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28 de Dezembro de 2011: devolução à Natureza de 2 águias-de-asa-redonda

28 de Dezembro de 2011, 11:00
Gouveia - devolução à Natureza de duas águias-de-asa-redonda


Estas águias-de-asa-redonda (Buteo buteo) ingressaram no CERVAS em Outubro e Novembro de 2011 após trauma devido a atropelamento que lhes provocou lesões oculares.


Em ambos os casos, após o diagnóstico das lesões, procedeu-se ao tratamento adequado e foi realizado um processo de treino e musculação de ambas as aves, em conjunto com outras águias-de-asa-redonda.


A devolução à Natureza foi efectuada por crianças que realizaram uma pequena visita ao CERVAS e ao Parque Ecológico de Gouveia, na qual tiveram a oportunidade de conhecer algumas espécies de animais selvagens bem como aspectos relacionados com a sua ecologia e problemas de conservação.

22 e 23 de Dezembro de 2011: devolução à Natureza de 1 fuinha e 2 gaivotas-de-asa-escura


22 de Dezembro de 2011, 17:00
Gouveia - devolução à Natureza de uma fuinha

Esta fuinha (
Martes foina) ingressou no CERVAS no dia 16 de Novembro depois de ter sido atropelada. O animal foi encontrado ferido numa estrada por um particular que o entregou ao SEPNA-GNR, num estado de descoordenação motora e aparente cegueira.


Após recuperação, a fuinha foi devolvida à Natureza num local que reunia as condições adequadas para a espécie.


23 de Dezembro de 2011, 15:30
Coimbra - devolução à Natureza de duas gaivotas-de-asa-escura

Estas gaivotas-de-asa-escura (Larus fuscus) foram encontradas por particulares que as encontraram na cidade de Coimbra e as entregaram à Reserva Natural do Paul da Arzila que as encaminhou para o CERVAS. Após tratamento das lesões, alimentação e treino de voo, bem como contacto com outras gaivotas, ambas foram libertadas num local frequentado por centenas de gaivotas de várias espécies, próximo da Mata Nacional do Choupal.



Uma das gaivotas-de-asa-escura, juvenil, ingressou no dia 8 de Novembro e apresentava uma extensa ferida no pescoço e estava muito magra.


A outra ave, da mesma espécie mas de 2º Inverno, ingressou no dia 8 de Dezembro, sem lesões, muito magra e debilitada.


Para além das anilhas metálicas habituais, também foram colocadas em ambas as gaivotas anilhas em PVC (F104 e F105 pretas) tal como já vem sendo realizado no RIAS, com interessantes resultados, que permitirão a identificação destes indivíduos por parte de observadores de aves, a quem solicitamos desde já o envio de informações.

19 de Dezembro de 2011: devolução à Natureza de 2 bufos-reais

19 de Dezembro de 2011, 19:00
Paúl do Taipal, Montemor-o-Velho - devolução à Natureza de dois bufos-reais


Um dos bufos-reais (Bubo bubo) tinha ingressado no CERVAS em Agosto de 2011 após ter sido encontrado ferido numa auto-estrada na zona de Ança, Cantanhede, na sequência de um atropelamento. Após ter sido encaminhado para o CERVAS pelo SEPNA-GNR e Reserva Natural do Paúl da Arzila a ave recebeu tratamento para as lesões oculares e feridas cutâneas que apresentava e foi treinada para a devolução à Natureza.


A outra ave tinha entrado no CERVAS no final de 2010 após ter sido encontrada em estado de grande debilidade e desnutrição numa exploração avícola. Durante a permanência no centro o bufo-real sofreu um acidente traumático que obrigou a um processo de recuperação mais prolongado do que seria de esperar, mas finalmente foi possível proceder à sua devolução à Natureza num local com condições adequadas.

17 e 18 de Dezembro de 2011: Workshop: Aves Invernantes da Serra da Estrela, 2ª Edição


Nos dias 17 e 18 de Dezembro de 2011 decorreu a segunda edição do Workshop: Aves Invernantes da Serra da Estrela, uma actividade organizada pela ALDEIA/CERVAS e CISE - Centro de Interpretação da Serra da Estrela.



Após uma breve apresentação do curso nas instalações do CISE em Seia e recepção dos 22 participantes que vieram de diversas zonas do país foi realizada uma primeira sessão de observação de aves numa área agrícola em zona húmida, na baixa do Rio Seia. Aqui, os participantes puderam observar garças-reais, águias de asa-redonda, e diversos passeriformes, alguns deles invernantes como a petinha-dos-prados (Anthus pratensis) ou a felosinha (Phylloscopus collybita).


Durante a tarde, ainda em áreas agrícolas em zonas ribeirinhas, ao longo do Rio Mondego, foi possível observar espécies que frequentam esta região da Serra da Estrela durante o Inverno, como os corvos-marinhos (Phalacrocorax carbo) e realizar excelentes e longas observações de aves como o guarda-rios (Alcedo atthis).


No final do primeiro dia, novamente nas instalações do CISE foram apresentadas comunicações orais sobre as aves invernantes da Serra da Estrela e os locais de interesse para a sua observação, as adaptações das aves ao frio e as migrações de Outono/Inverno.


O segundo dia teve início bem cedo no Vale do Rossim e Penhas Douradas, excelentes zonas de montanha para observação de aves no Inverno, onde foi possível observar os primeiros tentilhões-monteses (Fringilla montifringilla), tordos-ruivos (Turdus iliacus) e ainda dois cruza-bicos (Loxia curvirostra), a grande observação da manhã.


Ao final da manhã os locais escolhidos foram novamente as áreas agrícolas em zonas húmidas, agora na baixa do Rio Zêzere, onde foi possível observar prolongadamente o melro-d´água (Cinclus cinclus), abibes (Vanellus vanellus), narcejas (Gallinago gallinago) entre outros.


Para a zona da Covilhã, estava reservada uma das grandes surpresas do dia, um esmerilhão (Falco columbarius), o primeiro registo desta espécie para a Serra da Estrela.


O final do dia decorreu novamente em zonas de montanha, tendo sido possível observar diversas espécies de tordos nas Penhas da Saúde, sendo de destacar o tordo-zornal (Turdus pilaris).


Na Torre, com pouca neve mas muito frio e vento, os participantes tiveram a excelente oportunidade de observar um bando de 11 ferreirinhas-serranas (Prunella collaris), a alimentarem-se tranquilamente a poucos metros do grupo, ao pôr do sol.



O workshop revelou-se extremamente positivo a vários níveis, sendo de destacar o elevado número de espécies observadas, cerca de 60, o que foi possível não só pela excelente qualidade dos locais mas também pelas condições climatéricas agradáveis. Seguramente decorrerão novas edições deste curso, que constitui uma excelente oportunidade para os participantes conhecerem bem a Serra da Estrela e a sua avifauna característica.

Campanha de Natal 2011: ofereça o apadrinhamento de um animal selvagem em recuperação




Toda a informação disponível aqui

7 de Dezembro de 2011: devolução à Natureza de 2 mochos-galegos

7 de Dezembro de 2011
17:30, Escola Básica de Refúgio, Covilhã - Devolução à Natureza de um mocho-galego

Este mocho-galego (
Athene noctua) foi encontrado ferido no dia 16 de Novembro e ingressou no CERVAS alguns dias depois, entregue pelo particular que o encontrou junto de uma estrada, após ter sido atropelado.


A ave não apresentava lesões graves, foi alimentada e treinada em conjunto com outros mochos-galegos e foi devolvida à Natureza num local próximo daquele onde foi encontrada, junto à Escola Básica 1º Ciclo de Refúgio, na Covilhã.



Antes da devolução do mocho-galego à Natureza foram realizadas duas palestras para grupos de alunos de diferentes idades, onde foi disponibilizada informação sobre as aves de rapina nocturnas que existem em Portugal, desde aspectos relacionados com a sua ecologia até aos problemas de conservação, com destaque para a espécie que os alunos iriam conhecer de perto alguns minutos mais tarde.


Ao final da tarde, perante cerca de 140 pessoas, desde habitantes locais e professores a alunos e alguns pais, a ave foi libertada num local próximo de uma linha de água com campos agrícolas, próximo da zona onde tinha sido encontrada ferida.




O CERVAS deixa um agradecimento especial ao Jorge Bento e à Cati pela colaboração, desde a entrega da ave ferida e até ao apoio na preparação da acção de devolução à Natureza.



7 de Dezembro de 2011
19:15, Seia - Devolução à Natureza de um mocho-galego

Este mocho-galego (Athene noctua) foi recolhido no dia 1 de Novembro por particulares que o retiraram de uma armadilha para aves e o entregaram a um agente da GNR de Seia.


Não foram detectadas lesões durante o exame efectuado na altura do ingresso mas a ave estava debilitada e magra, pelo que se procedeu à recuperação do seu estado físico através de alimentação adequada à espécie e treino de voo e caça em contacto com outros mochos-galegos.



O local da libertação era relativamente próximo daquele onde foi encontrado, junto de campos agrícolas, bosques e uma linha de água.

6 de Dezembro de 2011: devolução à Natureza de uma águia-de-asa-redonda

6 de Dezembro de 2011, Terça-feira
10:30, Gouveia - Devolução à Natureza de uma águia-de-asa-redonda

Esta águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) tinha ingressado no CERVAS no início de 2011 após ter sido resgatada de uma situação de cativeiro ilegal.


Após largos meses de treino, contacto com outras aves de rapina e muda da plumagem que estava danificada no momento do ingresso, a ave foi devolvida à Natureza.




Nesta acção estiveram presentes cerca de 30 pessoas, alunos e professores do Jardim de Infância e Escola do 1º CEB de S.Paio, que tiveram também a oportunidade de conhecer algumas instalações do CERVAS.


A visita consistiu numa pequena aula de campo sobre fauna selvagem autóctone, aspectos relacionados com a sua ecologia e problemas de conservação, tendo sido também apresentados alguns dos trabalhos desenvolvidos no CERVAS.

2 de Dezembro de 2011: mini-workshop de anatomia e necrópsia de aves selvagens na Universidade de Aveiro

No dia 2 de Dezembro de 2011 a ALDEIA/CERVAS dinamizou um mini-workshop sobre anatomia e necrópsia de aves selvagens na aula de Ornitologia dos alunos de Biologia da Universidade de Aveiro (UA).


Após uma introdução teórica sobre o trabalho realizado pelo CERVAS, com destaque para os projectos que têm sido desenvolvidos em parceria com o Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, foram realizadas necrópsias a 4 aves de diferentes espécies, o que permitiu aos alunos um contacto directo com as temáticas da anatomia comparada e técnicas de necrópsia em aves selvagens, como complemento às suas aulas curriculares.


Esta acção, que surge na sequência de outras semelhantes em anos anteriores, teve também como objectivo divulgar o trabalho do CERVAS junto dos estudantes de Biologia da UA e as diferentes possibilidades de colaboração ao nível da formação e investigação.

O CERVAS agradece o convite ao Departamento de Biologia da UA, através do Prof. António Luís, bem como a todos os alunos presentes, que demonstraram um grande interesse nos temas abordados.

Espécie do mês de Dezembro: Peneireiro-cinzento


O Peneireiro-cinzento (Elanus caeruleus) é uma rapina de pequenas dimensões, apresenta uma tonalidade clara (tom esbranquiçado), com as asas mais escuras o que facilita a sua localização quando pousada, e a curta distância é possível vislumbrar os olhos vermelhos. Quando observada por cima distinguem-se facilmente os ombros escuros contrastantes com o claro do resto do corpo, e quando observada por baixo são extremamente visíveis as pontas das asas escuras. O seu voo levemente ondulado e o peneirar com as asas em V, comportamento observado quando se encontra a caçar, são bastante característicos desta espécie.

O Peneireiro-cinzento alimenta-se de pequenos mamíferos, répteis, aves (onde os trigueirões parecem ser as suas presas favoritas) e insectos, no entanto não existem muitos dados da sua dieta em Portugal mas os poucos dados disponíveis não fogem muito a este padrão geral.




Em Portugal o Peneireiro-cinzento é uma espécie nidificante que distribui-se essencialmente pelo centro e sul do país, sendo mais frequente no Alentejo, Ribatejo e no sul da Beira Baixa. Também se pode observar no Algarve onde é principalmente invernante.
O habitat mais utilizado consiste em montados de sobro ou azinho abertos e associados a culturas arvenses. No entanto em regiões da Beira Interior ocorre em baixas densidades como nidificante e invernante, ao longo de grande parte da faixa raiana (Sabugal, Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo), aparecendo associado a planaltos com arvoredo disperso, nomeadamente bosquetes de carvalhos e a zonas cerealíferas.


Reproduz-se muito raramente e localmente em regiões secas, cultivadas no SO da Europa, onde recentemente têm aumentado em número e em ocupação. Fora da época de reprodução pode efectuar movimentos dispersivos, aparecendo em regiões onde habitualmente não se reproduzem, nomeadamente em certas áreas do Algarve e da Beira Litoral. Apesar desses movimentos, no Inverno os peneireiros – cinzentos são mais abundantes nas regiões onde nidificam, por comparação com as zonas onde são exclusivamente invernantes, o que leva a suspeitar que a espécie seja essencialmente sedentária ou que realize apenas pequenas deslocações.

Os ninhos desta espécie encontram-se em árvores de médio ou pequeno porte (ex:sobreiros e azinheiras) e são construidos todos os anos embora a mesma árvore possa ser utilizada em anos sucessivos.
É feita uma postura de 3-4 ovos durando a incubação 26 dias. As crias estão aptas a voar aos 30-35 dias.
A postura é realizada normalmente em meados de Março até finais de Abril ou principio de Maio.



Bibliografia:
(1) Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.

(2) Aves de Portugal: Elanus acaeruleus consultado em http://www.avesdeportugal.info/elacae.html