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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Espécie-do-mês de Outubro 2014: Colhereiro


O colhereiro (Platalea leucorodia) é uma ave que apresenta um dos bicos mais característicos e estranhos da nossa avifauna, sendo por isso bastante fácil de identificar. Este bico tão particular, achatado e em forma de espátula é usado para varrer os lodos e fundos aquáticos em busca de alimento.
De corpo branco, e patas escuras, esta ave apresenta um penacho na nuca durante a época de reprodução, assim como uma pequena mancha amarela na garganta. 
Em voo, a sua silhueta é bastante característica, pescoço bem esticado para a frente e o bico bastante comprido,  o que o torna praticamente inconfundível. Os juvenis apresentam as pontas das asas escuras.


O colhereiro distribui-se essencialmente pelas zonas húmidas ao longo da faixa costeira, e também em alguns pontos do interior sul do país, sendo relativamente escasso no litoral norte. Pode ser observado durante todo o ano em Portugal, podendo haver no entanto indivíduos que são de ocorrência estival, outros de passagem e outros invernantes. Na Ria Formosa e na reserva de Castro Marim encontram-se as maiores concentrações nacionais de colhereiros fora da época de nidificação, sendo o estuário do Tejo uma das áreas mais importantes de passagem e de invernada desta espécie. A presença do colhereiro é regular durante as passagens migratórias e no inverno, em locais como no estuário do Sado e a lagoa de Santo André. Muitas aves provenientes de Espanha e Holanda (e possivelmente de outros países europeus) passam o Inverno no nosso país, havendo igualmente muitos juvenis desta espécie, provenientes de Espanha, que realizam movimentos de dispersão até Portugal.
Esta espécie frequenta estuários, salinas, aquaculturas, pauis, lagoas costeiras, arrozais e açudes, podendo nidificar e invernar tanto em zonas de água-doce, como em zonas com forte influência marinha.




O colhereiro é uma espécie gregária que nidifica em colónias, muitas vezes em conjunto com garças ou cegonhas. Estas colónias normalmente são instaladas em árvores que podem estar dentro ou fora de água. O colhereiro pode também nidificar em zonas de sapal, onde os ninhos ficam sobre a vegetação palustre. Os dados de reprodução desta espécie em Portugal, foram obtidos no Paul do Boquilobo, onde o início das posturas deu-se na última semana de Fevereiro com 2 a 6 ovos. A incubação dura 24 ou 25 dias e as crias estão aptas a sair do ninho com cerca de 30 dias, estando prontas para voar com 45-50 dias de idade. O colhereiro apenas cria uma ninhada por ano, podendo realizar posturas de substituição.

O colhereiro alimenta-se sobretudo de insectos e suas larvas, pequenos peixes, moluscos, crustáceos, rãs, girinos, vermes, sanguessugas, répteis e alguma matéria vegetal que apanha com o seu bico em forma de espátula.



Sabia que…

O colhereiro há muito tempo atrás nidificava em Portugal, acabando esta população nidificante por desaparecer por volta dos anos 70? Só recentemente a espécie recolonizou vários pontos da metade sul do país (primeiros registos datam de 1988 no Paul do Boquilobo). A população de colhereiro nidificante em Portugal parece ter continuado o seu crescimento até à actualidade, assim como se verifica com as populações invernantes e migratórias de passagem, que têm vindo a registar igualmente um aumento acentuado, possivelmente devido ao crescimento populacional na Europa Ocidental.


Bibliografia:

Aves de Portugal, consultado a 10/2014 em: http://www.avesdeportugal.info/plaleu.html
Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.

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