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Saída de campo para observação de aves na Primavera


No dia 10 de Maio de 2014 o CERVAS e a ViVaVentura organizaram mais uma saída de campo para observação de aves na Serra da Estrela, desta vez dedicada às espécies que ocorrem durante a Primavera.


Durante o dia foram percorridos vários locais no concelho de Gouveia e foi possível registar 58 espécies diferentes, sendo de destacar as estivais como o rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus), a rola-brava (Streptopelia turtur), ou a felosa-poliglota (Hippolais polyglotta)


A meio do dia foi também realizada no Curral do Negro uma acção de devolução à Natureza de um gaio (Garrulus glandarius) que estava em recuperação no CERVAS.


A ave estava em cativeiro ilegal e tinha sido entregue voluntariamente pela pessoa que a mantinha em casa, alguns dias após terem sido divulgadas nos meios de comunicação social notícias relacionadas com as coimas elevadas que podem ser aplicadas neste tipo de situações.


O CERVAS e a ViVaVentura continuarão a colaborar na organização de saídas de campo de observação de aves, que serão divulgadas aqui.

Devolução à Natureza de uma cobra-rateira em Gouveia


No dia 9 de Maio de 2014 foi devolvida à Natureza uma cobra-rateira (Malpolon monspessulanus) em Gouveia.


Este animal tinha sido apanhado por um particular minutos antes de uma equipa do SEPNA/GNR de Gouveia passar pelo local.


De imediato, o animal foi recolhido pelas autoridades, uma vez que o local apresentava alguns riscos para a cobra por ser dentro do espaço urbano da cidade.


No CERVAS foi efectuado um breve exame físico e recolha de biometrias, e constatou-se que a cobra-rateira estava apta para ser devolvida à Natureza num local considerado seguro.


Sempre que encontrar uma cobra o procedimento mais correcto é afastar-se e deixar que o animal tenha tempo e espaço para seguir o seu caminho.


A maior parte das espécies comuns em Portugal, como é o caso da cobra-rateira, não são perigosas para o homem. No entanto, a manipulação deve ser evitada.


É importante referir também que estes animais são benéficos para o homem por se alimentarem de roedores, insectos e outros animais que podem ser prejudiciais à agricultura.

"Os cágados vão à escola" em Fornos de Algodres


No dia 6 de Maio de 2014 decorreu uma acção de sensibilização sobre cágados na Biblioteca da Escola Básica e Secundária de Fornos de Algodres.


Durante a manhã foram realizadas 5 sessões para 6 turmas dos 5º e 8º anos onde foram apresentadas algumas das problemáticas de conservação dos cágados autóctones, com destaque para as que estão relacionadas com as espécies exóticas invasoras.


Tal como em sessões anteriores, as cerca de 120 crianças e professores participantes tinham sido contactados previamente para que pudessem levar para a sessão os cágados que tivessem em casa. 


Desta forma, foi possível proceder à identificação de diversos indivíduos, explicar a importância de os manter em cativeiro em boas condições e as razões pelas quais estes animais nunca devem ser introduzidos no meio natural.


Em paralelo foram apresentados alguns dos problemas de saúde pública humana relacionados com a posse de cágados, de forma a que todas as crianças e professores fiquem com a informação necessária para não correrem riscos sanitários.


Os 5 animais que foram levados pelos participantes eram dos géneros Pseudemys sp. e Graptemys sp., de comercialização e posse legais, mas foram fornecidas informações que poderão permitir o resgate de pelo menos dois animais pertencentes à espécie protegida cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa), actualmente em cativeiro ilegal, para que possam ser recuperados e devolvidos à Natureza no futuro.



O CERVAS agradece à Equipa de Revitalização do Património do Município de Fornos de Algodres e à Escola Básica e Secundária a colaboração na dinamização da acção e está disponível para futuras parcerias. Por último, fica também um agradecimento ao Parque Biológico de Gaia pela cedência de desenhos para a apresentação e cartaz.


CERVAS participou no 2º Seminário sobre Medicina da Conservação em Évora


Nos dias 2 e 3 de Maio de 2014 decorreu o 2º Seminário sobre Medicina da Conservação - Doenças Infecto - Contagiosas e as suas implicações na Conservação, na Universidade de Évora.


Este evento foi organizado pela 3V, Lda em parceria com a Universidade de Évora e contou com a participação de diversos oradores nacionais e estrangeiros.


O CERVAS apresentou uma comunicação oral sobre o tema "Medicina Veterinária Forense aplicada à conservação de aves selvagens - aspectos médico-legais".


Devolução à Natureza de 2 milhafres-pretos na Mata Nacional do Choupal


No dia 2 de Maio de 2014 às 11:30 foram devolvidos à Natureza dois milhafres-pretos (Milvus migrans) na Mata Nacional do Choupal, em Coimbra.


Ambas as aves tinham ingressado no CERVAS no final do Verão de 2013, após terem sido feridas com tiros, logos nos primeiros dias após a abertura da actividade cinegética. Devido à gravidade das lesões os processos de recuperação foram longos e os milhafres tiveram que passar os meses de Outono e Inverno no centro, aguardando o regresso desta espécie migratória ao nosso país na Primavera de 2014.


A devolução à Natureza foi realizada num local que nesta época do ano é frequentado por um grande número de milhafres-pretos, de forma a facilitar a reintegração na Natureza, e as interacções com os milhafres que sobrevoavam a zona foi imediata.


Acção de formação sobre Detecção de Veneno e Furtivismo


No dia 30 de Abril de 2014 decorreu no Sabugal uma acção de formação sobre Detecção de Veneno e Furtivismo no âmbito do projecto LIFE MEDWOLF.


O CERVAS/ALDEIA participou neste evento organizado pelo Grupo Lobo com a comunicação oral sobre "Procedimentos a ter em casos de envenenamento - apresentação dos kits Programa Antídoto - Portugal", dirigida principalmente aos agentes do SEPNA/GNR e Vigilantes da Natureza.


O Grupo Lobo apresentou os resultados da monitorização do lobo no âmbito do MEDWOLF, a Quercus apresentou o projecto LIFE "Inovação contra o uso de veneno", o SEPNA-GNR abordou a detecção de actividades ilegais - laços e armadilhas e finalmente foi apresentado o projecto "Perros contra el veneno" - uso de cães de detecção de venenos por parte de Jesus Valladolid, de Espanha.


Na sequência da ultima apresentação foi realizada uma demonstração do uso de cães de detecção de venenos, uma ferramenta que há cerca de uma década existe em Espanha, com excelentes resultados e que já começa a chegar a Portugal, tendo esta acção servido para apoiar a formação das autoridades portuguesas nesta área de trabalho contra o uso ilegal de venenos.


Para obter mais informações sobre o que fazer em casos de envenenamento de fauna pode consultar o sítio do Programa Antídoto - Portugal aqui.



Devolução à Natureza de 1 águia-d´asa-redonda em Gouveia nos 40 anos do 25 de Abril


No dia 25 de Abril de 2014 foi devolvida à Natureza uma águia-d´asa-redonda (Buteo buteo) em Gouveia.


Esta ave tinha sido recolhida após ter sido ferida com um tiro, e encaminhada de imediato para o CERVAS pelas pessoas que a encontraram.


A águia apresentava feridas e hematomas numa das asas mas não tinha fracturas. Por isso, o processo de recuperação foi relativamente rápido e consistiu no tratamento das lesões e treino de voo em contacto com outras aves de rapina diurnas. A rapidez na entrega do animal também foi decisiva no sucesso do processo de recuperação.


A devolução à Natureza decorreu em Gouveia, e foi integrada no programa de actividades de comemoração dos 40 anos do 25 de Abril, organizado pela Junta de Freguesia de S. Pedro (Gouveia) e pela Urze - Associação Florestal da Encosta da Serra da Estrela. O CERVAS agradece o convite e continua disponível para futuras acções de colaboração.



Workshop de Recuperação de Aves Selvagens na Ilha do Pico, Açores.


Nos dias 23 e 24 de Abril de 2014 o CERVAS dinamizou um workshop de recuperação de aves selvagens na ilha do Pico, Açores.


Esta acção foi promovida pelo Parque Natural da Ilha do Pico / Secretaria Regional dos Recursos Naturais dos Açores e foi dirigida a vigilantes da Natureza e técnicos de diversas entidades da região que têm lidado com casos de recolha de aves feridas e debilitadas nos últimos anos.


O programa do curso foi semelhante ao de anteriores actividades que o CERVAS dinamizou no arquipélago dos Açores, com um dia de formação teórica e outro totalmente dedicado às componentes prácticas.


Foram abordados diversos assuntos, desde a captura e manipulação de diversas espécies de aves até às técnicas de exame físico, imobilização de fracturas e administração de fluidoterapia e medicamentos, entre outros.


Um objectivo adicional foi avançar com o processo de criação de um centro de recuperação de fauna selvagem na ilha do Pico, que servirá pelo menos o grupo central do arquipélago ao nível da recepção e tratamento de aves, e por essa razão a temática do desenho de instalações foi também abordada.


Com o objectivo de divulgar as potencialidades dos centros de recuperação de animais selvagens foi também realizada uma palestra sobre o trabalho do CERVAS aberta à população, integrada no programa de actividades de comemoração do Dia Mundial da Terra, a 22 de Março, no Centro de Visitantes da Gruta das Torres, o maior tubo lávico conhecido em Portugal.


Os técnicos do CERVAS agradecem o convite do Parque Natural da Ilha do Pico para a dinamização da acção de formação, e em particular ao Vigilante da Natureza Valter Medeiros e ao Director Manuel Paulino Costa por toda a hospitalidade, felicitando-os e a toda a sua equipa pelo excelente trabalho de conservação do património natural desta fantástica ilha.

Dia da Mãe


Porque todas as mães são Mãe Coruja, ofereça uma à sua no dia dedicado a todas as Mães!

Ao oferecer um apadrinhamento de um animal selvagem em recuperação no CERVAS estará a contribuir igualmente para a melhoria das condições dos animais em recuperação neste centro e poderá ter a possibilidade de assistir, com a sua mãe, à devolução à Natureza do animal apadrinhado, (se tal for possível no final do processo de recuperação).

Com o apadrinhamento receberá por correio um certificado de apadrinhamento, assim como um postal CERVAS Dia da Mãe, onde poderá escrever uma mensagem especial à sua mãe coruja
Através de e-mail, (o seu ou de algum familiar próximo), enviaremos informação sobre a espécie apadrinhada e uma foto do animal apadrinhado para que possa juntar ao presente.
O contacto de e-mail fornecido será inserido na lista de divulgação do CERVAS para que toda a família possa receber informações sobre as próximas actividades em que poderão participar, tornando-se, desta forma, membros activos na dinamização da recuperação de animais selvagens em Portugal.

Contributo mínimo de 15€

(Buteo buteo)
(Falco tinnunculus)
(Milvus migrans)
Tartaranhão-ruivo-dos-pauis
(Circus aeruginosus)
(Aquila pennata)
(Otus scops)
(Athene noctua)
(Tyto alba)
(Strix aluco)
(Ciconia ciconia)
(Corvus corone)

Contributo mínimo de 25€

(Milvus milvus)
(Accipiter gentilis)

Nota: os valores indicados referem-se a apadrinhamento individual/particular. Caso pretenda ceder apoios através de uma instituição / empresa, os valores mínimos serão de 250€ para qualquer espécie indicada anteriormente (podendo ser deduzidos no IRS ao abrigo da lei do mecenato ambiental).

Descarregue a ficha de apadrinhamento AQUI!

Contactos:
Telem: 927713585
E-mail: cervas.pnse@gmail.com
Morada: CERVAS/Associação ALDEIA
Apartado 126
6290-909 Gouveia

Modos de pagamento:

CHEQUE: Em nome de Associação ALDEIA enviado juntamente com a ficha de inscrição para a morada em cima mencionada.

TRANSFERÊNCIA*: NIB: 003503540003190733089 (Caixa Geral de Depósitos de Gouveia)

* Enviar comprovativo de transferência por correio para a morada acima indicada, ou por correio electrónico para cervas.pnse@gmail.com

Espécie do mês de Maio: Bufo-pequeno


O bufo-pequeno (Asio otus) conhecido igualmente por toupeirão, ou simplesmente mocho, é uma espécie de ave de rapina nocturna relativamente discreta, sendo por isso mal conhecida entre nós.

O bufo-pequeno tem “orelhas” como o bufo-real mas é bem mais pequeno e delgado, e possui olhos cor-de-laranja e disco facial castanho-arruivado.


Através de observações desta espécie na época de nidificação, pressupõe-se que deverá ter uma distribuição alargada, abrangendo a maior parte das regiões de Portugal Continental, ocorrendo, no entanto, em densidades muito baixas. Na Estremadura é possível que seja mais numeroso do que no resto do país.


Apesar de não existirem dados que o comprovem, é provável que a população nidificante seja essencialmente sedentária, no entanto durante a época fria sabe-se que chegam ao nosso país indivíduos migradores, muitos derivados de movimentos dispersantes de indivíduos nacionais.

O bufo-pequeno prefere sempre orlas de bosques ou bosquetes com acesso a terrenos de caça abertos nas proximidades. Durante a época reprodutora encontra-se em zonas com pinhais, montados de sobro e azinho e carvalhais. Noutras épocas do ano, os bufos pequenos podem ser vistos em áreas abertas, amplas e desprovidas de árvores, nomeadamente em lezírias com pastagens e campos agrícolas, incluindo arrozais, podendo mesmo nidificar em zonas com muito poucas árvores.


Os ninhos de bufo-pequeno são frequentemente instalados em sobreiros, azinheiras e pinheiros-mansos, embora a utilização de ninhos de outras aves também é conhecida. Não se sabe muito acerca do período de canto mais intenso desta espécie em Portugal, embora as aves adultas se façam ouvir sobretudo durante o Inverno (de Janeiro a Março). As posturas desta espécie são compostas normalmente por 3 a 5 ovos que são incubados durante 25 a 30 dias. As crias abandonam o ninho com cerca de 21 a 24 dias de idade, muito antes de saberem voar, escondendo-se nos ramos próximos do local onde nasceram e continuando a serem alimentadas pelos progenitores.



A base da dieta do bufo-pequeno é composta essencialmente por pequenos roedores, embora os insectos e as aves possam também fazer parte da sua dieta.



Bibliografia:
- Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.
- STRI Rapinas nocturnas: Acedido em 10 de Maio de 2014 em http://rapinasnocturnas.blogspot.pt/


Espécie do mês de Abril: Coelho-bravo

Juvenil de coelho-bravo

O coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) é uma das duas subespécies que ocorrem na Península Ibérica. Mais pequeno e menos esguio que as lebres, o coelho-bravo possui orelhas com um comprimento inferior ao da cabeça e com as pontas castanhas. O pêlo do ventre é cinzento-azulado e a zona superior do pescoço tem uma mancha castanho-avermelhada. A superfície superior da cauda é castanho-escura sendo branca por baixo, característica esta visível quando foge.

O habitat típico do coelho-bravo é composto por um mosaico de pastagens e culturas intercaladas com bosques e matagais mediterrânicos. O coelho-bravo prefere zonas de orla privilegiando a proximidade às áreas de alimentação e aos locais de abrigo. Necessitam de solos secos, bem drenados e pouco compactados que lhes permitam a construção de tocas. O sistema de tocas que o coelho-bravo possui, tem a designação de coelheira, sendo este um sistema de túneis subterrâneos que a maioria dos coelhos escava. As características da coelheira dependem do habitat e da densidade populacional.

Os coelhos são territoriais, formando grupos familiares organizados. Os machos dominantes marcam o seu território através da deposição de excrementos em latrinas e da secreção de diversas glândulas e urina. O coelho-bravo possui normalmente uma actividade crepuscular e nocturna, podendo também ter uma actividade diurna quando não há perturbação por parte do Homem.
O coelho-bravo é uma espécie que adapta o seu ciclo reprodutivo às características do meio em que se encontra. Os coelhos atingem precocemente a maturidade sexual (com menos de um ano), ocorrendo a época de reprodução entre os meses de Outubro e Junho, havendo uma pausa reprodutiva durante os meses de Verão (Julho a Setembro), altura em que o alimento é pouco abundante e de qualidade inferior. Durante a época de reprodução as fêmeas podem construir uma pequena toca próximo das tocas principais. A gestação dura entre 28 e 30 dias e em média nascem 4 crias sem pêlo e com os olhos fechados, permanecendo na toca de reprodução durante uns 20 dias. Cada fêmea pode ter até 3 a 4 ninhadas por ano.


O coelho-bravo é um animal herbívoro, consumindo principalmente plantas herbáceas, apresentando no entanto, preferência pelas gramíneas. A sua dieta está dependente do tipo de alimento disponível e da época do ano, sendo assim, no Verão altura em que diminui a quantidade de gramíneas verdes, o coelho-bravo alimenta-se de outras herbáceas, bem como de plantas de porte arbustivo, como a esteva.

Os efectivos populacionais de coelho-bravo têm vindo a diminuir, em parte devido à deterioração do habitat provocada pelo abandono da agricultura tradicional, a actividade cinegética desordenada e excessiva, e a prevalência de doenças víricas como a mixomatose e a doença hemorrágica viral.

Devolução à Natureza de uma coruja-do-mato em Penalva de Alva


No dia 1 de Abril de 2014 foi devolvida à Natureza uma coruja-do-mato (Strix aluco) em Penalva de Alva, Oliveira do Hospital.


Depois de acções anteriores realizadas neste local em 2010 e em 2012, em que foram devolvidas à Natureza corujas-das-torres (Tyto alba) que tinham caído do ninho, desta vez tratou-se de uma coruja-do-mato que tinha sido encontrada no interior de uma habitação e recolhida por particulares que a encaminharam para o CERVAS através do SEPNA/GNR da Lousã.


No momento do ingresso no centro, no início de Março de 2014, não foram detectadas lesões mas a ave estava debilitada e com um peso abaixo do normal. O processo de recuperação foi rápido e consistiu em alimentação e posteriormente treino de voo e caça em conjunto com outras aves da mesma espécie.


Como a coruja tinha sido encontrada dentro da povoação a devolução à Natureza não teve lugar exactamente no mesmo local mas sim numa zona florestal relativamente próxima, que reunia as condições adequadas para a espécie.