Espécie do mês de Janeiro: Milhafre-real

Esta espécie é residente e pode ser encontrada principalmente em planícies e montados, encostas e bosques, podendo também ser observada em áreas de cultivo (principalmente de cereais) e zonas urbanizadas. A alimentação desta ave é constituída por roedores, pequenos pássaros e peixes, contudo esta adopta, sempre que possível, hábitos necrófagos.
O milhafre-real é normalmente solitário mas no Inverno muitos destes agrupam-se em locais de abrigo. Além disso, é uma espécie que acasala para toda a vida (monógama) sendo possível observá-los aos pares na época de acasalamento.
O período de nidificação tem início em Março e a postura decorre ao longo do mês de Abril, com a deposição de 1 a 3 ovos. Após 31 a 32 dias dá-se a eclosão das crias que irão permanecer aos cuidados dos progenitores durante aproximadamente 50 dias.
Em Portugal encontramos uma população bastante fragmentada, principalmente nos meses de Inverno durante a estadia de populações invernantes provenientes do norte e centro da Europa. Da população residente, 70 a 80% destas aves encontram-se nas regiões do Planalto Mirandês, Ribacôa e entre Castelo Branco e Idanha-a-Nova. O restante efectivo encontra-se disperso em vários locais do Alentejo e das bacias do Mondego e Tejo.
Actualmente, em Portugal, a população nidificante (residente), que se distribui pelo nordeste do território, encontra-se “Criticamente em Perigo” e a população invernante, que envolve quase todas as aves que surgem no Alentejo, tem o estatuto de "Vulnerável", estatutos de conservação definidos pelo ICNB em 2005.
As principais ameaças são o abate ilegal e o envenenamento por consumo de carcaças e iscos. Podemos ainda assinalar a electrocussão em linhas eléctricas, a colisão com as pás dos aerogeradores em parques eólicos, o corte de maciços florestais, o abandono da agricultutra tradicional, a redução da disponibilidade alimentar devido ao cumprimento das exigências higieno-sanitárias e ainda a competição com outras aves de rapina florestais.
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