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Workshop de primeiros socorros a aves selvagens em Ponta Delgada, Açores


Nos dias 14 e 15 de Novembro de 2013 a Associação ALDEIA / CERVAS dinamizou um workshop de primeiros socorros a aves selvagens em Ponta Delgada, Açores.



Esta actividade foi organizada pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) - Açores, e foi dirigida a agentes do SEPNA/GNR, Vigilantes da Natureza, técnicos florestais e ambientais, investigadores universitários e representantes de várias entidades do arquipélago.



O curso teve um dia de componentes teóricas relacionadas com diversos aspectos da recuperação de aves selvagens, desde instalações a casos clínicos, e outro totalmente prático, recorrendo a cadáveres de diversas espécies de aves existentes nos Açores para treino de diferentes técnicas.



O objectivo do evento foi capacitar os técnicos envolvidos na formação com os conhecimentos necessários para realizar uma primeira avaliação às aves selvagens recolhidas feridas e realização de procedimentos de emergência que possam ser necessários e úteis.



A situação actual apresenta algumas dificuldades, pela limitação em termos de estruturas que permitam realizar a recuperação de aves nos Açores, pois existem muitas situações em que são encontrados animais feridos, como por exemplo durante as campanhas SOS Cagarro, mas não só.



Apesar do CERVAS ter que lidar com uma realidade diferente da dos Açores espera-se que a formação tenha sido útil para ajudar a resolver situações que ocorram a curto prazo e que tenha contribuído com um novo impulso para eventuais esforços que se venham a desenvolver para a criação de espaços que permitam a recuperação de aves feridas e debilitadas, caso as entidades responsáveis o considerem necessário.



O excelente projecto de cooperação que já decorre há vários anos direccionado para a recolha de cagarros (Calonectris diomedea borealis) e outras aves marinhas pode ser uma referência e uma base a aplicar em eventuais futuros projectos que possam desenvolver-se para a recolha e recuperação de outras espécies de aves nos Açores, complementados com acções de investigação e educação ambiental, a partir de um, ou vários, centros.



O CERVAS agradece à SPEA pelo convite e por toda a colaboração durante o evento, e está disponível para futuras acções.

Devolução à Natureza de uma coruja-das-torres em Mealhada


No dia 12 de Novembro de 2013 foi devolvida à Natureza uma coruja-das-torres (Tyto alba) em Mealhada.


Esta ave tinha sido encontrada no Verão de 2012 na berma de uma estrada, após ter sido atropelada. As pessoas que a recolheram encaminharam-na para o CERVAS através do SEPNA/GNR de Anadia e Reserva Natural do Paul da Arzila.


O processo de recuperação foi longo e consistiu no tratamento das fracturas e lesões oculares, renovação da plumagem e posteriormente treino de voo e caça em conjunto com outras corujas-das-torres.


A libertação foi realizada num local próximo de onde a coruja tinha sido encontrada, junto a zonas campos agrícolas e zonas florestais.

Devolução à Natureza de uma coruja-do-mato em Coimbra


No dia 12 de Novembro de 2013 foi devolvida à Natureza uma coruja-do-mato (Strix aluco) na Escola Superior Agrária (ESA) de Coimbra.


Esta ave tinha sido encontrada após queda precoce do ninho, quando ainda era uma pequena cria, e entregue pelas pessoas que a recolheram ao SEPNA/GNR de Coimbra, que por sua vez a encaminhou para o polo de recepção de animais selvagens da Mata Nacional do Choupal.


No momento do ingresso no CERVAS a coruja não apresentava lesões e o processo de recuperação consistiu no desenvolvimento da plumagem, treino de voo e caça e socialização com outras aves da mesma espécie.


A devolução à Natureza foi realizada num local próximo de onde a ave tinha sido encontrada, na presença de funcionários, actuais e ex-estudantes, e professores da ESA.



CERVAS colaborou com o ICNF em acção de formação em Viseu


Nos dias 11 e 12 de Novembro o CERVAS colaborou com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) na dinamização de uma acção de formação que decorreu em Viseu para Vigilantes da Natureza e técnicos da região centro.


Os técnicos do CERVAS abordaram a temática da captura, contenção e transporte de espécies selvagens autóctones. Foram apresentadas diversas técnicas e utilizados cadáveres de algumas espécies e animais irrecuperáveis, de forma a que vigilantes e técnicos pudessem treinar e ganhar mais experiência.


Para além da disponibilização de informação e possibilidade de treino foram também abordados problemas relacionados com o trabalho diário relacionado com a recolha e envio de animais para os centros de recuperação, tendo em vista a melhoria dos procedimentos no futuro.


O CERVAS aproveitou a excelente oportunidade para apresentar o LIFE - MEDWOLF aos elementos que trabalham em áreas protegidas que estão dentro da área geográfica do projecto, com o objectivo de conseguir a sua colaboração na recolha de informações e de forma a uniformizar procedimentos futuros que estejam relacionados com as acções em a Associação ALDEIA estará envolvida.




Espécie do mês de Novembro: Ferreirinha-serrana



A ferreirinha-serrana (Prunella Collaris), também conhecida por ferreirinha-alpina é um passeriforme que ocorre em Portugal durante o Inverno, sendo considerada uma espécie invernante rara e localizada.
A ferreirinha-serrana apresenta uma plumagem acinzentada na cabeça com tons acastanhados no resto do corpo. Possui um bico fino com amarelo na base, e apresenta os flancos riscados de cor-de-laranja.



Apesar de a ferreirinha-serrana ser considerada rara no nosso país, apresenta uma distribuição alargada, embora localizada, durante o seu período de invernada. É invernante regular na região da Peneda Gerês, na serra da Estrela, nas Portas de Rodão e no Castelo de Marvão, embora a zona onde a sua ocorrência seja mais bem conhecida, seja a serra de Sintra, ocorrendo em diversos pontos desta serra.

A ferreirinha-serrana frequenta normalmente zonas expostas, de solo rochoso e vegetação esparsa, situadas quer em montanhas, quer em promontórios costeiros ou mesmo ruínas e construções situadas em locais elevados, como por exemplo, castelos. Esta espécie ocorre desde um pouco acima do nível do mar até ao topo da serra da estrela, frequentando ai as zonas mais altas, mesmo quando a serra está coberta de neve.
Dado que muitas das zonas onde a ferreirinha-serrana ocorre, são isoladas e de difícil acesso, a sua prospecção torna-se igualmente difícil, por isso é possível que a sua abundância e distribuição se encontrem subestimadas.


Normalmente a ferreirinha-serrana é observada em pequenos grupos de 3 a 6 indivíduos, embora a maior parte dos registos se reportem a aves isoladas.
A ferreirinha-serrana ocorre em Portugal de finais de Outubro a finais de Março, embora muitas vezes possa ser encontrada a partir de finais de Setembro. A origem destas aves invernantes é desconhecida, apesar de ser provável que envolva indivíduos dos maciços montanhosos espanhóis e, porventura, também dos Alpes.

A ferreirinha-serrana alimenta-se de insectos e também de pequenas sementes, que procura no solo.

Bibliografia: 
Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.

Mini-Workshop Práctico de Necrópsia de Aves Selvagens (2ª Edição) no CERVAS


Nos dias 2 e 3 de Novembro de 2013 a ALDEIA / CERVAS organizou a 2ª edição do Mini-Workshop Práctico de Necrópsia de Aves Selvagens em Gouveia.



Esta actividade decorreu nos mesmos moldes da edição anterior e teve como objectivo disponibilizar informação sobre a técnica de necrópsia de aves selvagens, com destaque para os aspectos de maior relevância para a clínica de recuperação, com uma abordagem totalmente prática.


Os 6 participantes tiveram a oportunidade de realizar necrópsias em 18 aves de 11 espécies diferentes, principalmente de rapinas diurnas e nocturnas, e assim aumentar o seu conhecimento e experiência ao nível da anatomia comparada e principais problemas detectados na necrópsia a partir dos centros de recuperação.



Devolução à Natureza de uma lebre-ibérica em Gouveia


No dia 26 de Outubro de 2013 foi devolvida uma lebre-ibérica (Lepus granatensis) no Parque Natural da Serra da Estrela, em Gouveia.


Este animal tinha sido encontrado na berma de uma estrada, após ter sofrido um atropelamento, e foi encaminhado para o CERVAS pelas pessoas que o recolheram.


No momento do ingresso a lebre ainda apresentava sinais de descoordenação motora e dificuldade de locomoção devido ao trauma que tinha sofrido e a recuperação passou por tratamento da sintomatologia neurológica, repouso e alimentação adequada.


A devolução à Natureza decorreu durante uma actividade do Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE), uma saída de campo para identificação de cogumelos silvestres.


O local escolhido para a devolução à Natureza foi uma zona elevada, com áreas abertas intercaladas com matos, próxima de zonas florestais, com condições adequadas à espécie e sem actividade cinegética.

Devolução à Natureza de 1 milhafre-real em Almeida


No dia 16 de Outubro de 2013 foi devolvido à Natureza um milhafre-real (Milvus milvus) em Almeida.


Esta ave juvenil tinha sido encontrada no chão, ferida, por particulares que encaminharam o animal para o CERVAS através de técnicos do Parque Natural do Douro Internacional.


No momento do ingresso no CERVAS o milhafre apresentava uma fractura numa das asas, pelo que foi necessário proceder ao tratamento da lesão, e de seguida treino de voo em conjunto com outras aves de rapina diurnas.


A devolução à Natureza foi realizada com alunos, professores e auxiliares da Escola Básica e Secundária Dr. José Casimiro Matias, em Almeida, a quem o CERVAS agradece o interesse e empenho na dinamização da acção.



Antes da libertação realizou-se uma acção de educação ambiental dedicada às aves de rapina diurnas, com particular ênfase na ecologia e identificação dos principais grupos existentes na região, recorrendo a diversos tipos de materiais didácticos e biológicos.


Os problemas de conservação e ameaças foram também abordados, tendo sido dado um destaque especial à problemática do envenenamento, que afecta espécies de hábitos necrófagos como o milhafre-real, mas também outras espécies ameaçadas, como é o caso do lobo-ibérico (Canis lupus signatus).



Por isso, no âmbito do projecto LIFE MED-WOLF, no qual a ALDEIA desenvolve acções relacionadas com a problemática do uso ilegal de venenos, foram abordadas as consequências do uso de venenos e o que deve ser feito quando se detectam situações que estejam relacionadas com esta ameaça à conservação da fauna selvagem.



Devolução à Natureza de 1 abutre-preto e 2 grifos na Reserva Natural da Serra da Malcata


No dia 16 de Outubro de 2013 foram devolvidos à Natureza 1 abutre-preto (Aegypius monachus) e 2 grifos (Gyps fulvus) na Reserva Natural da Serra da Malcata (RNSM), Sabugal.


Esta acção fez parte do programa do dia aberto e aniversário da área protegida, que também incluiu visita à reserva, passeio micológico e anilhagem de aves, entre outras actividades.



O abutre-preto era um indivíduo juvenil que tinha sido encontrado debilitado em Aldeia do Bispo, concelho da Guarda, e encaminhado para o CERVAS pelas pessoas que o encontraram e entregaram ao SEPNA/GNR da Guarda.



No momento do ingresso a ave não apresentava lesões e apenas foi necessário fazer a recuperação da condição física, treino de voo para musculação e socialização com outros abutres num túnel de voo de grandes dimensões.


Antes da devolução à Natureza o animal foi anilhado com anilha metálica e em pvc e marcado com marcas alares por técnicos do CERAS de Castelo Branco.



Esta metodologia de seguimento através da colocação de marcas alares aumenta a probabilidade do animal ser observado, o que que dará informações em relação aos movimentos do indivíduo.



Optou-se por realizar uma sessão aberta, na presença de vigilantes da Natureza e outras pessoas, com o objectivo de divulgar a importância da monitorização de aves marcadas e encaminhamento da informação obtida.



De seguida, foram também marcados com a mesma técnica 2 grifos, também juvenis, que tinham sido encontrados debilitados em Barca d´Alva e Castro Daire, e que foram encaminhados para o CERVAS pelas equipas do SEPNA/GNR de Vilar Formoso e Viseu, respectivamente.




O local da devolução à Natureza apresenta as condições ideais para ambas as espécies de abutres e estava próximo de um campo de alimentação de aves necrófagas que é gerido pela RNSM.



O CERVAS agradece a colaboração dos técnicos do CERAS e disponibilidade para a marcação dos abutres e à RNSM pela integração da acção no programa do evento.