terça-feira, 15 de outubro de 2013

Espécie do mês de Outubro: Lebre-ibérica

A lebre-ibérica (Lepus granatensis) é a única espécie de lebre que ocorre em Portugal. Na Península-Ibérica distinguem-se, ainda, duas outras espécies de lebres: a lebre-europeia (Lepus europaeus) e a lebre-de-piornal (Lepus castroviejoi). Estas duas espécies são endémicas da Península-Ibérica, no entanto, enquanto a primeira tem uma distribuição ampla, a lebre-do-piornal está restrita aos Montes Cantábricos.

As lebres ocupam preferencialmente espaços abertos, como zonas agrícolas e prados, mas também podem ocorrer em zonas montanhosas, em zonas de bosque ou áreas de matos intercalados com pastagens. Distribuem-se por locais que se estendem desde o nível do mar até altitudes de cerca de 2000m, como por exemplo, na Serra da Estrela.

A lebre-ibérica é social, não apresentando comportamento territorial. As lebres não escavam tocas, ao contrário dos coelhos, refugiando-se em pequenas depressões no terreno localizadas em zonas abrigadas (camas). Possuem uma actividade essencialmente crepuscular e nocturna, formando, nessa altura, pequenos grupos nos locais de alimentação.

À semelhança dos coelhos, são animais herbívoros. Alimentam-se igualmente de plantas herbáceas, com preferência pelas gramíneas. No Verão, altura de menor disponibilidade de alimento, ingerem espécies alternativas, nomeadamente leguminosas como o tojo.

Apesar de se reproduzirem durante todo o ano, as lebres apresentam uma menor actividade reprodutiva no Outono. Do mesmo modo que os coelhos, a lebre-ibérica atinge precocemente a maturidade sexual. No entanto, ao contrário daqueles, as crias nascem à superfície, já com pêlo, com os olhos abertos e capacidade de movimentação passados poucos minutos. A gestação dura em média 42 dias, nascendo em média 1,6 crias por parto. Uma fêmea adulta pode ter, em média, cerca de 10 crias por ano.

As principais ameaças passam pela deterioração do habitat provocada pelo abandono da agricultura tradicional, pela ocorrência frequente de incêndios e pela actividade cinegética desordenada e excessiva.

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