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A mostrar mensagens de Junho, 2009

Espécie do mês de Junho: Águia-calçada


A águia-calçada (Aquila pennata) é a águia mais pequena que ocorre em Portugal. Mede entre 45 e 53 cm de comprimento e 110 – 135 cm de envergadura. Existem dois tipos de coloração nesta espécie: uma forma clara, em que os indivíduos apresentam o corpo, cauda e a maior parte das asas ventralmente brancos, exceptuando as penas primárias de cor preta, e uma forma escura em que os indivíduos apresentam coloração castanho-escura com as penas primárias pretas e a cauda clara na face ventral. Esta espécie apresenta, em ambas as formas, uma pequena mancha branca nas áreas frontais da inserção de cada asa no corpo. Os tarsos são completamente cobertos por penas, o que terá dado origem ao seu nome comum. As fêmeas são maiores do que os machos.

Aquila pennata de fase escura


Aquila pennata de fase clara

Habita e nidifica em zonas florestais, preferencialmente em montados de sobreiro e pinheiro intercalados com clareiras e zonas abertas.

É uma espécie monogâmica, solitária e territorial durante o período de nidificação. Ambos os progenitores cuidam das crias (1 ou 2) que são nidícolas (eclodem do ovo sem estar completamente desenvolvidas, não possuindo ainda penas).

Cria de Aquila pennata em recuperação no CERVAS (após queda do ninho)

A dieta desta espécie baseia-se em aves de pequeno e médio porte, répteis e pequenos mamíferos, que caça entre as árvores e nas zonas abertas de mato.

A águia-calçada é uma espécie migratória que se desloca para África em meados de Outubro para passar o Inverno, regressando ao nosso país em fins de Março.

Esta espécie foi classificada pelo ICNB em 2005 como “Quase Ameaçada” sendo as suas principais ameaças a destruição do habitat provocada pelos incêndios e o abate de pinheiros de grandes dimensões, onde esta espécie nidifica. A colisão com estruturas e o abate a tiro são também factores que ameaçam significativamente esta ave.

Pesquisa de bactérias resistentes aos antibióticos em aves selvagens

O uso recorrente de antibióticos e a sua relação com o desenvolvimento de resistências pelos microrganismos é um tema largamente discutido na actualidade. O aparecimento de bactérias resistentes em animais selvagens é um assunto que tem vindo a ser discutido por vários autores, na medida em que a sua emergência é uma medida da contaminação ambiental.
No âmbito de um estágio de final de Licenciatura em Medicina Veterinária, foi realizado um trabalho no CERVAS que teve como objectivo avaliar até que ponto a contaminação dos ecossistemas com resíduos de antibióticos e bactérias resistentes poderá estar a estender-se até habitats escassamente humanizados, como é o caso daqueles ocupados pelas espécies selvagens estudadas. Mais concretamente, pretendeu-se pesquisar a prevalência de bactérias entéricas (Escherichia coli e Enterococcus spp.) resistentes aos antimicrobianos em dejectos de aves selvagens.

Aspecto de colónias de Enterococcus spp. em meio Slanetz-Bartley.

Aspecto de uma colónia de Escherichia coli em meio TBX


Deste trabalho foi possível concluir que muitas resistências já estão instaladas nos habitats selvagens, provavelmente em consequência da contaminação ambiental de origem humana. Além do mais, para as aves, este facto constitui um problema acrescido, uma vez que as bactérias que adquirem resistência aos antibióticos podem ter, adicionalmente, maior capacidade para provocar doenças.

Teste de sensibilidade (antibiograma) de um isolado de Enterococcus spp

Carla Ferreira, Médica Veterinária

Saídas de Campo: Observação de Aves Selvagens

Desde o início de 2009 que a ALDEIA, no âmbito do seu trabalho no CERVAS, tem organizado diversas saídas de campo mensais para observação de aves selvagens no concelho de Gouveia. O objectivo das actividades é a divulgação da biodiversidade da região e a importância da sua promoção e preservação, tendo como elemento central as aves e os diferentes habitats que ocupam. Em 6 saídas de campo já foram observadas 78 espécies de aves, o que revela o grande potencial que a Serra da Estrela, e o concelho de Gouveia em particular, têm para o desenvolvimento de actividades de observação de aves. Futuramente, a associação pretende continuar a desenvolver estas actividades neste e noutros concelhos da região.


Espécies de aves observadas:

Garça-real, Ardea cinerea
Cegonha-branca,
Ciconia ciconia
Milhafre-preto,
Milvus migrans
Águia-cobreira,
Circaetus gallicus
Águia-caçadeira,
Circus pygargus
Açor,
Accipiter gentilis
Gavião,
Accipiter nisus
Águia-d’asa-redonda,
Buteo buteo
Águia-calçada,
Hieraaetus pennatus
Peneireiro, Falco tinnunculus
Ógea,
Falco subbuteo
Perdiz,
Alectoris rufa
Codorniz, Coturnix coturnix
Pombo-das-rochas,
Columba livia
Pombo-torcaz,
Columba palumbus
Rola-turca,
Streptopelia decaocto
Rola-brava,
Streptopelia turtur
Cuco,
Cuculus canorus
Coruja-das-torres, Tyto alba
Mocho-d’orelhas,
Otus scops
Mocho-galego,
Athene noctua
Coruja-do-mato,
Strix aluco
Andorinhão-preto, Apus apus
Guarda-rios,
Alcedo atthis
Poupa, Upupa epops
Abelharuco,
Merops apiaster
Pica-pau-malhado, Dendrocopos major
Pica-pau-galego, Dendrocopos minor
Cotovia-dos-bosques, Lullula arborea
Laverca,
Alauda arvensis
Andorinha-das-barreiras,
Riparia riparia
Andorinha-das-rochas, Ptyonoprogne rupestris
Andorinha-das-chaminés, Hirundo rustica
Andorinha-dáurica, Hirundo daurica
Andorinha-dos-beirais,
Delichon urbica
Alvéola-cinzenta, Motacilla cinerea
Alvéola-branca,
Motacilla alba & Motacilla alba yarrellii
Carriça,
Troglodytes troglodytes
Ferreirinha, Prunella modularis
Pisco-de-peito-ruivo,
Erithacus rubecula
Rouxinol,
Luscinia megarhynchos
Rabirruivo,
Phoenicurus ochruros
Cartaxo, Saxicola torquata
Melro, Turdus merula
Tordoveia, Turdus viscivorus
Toutinegra-dos-valados, Sylvia melanocephala
Toutinegra-de-barrete,
Sylvia atricapilla
Felosa-poliglota, Hippolais polyglotta
Felosa-de-papo-branco, Phylloscopus bonelli
Estrelinha-real,
Regulus ignicapillus
Papa-moscas,
Ficedula hypoleuca
Chapim-rabilongo,
Aegithalos caudatus
Chapim-de-poupa,
Parus cristatus
Chapim-carvoeiro,
Parus ater
Chapim-azul, Parus caeruleus
Chapim-real, Parus major
Trepadeira-azul, Sitta europaea
Trepadeira,
Certhia brachydactyla
Papa-figos, Oriolus oriolus
Picanço-real, Lanius meridionalis
Picanço-barreteiro,
Lanius senator
Gaio,
Garrulus glandarius
Charneco, Cyanopica cyana
Pega,
Pica pica
Gralha-preta,
Corvus corone
Corvo,
Corvus corax
Estorninho-preto,
Sturnus unicolor
Pardal,
Passer domesticus
Pardal-montês, Passer montanus
Tentilhão,
Fringilla coelebs
Milheirinha,
Serinus serinus
Verdilhão, Carduelis chloris
Pintassilgo, Carduelis carduelis
Pintarroxo,
Carduelis cannabina
Escrevedeira, Emberiza cirlus
Cia, Emberiza cia
Trigueirão, Miliaria calandra
Periquito-rabijunco, Psittacula krameri

Dia da Criança 2009

No dia 1 de Junho, data em que mundialmente se comemora o Dia da Criança, o CERVAS desenvolveu mais uma oficina de educação ambiental com as crianças das escolas do concelho de Gouveia. Este evento, organizado pela Câmara Municipal de Gouveia e pelas escolas e que contou com a presença de entidades como o PNSE, GNR, PSP e Bombeiros Voluntários, entre outros, reuniu centenas de crianças que entre desportos e brincadeiras puderam também aprender um pouco mais sobre a recuperação e conservação de animais selvagens da fauna nacional.