Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Espécies

O CERVAS participou no Youth Exchange Footprints 2.0 em Ourondo, Covilhã


No dia 1 de Outubro de 2019 o CERVAS participou no Youth Exchange Footprints 2.0 no projecto Ananda Kalyani em Ourondo, Covilhã, um evento organizado pela AMURT - Portugal.



A primeira parte da actividade consistiu numa saída de campo de observação de aves com os participantes na actividade, oriundos de várias partes da Europa, desde as ilhas Canárias à Finlândia.



De seguida, foi realizado um workshop e debate sobre fauna selvagem, durante o qual o CERVAS deu a conhecer o seu trabalho, as espécies da região, e que pequenas acções de cada pessoa podem contribuir para a conservação da fauna selvagem.



No final da tarde foi devolvido à Natureza um mocho-galego (Athene noctua) que tinha estado em recuperação no CERVAS.



O CERVAS agradece à AMURT, e em particular ao Filippo Basso e a todos os participantes no evento, pelo convite, interesse e apoio ao trabalho do centro e está disponível para futuras actividades em parceria.


Devolução à Natureza de 23 andorinhões.


Entre 21 de Junho e 20 de Julho de 2017 foram devolvidos à Natureza vinte e três andorinhões que tinham ingressado no CERVAS.



Quinze destas aves eram andorinhões-pálidos (Apus pallidus) e oito andorinhões-pretos (Apus apus) sendo a maior parte juvenis que tinham ingressado após queda precoce do ninho.




Sempre que possível estas acções de devolução à Natureza foram realizadas com as pessoas que entregaram as aves e com grupos que desenvolveram actividades com o CERVAS.





Uma das principais mensagens é a de que a entrega destes animais nos centros de recuperação deve ser imediata e que não se deve mantê-los em casa nem alimentá-los com outro tipo de alimentos para além de insectos.




O sucesso na recuperação deste tipo de aves, totalmente adaptados à vida aérea e a uma dieta exclusivamente à base de insectos, é a redução do contacto com pessoas ao mínimo indispensável; contacto constante com outros indivíduos em pequenos grupos durante a permanência no centro; a alimentação adequada; e devolução à Natureza quando a plumagem estiver bem desenvolvida e a condição física for boa, em locais onde haja outros indivíduos.




Fique a saber um pouco mais sobre os andorinhões na Wilder aqui:


Espécie-do-mês de Outubro 2014: Colhereiro


O colhereiro (Platalea leucorodia) é uma ave que apresenta um dos bicos mais característicos e estranhos da nossa avifauna, sendo por isso bastante fácil de identificar. Este bico tão particular, achatado e em forma de espátula é usado para varrer os lodos e fundos aquáticos em busca de alimento.
De corpo branco, e patas escuras, esta ave apresenta um penacho na nuca durante a época de reprodução, assim como uma pequena mancha amarela na garganta. 
Em voo, a sua silhueta é bastante característica, pescoço bem esticado para a frente e o bico bastante comprido,  o que o torna praticamente inconfundível. Os juvenis apresentam as pontas das asas escuras.


O colhereiro distribui-se essencialmente pelas zonas húmidas ao longo da faixa costeira, e também em alguns pontos do interior sul do país, sendo relativamente escasso no litoral norte. Pode ser observado durante todo o ano em Portugal, podendo haver no entanto indivíduos que são de ocorrência estival, outros de passagem e outros invernantes. Na Ria Formosa e na reserva de Castro Marim encontram-se as maiores concentrações nacionais de colhereiros fora da época de nidificação, sendo o estuário do Tejo uma das áreas mais importantes de passagem e de invernada desta espécie. A presença do colhereiro é regular durante as passagens migratórias e no inverno, em locais como no estuário do Sado e a lagoa de Santo André. Muitas aves provenientes de Espanha e Holanda (e possivelmente de outros países europeus) passam o Inverno no nosso país, havendo igualmente muitos juvenis desta espécie, provenientes de Espanha, que realizam movimentos de dispersão até Portugal.
Esta espécie frequenta estuários, salinas, aquaculturas, pauis, lagoas costeiras, arrozais e açudes, podendo nidificar e invernar tanto em zonas de água-doce, como em zonas com forte influência marinha.




O colhereiro é uma espécie gregária que nidifica em colónias, muitas vezes em conjunto com garças ou cegonhas. Estas colónias normalmente são instaladas em árvores que podem estar dentro ou fora de água. O colhereiro pode também nidificar em zonas de sapal, onde os ninhos ficam sobre a vegetação palustre. Os dados de reprodução desta espécie em Portugal, foram obtidos no Paul do Boquilobo, onde o início das posturas deu-se na última semana de Fevereiro com 2 a 6 ovos. A incubação dura 24 ou 25 dias e as crias estão aptas a sair do ninho com cerca de 30 dias, estando prontas para voar com 45-50 dias de idade. O colhereiro apenas cria uma ninhada por ano, podendo realizar posturas de substituição.

O colhereiro alimenta-se sobretudo de insectos e suas larvas, pequenos peixes, moluscos, crustáceos, rãs, girinos, vermes, sanguessugas, répteis e alguma matéria vegetal que apanha com o seu bico em forma de espátula.



Sabia que…

O colhereiro há muito tempo atrás nidificava em Portugal, acabando esta população nidificante por desaparecer por volta dos anos 70? Só recentemente a espécie recolonizou vários pontos da metade sul do país (primeiros registos datam de 1988 no Paul do Boquilobo). A população de colhereiro nidificante em Portugal parece ter continuado o seu crescimento até à actualidade, assim como se verifica com as populações invernantes e migratórias de passagem, que têm vindo a registar igualmente um aumento acentuado, possivelmente devido ao crescimento populacional na Europa Ocidental.


Bibliografia:

Aves de Portugal, consultado a 10/2014 em: http://www.avesdeportugal.info/plaleu.html
Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.

Espécie-do-mês de Setembro: Alcaravão




O alcaravão (Burhinus oedicnemus), também conhecido popularmente por galinha-do-mato e pirolé, é uma ave limícola de plumagem acastanhada e críptica, que faz com que seja facilmente confundida com a paisagem envolvente. As patas são amarelas, e o bico é amarelo com a ponta preta. O alcaravão possui também uns olhos caracteristicamente grandes e igualmente amarelos.
Em voo nota-se a ponta das asas pretas com dois pequenos quadrados brancos.



O alcaravão é uma ave essencialmente nocturna e discreta, sendo denunciada muitas vezes pelo seu chamamento assobiado característico, que se faz ouvir à noite ou ao crepúsculo. É uma ave que nidifica em pequeno número nas regiões do interior a norte do Tejo, e em maior número, embora fragmentada, do litoral à raia, a sul deste rio. 
O alcaravão vive em zonas abertas amplas e secas, com poucas ou nenhumas árvores, embora possa ser encontrado em zonas arborizadas desde que pouco densas. Esta espécie parece preferir terrenos incultos e dunas, habitando igualmente em áreas com cultivos de sequeiro, principalmente no inverno, alqueives, montados abertos ou com clareiras, salinas e sapais secos. Esta espécie é mais frequente no Alentejo interior onde predominam vastas áreas de habitat favorável.
Durante o inverno, os alcaravões surgem em bandos em áreas onde não nidificam ou onde só o fazem em pequeno número, sendo este comportamento bastante notório na zona Algarvia (estuário do Alvor e reserva de Castro Marim, na Ria Formosa), onde se juntam várias centenas de indivíduos. De resto a distribuição invernal desta espécie é ainda pouco conhecida.



O período de reprodução do alcaravão inicia-se em Abril e estende-se até Julho, onde o seu característico canto se faz ouvir, ao crepúsculo, nesta época. Sabe-se que a incubação desta espécie dura 24 a 26 dias e as crias começam a voar entre os 36 a 42 dias de idade, sendo possível que os alcaravões criem duas ninhadas por ano.


Quando em Julho termina a época de reprodução, os alcaravões começam a juntar-se em bandos e abandonam os territórios de nidificação. Os bandos formados, mantêm-se até Fevereiro ou maço, época em que se desagregam para formarem novos casais. Possivelmente grande parte dos casais que ocorrem em Portugal são sedentários, mas os seus movimentos não estão ainda bem estudados. Sabe-se que nalgumas regiões litorais, os alcaravões nidificantes desaparecem durante o inverno, enquanto noutras áreas são mais abundantes na estação fria. A população invernante inclui tanto indivíduos nacionais, como migradores provenientes da Europa Ocidental.

A dieta do alcaravão é constituída por invertebrados terrestres, capturados ao crepúsculo e durante a noite. Por vezes o alcaravão também pode ingerir pequenos vertebrados.



Sabia que…
O alcaravão parece estar em declínio no norte e no centro do território nacional? E que o mesmo parece estar a acontecer igualmente em toda a Europa Ocidental!

Bibliografia: 
Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.

Espécie do mês de Agosto 2014: Esquilo-vermelho


O esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris) possui uma pelagem bastante variável, sendo castanho-avermelhada viva no Verão e castanho-escuro com matizes cinzentos e tufos nas orelhas no Inverno, por norma a coloração avermelhada está mais associada a zonas de altitude mais baixas, enquanto que nas zonas mais altas predomina a coloração castanho-escuro, não se sabe bem se esse fenómeno se deve ao tipo de habitat ou ao tipo de alimentação. O esquilo-vermelho apresenta uma cauda espessa e felpuda bastante característica e possui as patas traseiras mais compridas e fortes que as patas dianteiras, que contribuem para o seu equilíbrio aquando das “acrobacias” nas árvores. 
Os machos em reprodução podem ser identificados pela pele escura e pelada do escroto, com manchas amarelo-alaranjadas, enquanto que as fêmeas em fase reprodutora têm os mamilos intumescidos e sem pêlo. Os machos sub-adultos têm o pêlo do ventre branco e brilhante.

O esquilo-vermelho habita em grandes florestas de coníferas, em parques e jardins, sendo menos abundante em pequenos bosques de coníferas ou de madeira dura como as faias, carvalhos e aveleiras. Os seus ninhos são esféricos com cerca de 30 cm de diâmetro e habitualmente encontram-se acima dos 6 metros de altura, sendo constituído por galhos e forrado com musgo e erva. Os esquilos nidificam nos troncos das árvores, nos seus ramos ou em trocos ocos, e em arbustos, podendo usar inclusive vários ninhos. É por isso um trepador extraordinariamente hábil, possuindo umas unhas muito afiadas e arqueadas que lhes permitem agarrar-se às árvores.


O esquilo-vermelho é uma espécie diurna, que emerge normalmente 30 minutos antes do nascer do sol sendo o pico de maior actividade entre as 3-4 horas depois do nascer-do-sol e as 2-3 horas antes do anoitecer no Verão. 
Ao contrário de outros animais que hibernam verdadeiramente, o esquilo-vermelho apenas entra em letargia invernal, onde durante esse período, reduz consideravelmente a sua actividade podendo dormir dias e dias, quando as condições climatéricas são mais adversas.
Os machos e as fêmeas de esquilo-vermelho têm domínios vitais de idênticas dimensões, coincidindo especialmente no inverno onde estes são mais extensos. Enquanto os domínios dos machos e das fêmeas se sobrepõem ao acaso, as fêmeas tendem a ficar mais espaçadas, podendo haver hierarquização entre elas. Por vezes podem partilhar abrigos, principalmente em climas mais frios. Geralmente o nível de agressividade entre indivíduos é baixo.

O esquilo-vermelho possui um olfacto bastante apurado que usa para procurar alimento, principalmente para encontrar as sementes e nozes que esconde profundamente durante o Outono. Como não as consegue encontrar a todas, contribui para a propagação dessas sementes no bosque onde se encontra. É uma espécie principalmente herbívora, alimentando-se de sementes de coníferas (abeto e pinheiro), bagas e bolotas, fungos, casca e floema das árvores. Ocasionalmente podem comer também vertebrados como restos de aves e esporadicamente os ovos das mesmas.


O pico de reprodução ocorre entre Janeiro-Março, havendo uma ninhada na primavera (Março-Maio) caso haja boas produções de pinhas, caso contrário só no Verão (Julho-Setembro) surgem as primeiras ninhadas. O período de gestação dura 36-42 dias nascendo entre 2 a 5 crias por ninhada, podendo haver por ano 1-2 ninhadas. O esquilo atinge a maturidade sexual aos 10-12 meses e a fêmea só se encontra receptiva por um dia. Os juvenis iniciam a sua primeira actividade fora do ninho às 7-8 semanas e tornam-se independentes às 10-16 semanas. Os cuidados parentais estão única e exclusivamente a cargo da fêmea que mantém o comportamento protector até cerca de 2 semanas após o desmame.


O máximo registado em termos de longevidade para o esquilo-vermelho, em estado selvagem, é de 6-7 anos. As causas de morte incluem acidentes na estrada e desnutrição. Relativamente à predação a marta, algumas aves de rapina, cães e gatos domésticos são os principais predadores desta espécie.


Bibliografia consultada:

MacDonald, D., Barret, P., 1993. Mamíferos de Portugal e Europa. Guias FAPAS, Porto;

Espécie do mês de Julho: Cágado-de-carapaça-estriada


O cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis) é um dos dois cágados autóctones que ocorrem nos rios portugueses.

O corpo e a carapaça deste cágado possuem uma coloração onde predomina o preto, cinzento ou castanho e com riscas e manchas amarelas que compõe o padrão característico desta espécie. A carapaça não possui uma quilha muito evidente nos animais adultos e a região dorsal é abaulada e rígida. Os tamanhos máximos de carapaça, medidos em Portugal, para machos foram de 157mm e para as fêmeas foi de 160 mm. O espaldar normalmente é escuro com pequenas manchas amarelas que podem fundir-se dando lugar a um desenho radial em cada placa dorsal, e a face ventral, ou plastrão, é plana com coloração cinzenta ou amarela possuindo manchas escuras dispostas irregularmente. As placas inguinais e axilares são vestigiais ou inexistentes e as placas anais são arredondadas. As extremidades do cágado-de-carapaça-estriada são robustas com escamas visíveis e unhas compridas e fortes, e membranas interdigitais.
Nesta espécie a distinção entre macho e fêmea não é muito evidente, no entanto a face ventral nos machos é ligeiramente côncava, enquanto que a das fêmeas é plana e convexa. O macho também apresenta a cauda mais comprida e grossa. Os recém-nascidos têm uma carapaça quase circular, que mede cerca de 30 mm de comprimento e possuem um padrão semelhante ao dos adultos mas com tonalidades mais escuras e com pequenas manchas amarelas somente nos bordos do espaldar, para além disso possuem uma quilha vertebral que vai atenuando com a idade.

O cágado-de-carapaça-estriada é uma espécie de hábitos diurnos e que se encontra activa praticamente ao longo de todo o ano, embora nas zonas mais quentes possa apresentar um período de estivação e nas zonas mais frias pode mesmo hibernar.
Em Portugal o cágado-de-carapaça-estriada, ocorre em habitats de água doce (dulciaquícolas) ou de água salobra, permanentes ou temporários, tais como charcos, albufeiras, represas, rios e ribeiros.É comum a partilha das mesmas zonas húmidas com o cágado-mediterrânico quando ambas as espécies estão presentes no mesmo local. Em zona de montanha é uma espécie rara, não se encontrando indivíduos acima dos 1000 m de altitude. A sua presença a norte do rio Tejo é descontínua, sendo conhecidas apenas algumas populações isoladas. A bacia hidrográfica mais importante para esta espécie de cágado é a do rio Guadiana. O cágado-de-carapaça-estriada distribui-se na maior parte da Europa, com excepção das ilhas Britânicas e Escandinávia, onde a Península Ibérica é a única região da Europa onde as duas espécies são simpátricas.

A época de reprodução do cágado-de-carapaça-estriada inicia-se após o Inverno, podendo ocorrer um segundo período de reprodução outonal nas zonas onde há um período de estivação. A cópula ocorre geralmente em meio aquático e as posturas realizam-se entre Maio e Julho, em que a fêmea escava um buraco onde enterra cerca de 3 a 18 ovos. Os machos só alcançam a maturidade sexual aos 6-8 anos de idade (120 mm de comprimento de carapaça), enquanto que as fêmeas não se reproduzem antes dos 10-12 anos (130 mm de comprimento de carapaça). A disponibilidade de recursos alimentares é um dos factores mais importantes para a maturação sexual desta espécie de cágado. O cágado-de-carapaça-estriada apresenta uma longevidade, em estado selvagem, de cerca de 30 a 40 anos.

O cágado-de-carapaça-estriada alimenta-se essencialmente de invertebrados aquáticos, larvas e adultos de anfíbios, pequenos peixes, insectos, caracóis e matéria vegetal que procura à superfície ou de baixo de água, podendo ainda capturar, ocasionalmente, crias de aves. Os juvenis desta espécie são mais carnívoros do que os adultos. Entre os predadores desta espécie, destacam-se os javalis, o saca-rabos, a ratazana, diversas aves de rapina diurnas, corvídeos e garças, e está também comprovada a predação de juvenis pelo peixe vulgarmente conhecido como lúcio.

Um dos problemas de conservação que o cágado-de-carapaça-estriada e o cágado-mediterrânico enfrentam é a captura e o cativeiro ilegal, assim como a introdução de espécies de cágados exóticos nos seus habitats naturais, nomeadamente da tartaruga-verde (Trachemys scripta) e tartaruga-da-Flórida (Trachemys scripta elegans) que têm maior crescimento e são mais agressivas e oportunistas, competindo negativamente com os cágados autóctones.
Para reduzir este impacto pôs-se em marcha o projecto LIFE+ Trachemys, co-financiado pela Comissão Europeia, para o seu desenvolvimento em 17 zonas húmidas da Generalidade Valenciana e Portugal.

Espécie do mês de Junho: Víbora-cornuda


A víbora-cornuda (Vipera latastei) é uma das duas espécies de víbora existente em Portugal e que pode ser potencialmente perigosa para o Homem uma vez que possui veneno. 

Esta víbora de tamanho pequeno, não ultrapassa, geralmente os 70 cm de comprimento total, possui um corpo robusto com uma cauda curta, e um dorso com uma coloração variável, entre o cinzento ou acastanhado. Ao longo do seu corpo tem uma banda dorsal escura disposta em zigue-zague, e o ventre é esbranquiçado ou acinzentado com manchas irregulares. A cabeça da víbora-cornuda é bem diferenciada do tronco e possui a extremidade do focinho proeminente formando um apêndice nasal típico da espécie. Os olhos têm a particularidade de ter a pupila vertical e a íris amarela ou dourada. Na parte posterior da cabeça existem normalmente duas manchas escuras que formam um V invertido. 


As fêmeas de víbora-cornuda apresentam uma coloração do dorso acastanhada, enquanto que os machos são cinzentos e com uma cauda mais larga logo a seguir à cloaca e ligeiramente mais comprida. Os juvenis possuem uma coloração semelhante aos adultos mas apresentam um contraste dos desenhos e cores do corpo mais acentuado. Os recém-nascidos medem entre 15 e 20 cm de comprimento total.


Esta espécie pode ser confundida com a outra víbora também existente em Portugal, a víbora-de-Seone (Vipera seoanei), e a cobra-de-água-viperina (Natrix maura). Distinguindo-se da primeira por apresentar o focinho mais proeminente e a cabeça mais triangular, e da segunda por ter placas cefálicas subdivididas, pupila vertical e focinho proeminente.

A víbora-cornuda é essencialmente diurna, embora nos meses de maior calor possa apresentar actividade crepuscular e nocturna. Tem um período de hibernação de duração variável e que está dependente de factores como a altitudes e a latitude.


A época de reprodução desta espécie inicia-se na Primavera, e sendo ovovípara, a fêmea de víbora-cornuda origina cinco a oito crias no final do verão, podendo ainda ter um segundo período de actividade sexual em Setembro e Outubro. A maturidade sexual é atingida quando o comprimento corporal ronda os 30 a 40 cm, alcançando os indivíduos os noves anos de idade.

A víbora cornuda alimenta-se essencialmente de micromamíferos , podendo também capturar lagartixas, juvenis de sardão e de lagarto-de-água, assim como outros répteis  de pequeno e médio porte. Incluem-se também na sua dieta presas como os passeriformes, pequenos anfíbios e até mesmo insectos.


Como predadores da víbora-cornuda,  as aves de rapina e os mamíferos como o saca-rabos, o javali  a geneta e o ouriço-cacheiro, assim como  outras cobras de maior tamanho, como a cobra-rateira, são os principais predadores desta espécie. Quando está na presença de inimigos, geralmente opta pela fuga, embora quando ameaçada sopre e tente morder. A víbora-cornuda produz um veneno de características proteolíticas, podendo ser potencialmente perigosa para o Homem, quando perturbada.


A víbora-cornuda ocorre em zonas rochosas de montanha com cobertura arbustiva, no entanto também pode ocorrer em zonas mais baixas como matagais, zonas agrícolas e pinhais arenosos do litoral. Em Portugal, distribui-se desde o nível do mar até aos 1500m, na Serra da Estrela. Esta espécie de víbora ocorre na Península Ibérica e norte de África e em Portugal distribui-se por todo o território, embora em núcleos populacionais fragmentados.


Bibliografia:
- Loureiro, A., Almeida, N.,Carretero, M., Paulo,O. 2008. Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidasde,I.P.
- Anfíbios e Repteis de Portugal, blog acedido em 10 de Maio de 2014, em: http://anfibioserepteis.blogspot.pt/

Espécie do mês de Maio: Bufo-pequeno


O bufo-pequeno (Asio otus) conhecido igualmente por toupeirão, ou simplesmente mocho, é uma espécie de ave de rapina nocturna relativamente discreta, sendo por isso mal conhecida entre nós.

O bufo-pequeno tem “orelhas” como o bufo-real mas é bem mais pequeno e delgado, e possui olhos cor-de-laranja e disco facial castanho-arruivado.


Através de observações desta espécie na época de nidificação, pressupõe-se que deverá ter uma distribuição alargada, abrangendo a maior parte das regiões de Portugal Continental, ocorrendo, no entanto, em densidades muito baixas. Na Estremadura é possível que seja mais numeroso do que no resto do país.


Apesar de não existirem dados que o comprovem, é provável que a população nidificante seja essencialmente sedentária, no entanto durante a época fria sabe-se que chegam ao nosso país indivíduos migradores, muitos derivados de movimentos dispersantes de indivíduos nacionais.

O bufo-pequeno prefere sempre orlas de bosques ou bosquetes com acesso a terrenos de caça abertos nas proximidades. Durante a época reprodutora encontra-se em zonas com pinhais, montados de sobro e azinho e carvalhais. Noutras épocas do ano, os bufos pequenos podem ser vistos em áreas abertas, amplas e desprovidas de árvores, nomeadamente em lezírias com pastagens e campos agrícolas, incluindo arrozais, podendo mesmo nidificar em zonas com muito poucas árvores.


Os ninhos de bufo-pequeno são frequentemente instalados em sobreiros, azinheiras e pinheiros-mansos, embora a utilização de ninhos de outras aves também é conhecida. Não se sabe muito acerca do período de canto mais intenso desta espécie em Portugal, embora as aves adultas se façam ouvir sobretudo durante o Inverno (de Janeiro a Março). As posturas desta espécie são compostas normalmente por 3 a 5 ovos que são incubados durante 25 a 30 dias. As crias abandonam o ninho com cerca de 21 a 24 dias de idade, muito antes de saberem voar, escondendo-se nos ramos próximos do local onde nasceram e continuando a serem alimentadas pelos progenitores.



A base da dieta do bufo-pequeno é composta essencialmente por pequenos roedores, embora os insectos e as aves possam também fazer parte da sua dieta.



Bibliografia:
- Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.
- STRI Rapinas nocturnas: Acedido em 10 de Maio de 2014 em http://rapinasnocturnas.blogspot.pt/