quinta-feira, 7 de junho de 2012

Espécie do mês de Junho: Ouriço-cacheiro




Ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus) é um mamífero que pertence à ordem Insectivora e à família Erinaceidae. Possui a particularidade de ser o único mamífero da nossa fauna que possui espinhos em todo o corpo, sendo estes pêlos modificados. Quando ameaçado enrola-se sobre si próprio, defendendo-se assim dos predadores. Os ouriços-cacheiros podem ter até cerca de 7500 espinhos pelo corpo, com cerca de 2-3 cm e que lhes confere uma variação de cor entre o amarelado e o castanho. A cabeça, está bem diferenciada do corpo cujo comprimento varia entre 20-35 cm, possui orelhas pequenas e olhos grandes, e uma cauda curta, entre 10-20 cm. O peso dos ouriços adultos pode variar entre 400-1200g. 
Entre os machos e as fêmeas não existe grande dimorfismo sexual,embora o macho possa ser ligeiramente maior que a fêmea.


O ouriço-cacheiro ocorre na maior parte do oeste europeu, encontrando-se ainda na zona mais ocidental da Sibéria e no norte da Rússia. Em Portugal o ouriço é uma espécie abundante de distribuição generalizada de norte a sul. 
O ouriço-cacheiro encontra-se em zonas de cultivo e jardins, bem como em bosques e áreas onde o estrato herbáceo seja abundante.

Os Ouriços-cacheiros são animais de actividade nocturna ou crepuscular. São solitários e territoriais sendo os territórios dos machos cerca de 3 vezes superiores aos das fêmeas. Durante a noite podem percorrer distâncias entre um e três quilómetros, onde os machos se deslocam mais que as fêmeas.


Este insectívoro come um pouco de tudo, alimentando-se essencialmente de invertebrados terrestres como gafanhotos, escaravelhos e moscas, consumindo ainda minhocas e caracóis, ovos de aves, rãs e répteis, cereais e frutos silvestres.
Quando o alimento escasseia, e a descida da temperatura não permite a manutenção da temperatura do corpo, o ouriço-cacheiro hiberna, os indivíduos ficam frios ao toque e imóveis, diminuindo a sua temperatura, a respiração (1 a 10 vezes por minuto) o ritmo cardíaco (de 190 para 20 batimentos por minuto) e o funcionamento dos órgãos internos, poupando desta forma energia. No nosso país só os animais que vivem em zonas de maior altitude é que hibernam.


O período de reprodução do ouriço-cacheiro ocorre de Abril a Agosto. Após a cópula, o macho abandona a fêmea, sendo ela a única responsável por criar os jovens. O período de gestação é de 12 a 13 semanas, podendo existir duas ninhadas por ano em Maio-Julho e Setembro, nascendo 4-6 crias, podendo no entanto nascer entre 2 e10. As crias nascem de olhos fechados e sem pêlo, onde ao fim de poucas horas despontam os primeiros espinhos. Estas abandonam o ninho após 22 dias e atingem a maturidade sexual ao fim de um ano.



A nível nacional o ouriço-cacheiro é uma espécie considerada "não ameaçada", estando incluída no anexo III da Convenção de Berna, onde se incluem as espécies em menor risco. As suas principais ameaças são a captura por predadores como raposas, texugos, mochos, corujas e águias. Os atropelamentos são um importante factor de mortalidade desta espécie, assim como a redução de habitat através da diminuição das zonas de vegetação e do aumento de tamanho das explorações agrícolas e o uso crescente de pesticidas. Sendo uma espécie intimamente associada ao Homem, os ouriços que habitam os jardins também sofrem com o uso de máquinas de cortar relva.

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