segunda-feira, 30 de abril de 2012

Espécie do mês de Abril: Bútio-vespeiro



O Bútio-vespeiro ou falcão-abelheiro (Pernis apivorus) é uma ave de rapina diurna de tamanho médio, com um comprimento entre 51-58 cm e uma envergadura compreendida entre 125-145 cm. A parte superior é geralmente castanho-escura, a inferior com tonalidade mais clara (até ao branco), com listas castanho-arruivadas ou mesmo cor de café muito escuro. A cauda é longa e tem várias barras, as patas são amareladas e íris castanho-acinzentada nos jovens e amarelo-avermelhada nos adultos, as penas primárias nos adultos são negras muito destacadas do resto, enquanto que nos jovens as primárias são mais curtas, mas com rémiges mais densamente listadas em relação ao individuo adulto, por outro lado têm cauda de menor tamanho. A plumagem é idêntica em ambos os sexos, mas diferenciam-se em tamanho, sendo a fêmea de maiores dimensões. (3)


O Bútio-vespeiro é nidificante estival, chegando tarde ao nosso país, sendo por isso uma ave de rapina pouco comum. As melhores épocas para a sua observação vão de Maio a Setembro, inicio de Outubro (2). Após o mês de Agosto realiza a migração outonal tornando a sua observação mais fácil no Algarve (1).

Habita áreas compostas por manchas florestais, entrecortadas por terrenos de pousio ou culturas de sequeiro. No norte a espécie frequenta zonas de carvalhos e pinheiros-de-casquinha, no centro está associado a carvalhos e pinheiros-bravos e no sul utiliza sobreiros e pinheiros-bravos (2).


Os ninhos, desta espécie são instalados em árvores de grande porte. O bútio-vespeiro só faz normalmente uma postura, composta por dois ovos, e a incubação dura 30 a 35 dias. As crias estão aptas a voar ao fim de 40-44 dias. Não há muita informação a respeito da reprodução desta espécie em Portugal, sabe-se que no Alto Alentejo, as paradas nupciais têm inicio em Maio e algumas crias podem permanecer no ninho até finais de Agosto (2).


A sua alimentação é constituída essencialmente por ninhos, larvas e adultos de vespas e abelhas, motivo pelo qual possuem as narinas em forma de  fenda. A sua dieta pode incluir também outros insectos, repetis, pequenos mamíferos, crias e ovos de outras aves. Em Portugal a sua dieta é constituída essencialmente por vespas sendo complementada por lagartixas e rãs (2).

Esta espécie apresenta um estatuto de conservação atribuído pelo ICNB como “Vulnerável”. Entre as principais ameaças incluem-se os incêndios florestais nas regiões Centro e Norte e as alterações na agricultura tradicional em particular na zona Sul.

Bibliografia 
(2) Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.
(3)
Bruun B., Svensson H. 2002. Aves de Portugal e Europa. Guias FAPAS. ISNB:972-95951-0-0

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