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A mostrar mensagens de Julho, 2012

Devolução à Natureza de um açor e uma águia-calçada em Oliveira do Hospital


No dia 30 de Julho de 2012 às 15h foi devolvido à Natureza um açor (Accipiter gentilis) em Bobadela, Oliveira do Hospital.


Esta ave de rapina juvenil tinha ingressado no CERVAS através do SEPNA/GNR da Lousã após ter sido recolhida debilitada dentro da povoação por particulares.


Após um curto processo de recuperação que consistiu em alimentação e treino de voo em contacto com outras aves de rapina, o açor foi libertado na periferia de Bobadela, numa zona próxima de áreas agrícolas e florestais, na presença de 20 pessoas.



No mesmo dia, às 17h, em Lagares da Beira, Oliveira do Hospital foi devolvida à Natureza uma águia-calçada (Aquila pennata).


Esta ave de rapina adulta tinha sido atropelada no final de Junho e encaminhada para o CERVAS pelos particulares que a encontraram através do SEPNA/GNR da Lousã e Reserva Natural do Paul da Arzila.


Após pouco mais de um mês de recuperação do traumatismo craniano com posterior treino e musculação a ave foi libertada numa zona florestal próxima da estrada onde tinha sido atropelada, na presença de cerca de 15 pessoas.


Devolução à Natureza de 2 mochos-galegos e 1 bufo-real em Almeida


No dia 25 de Julho às 19:30 o CERVAS procedeu à devolução à Natureza de 2 mochos-galegos (Athene noctua) em Almeida.


Ambas as aves tinham sido encontradas em Maio próximo da Escola Secundária Dr. José Casimiro Matias Almeida após queda de ninho, uma situação que já tinha ocorrido em anos anteriores.


As aves permaneceram em recuperação no CERVAS durante cerca de 2 meses e meio, para desenvolvimento da plumagem e treino de voo e caça em conjunto com outros mochos-galegos.


Ao final da tarde, na presença de cerca de 15 pessoas, as aves foram libertadas na periferia de Almeida junto de campos agrícolas e olivais.




De seguida, às 20:30, na aldeia de Azinhal, também no concelho de Almeida, foi devolvido à Natureza um bufo-real (Bubo bubo).


Esta ave tinha sido encontrada por um habitante local no final de 2011 presa numa vedação de arame farpado, um problema que afecta com frequência esta espécie e que geralmente leva à morte ou lesões graves.


Neste caso, graças à rápida e eficaz actuação da pessoa que encontrou a ave bem como da equipa do SEPNA-GNR que a encaminhou para o CERVAS foi possível recuperar as graves lesões que afectavam uma das asas.




Devolução à Natureza de uma coruja-do-mato em Cedovim


No dia 22 de Julho de 2012 o CERVAS procedeu à devolução à Natureza de uma coruja-do-mato (Strix aluco) em Cedovim, Vila Nova de Foz Côa.


Esta ave tinha sido encontrada dentro da aldeia por habitantes locais, ainda com a plumagem em desenvolvimento, após saída do ninho, tendo sido encaminhada para o CERVAS através do SEPNA-GNR de Pinhel.


Após cerca de 2 meses de permanência no centro, em contacto com outras corujas-do-mato para socialização e treino de voo e caça, a ave foi devolvida à Natureza na periferia da aldeia onde tinha sido encontrada, junto de campos agrícolas e manchas florestais.


Cerca de 25 pessoas tiveram a oportunidade de assistir à palestra introdutória e à libertação, sendo de destacar o carinho que demonstraram pelo animal e o interesse em conhecer os principais aspectos da sua ecologia, comportamento e anatomia.


O CERVAS agradece à população de Cedovim a simpática recepção, em particular às funcionárias e habitantes do lar de 3ª idade da aldeia.

Devolução à Natureza de uma ógea na II Feira de Caça da Nave


No dia 22 de Julho de 2012 foi devolvida à Natureza uma ógea (Falco subbuteo) em Alvite, Moimenta da Beira.


Esta acção foi integrada na II Feira de Caça da Nave, um evento organizado pela Associação de Caçadores de Alvite e autarquias locais.


A ógea tinha sido encontrada no início de 2011 por caçadores locais na Serra da Nave e encontrava-se debilitada e com as penas de voo cortadas, o que leva a concluir que poderia ter estado numa situação de cativeiro ilegal, tendo sido enviada para o CERVAS através do SEPNA/GNR.


Após um longo processo de recuperação, de cerca de um ano e meio, que consistiu na muda completa da plumagem, socialização com outras aves de rapina de pequeno porte e treino, a  ógea foi devolvida à Natureza num local próximo de onde tinha sido encontrada, na presença de cerca de 150 pessoas que participavam na feira, maioritariamente caçadores e respectivas famílias.


O CERVAS agradece o empenho e o interesse demonstrado pela Associação de Caçadores de Alvite na recuperação desta ógea, um bom exemplo da importância do papel que o sector cinegético pode desempenhar na conservação das aves de rapina através da divulgação e educação ambiental dos caçadores.


Espécie do mês de Julho: Ógea


A ógea (Falco subbuteo) é um pequeno falcão, de tons escuros, cauda comprida e asas longas e muito pontiagudas. Toda a sua plumagem no dorso é cor de ardósia ao contrário das partes inferiores que são claras. O peito é riscado e no ventre tem uma mancha avermelhada que é visível a pequena distância. A face é branca apresentando um bigode preto que faz lembrar o padrão do falcão-peregrino (Falco peregrinus). A sua forma, em voo, por vezes faz lembrar um andorinhão (Apus apus) gigante.




A ógea ocorre em quase toda a Europa(1) e em Portugal distribui-se principalmente pelo norte e centro, sendo rara ou ausente em vastas áreas do Alentejo e Algarve. (2)
Em Portugal a ógea é estival (2,3), e pode ser vista desde finais de Abril até Setembro ou Outubro. Os primeiros indivíduos são observados no sul no inicio de Abril mas no norte as chegadas dão-se só no final desse mês.(2)
É uma ave tipicamente florestal e que frequenta paisagens mistas com bosques, principalmente pinhais e terrenos agrícolas ou de pousio. Ocorre amiúde junto a pinhais próximos com zonas húmidas, pastos e zonas de cultivo. No verão surge com frequência caçando sobre matos e montanha. (2) 



A ógea ocupa ninhos abandonados de outras aves, principalmente de corvídeos, como os de gralha-preta. As posturas são compostas por 3 ovos, (ocasionalmente 2 e raramente 4), durando a incubação 28 a 31 dias. As crias ficam aptas a voar ao fim de 28-34 dias, tornando-se independentes após mais 30-40 dias.(2)

Alimenta-se sobretudo de insectos (2), como libelinhas (5), e de pequenas aves (2), como os andorinhões e andorinhas (5), que captura em pleno voo. São bastante activos ao crepúsculo, podendo formar inclusive pequenos bandos. (2)



Na Europa a espécie é considerada "Não Ameaçada", e apesar de apresentar um declínio nalguns países, a sua população na Europa encontra-se estável.
Os factores de ameaça são a destruição e degradação de habitat, devido a incêndios, arborizações massivas com eucalipto e destruição de bosquetes ribeirinhos, o abandono agrícola,a utilização de pesticidas principalmente insecticidas, o corte e o abate de árvores com ninhos, o abate ilegal, o roubo de ninhos e a colisão e electrocussão em linhas de média e alta tensão.


 

Bibliografia
(1) Atlas das aves nidificantes em Portugal (ICNB, Novembro de 2008;Lisboa)
(2) Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.
(4) Livro vermelho dos vertebrados de Portugal, ICNB 2005
(5) (Alan Harris 1989), The Mamillan Field Guide To Bird Identification

Devolução à Natureza de um Açor em Gouveia


No dia 4 de Julho, data da celebração do 9º aniversário da Associação ALDEIA, foi devolvido à Natureza um Açor (Accipiter gentilis) em Gouveia.


Esta actividade foi presenciada por 11 alunas do curso de Educação e Formação de Adultos (EFA) de "Serviços de Andares em Hotelaria" do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) de Seia, no âmbito de uma visita ao CERVAS.


Esta ave tinha ingressado no CERVAS no final de 2011 após ter sido encontrada dentro de um galinheiro. Durante o exame físico foram detectadas lesões antigas compatíveis com um acidente traumático e foram necessários vários meses de treino em contacto com outras aves de rapina para se proceder à recuperação do animal tendo em vista a sua devolução à Natureza, que foi realizada num local próximo de zonas florestais e agrícolas.



Durante a visita de cerca de 45 minutos que precedeu a libertação as alunas tiveram a oportunidade de conhecer melhor o trabalho do centro e discutir alguns aspectos relacionadas com a conservação de algumas espécies protegidas, tendo sido focada com particular destaque a problemática do cativeiro ilegal de passeriformes como por exemplo pintassilgos ou melros, ainda frequente na região, mas também de outras espécies como cágados-mediterrânicos ou aves de rapina.