sábado, 1 de outubro de 2011

Espécie do mês de Outubro: Garça-real


A garça-real (Ardea cinerea), é a garça europeia mais abundante. Como é característico noutras garças, a garça-real durante o voo recolhe o pescoço e quando pousada é vista muitas vezes com um comportamento de observação muito paciente e posição muito rígida, por vezes atarracada do pescoço, mas é facilmente distinguida de todas as outras garças europeias, pelo seu tamanho e pela sua plumagem cinzenta, branca e preta.


A garça-real,fora da época reprodutora encontra-se distribuída praticamente por todo o país, sendo mais numerosa em zonas húmidas do litoral. Ao contrário de outras aves aquáticas também é frequente vê-la nos rios e represas do norte e do centro (por vezes mesmo em altitude), frequentando, portanto, um vasto leque de zonas húmidas como estuários, salinas, pauis, aquaculturas, lagoas costeiras, arrozais, barragens, rios e ribeiras.
A garça-real alimenta-se de peixes, anfíbios, pequenos mamíferos, insectos e répteis. Ocasionalmente pode alimentar-se de crustáceos, moluscos, vermes, aves e matéria vegetal (que ajuda na formação das regurgitações).


A garça-real pode nidificar colonialmente ou individualmente, fazendo os seus ninhos em árvores como o pinheiro-manso, eucaliptos de grande porte, sobreiros e por vezes em azinheiras. As primeiras posturas começam aparentemente em Fevereiro ocorrendo muitas em Março. As posturas são constituídas por 4-5 ovos produzindo normalmente só uma ninhada, podendo fazer até três posturas de substituição; a incubação dura 25-26 dias saindo as crias do ninho ao fim de 20-30 dias, encontrando-se aptas a voar por volta dos 50 dias de idade.


Uma parte das garças-reais europeias inverna em África, incluindo provavelmente aves de passagem por Portugal e eventualmente aves nidificantes neste país. A passagem pós-nupcial desta espécie é bastante notória, aumentando o número de aves em Agosto, Setembro e Outubro. As garças-reais que invernam em Portugal provêm da generalidade da Europa Ocidental e Central.


Bibliografia
(1) Bruun B., Svensson H. 2002. Aves de Portugal e Europa. Guias FAPAS. ISNB:972-95951-0-0
(2) Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.

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