia em Seia e consta desde já nos meus favoritos. Trabalhei em Gouveia desde Março de 1974 a Setembro de 1975, pelo que nutro por esta Terra uma enorme simpatia.

Reconheço que a actividade do CERVAS é importantíssima, no entanto parece-me que não tiveram muito em conta o comentário feito pelo anónimo de 24-06-2011!

Será que têm ou tiveram conhecimento da "Petição Diga não à caça ao Melro" ?

CERVAS disse...

Boa tarde sobralfilho. Desde já agradecemos o reconhecimento do nosso trabalho no âmbito da recuperação de fauna selvagem e também do trabalho de sensibilização e educação ambiental que desenvolvemos.

Já temos conhecimento da "Petição Diga não à caça ao Melro", e individualmente cada um de nós se manifestou sobre esse assunto. Em relação ao comentário feito pelo Anónimo em 24-06-2011, este foi feito em tom de afirmação pelo que não havia muito mais a acrescentar... tentamos deixar estas questões políticas um pouco à margem do trabalho aqui desenvolvido por várias razões.

Gostaria de deixar o convite para quando tiver oportunidade, visitar as instalações do CERVAS. Dessa forma ficar a conhecer um pouco melhor o funcionamento deste centro. Para isso entre em contacto através do mail cervas.pnse@gmail.com.

Cumprimentos,
José Pereira

sobralfilho disse...

Aceito e compreendo a vossa posição.

E informo que terei muito gosto em visitar o CERVAS e aproveitar do vosso saber na observação de aves.
(Entrarei em contacto oportunamente)

Cumprimentos,
António Pinto