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Devolução à Natureza de uma coruja-das-torres em Mealhada


No dia 12 de Novembro de 2013 foi devolvida à Natureza uma coruja-das-torres (Tyto alba) em Mealhada.


Esta ave tinha sido encontrada no Verão de 2012 na berma de uma estrada, após ter sido atropelada. As pessoas que a recolheram encaminharam-na para o CERVAS através do SEPNA/GNR de Anadia e Reserva Natural do Paul da Arzila.


O processo de recuperação foi longo e consistiu no tratamento das fracturas e lesões oculares, renovação da plumagem e posteriormente treino de voo e caça em conjunto com outras corujas-das-torres.


A libertação foi realizada num local próximo de onde a coruja tinha sido encontrada, junto a zonas campos agrícolas e zonas florestais.

Devolução à Natureza de uma coruja-do-mato em Coimbra


No dia 12 de Novembro de 2013 foi devolvida à Natureza uma coruja-do-mato (Strix aluco) na Escola Superior Agrária (ESA) de Coimbra.


Esta ave tinha sido encontrada após queda precoce do ninho, quando ainda era uma pequena cria, e entregue pelas pessoas que a recolheram ao SEPNA/GNR de Coimbra, que por sua vez a encaminhou para o polo de recepção de animais selvagens da Mata Nacional do Choupal.


No momento do ingresso no CERVAS a coruja não apresentava lesões e o processo de recuperação consistiu no desenvolvimento da plumagem, treino de voo e caça e socialização com outras aves da mesma espécie.


A devolução à Natureza foi realizada num local próximo de onde a ave tinha sido encontrada, na presença de funcionários, actuais e ex-estudantes, e professores da ESA.



CERVAS colaborou com o ICNF em acção de formação em Viseu


Nos dias 11 e 12 de Novembro o CERVAS colaborou com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) na dinamização de uma acção de formação que decorreu em Viseu para Vigilantes da Natureza e técnicos da região centro.


Os técnicos do CERVAS abordaram a temática da captura, contenção e transporte de espécies selvagens autóctones. Foram apresentadas diversas técnicas e utilizados cadáveres de algumas espécies e animais irrecuperáveis, de forma a que vigilantes e técnicos pudessem treinar e ganhar mais experiência.


Para além da disponibilização de informação e possibilidade de treino foram também abordados problemas relacionados com o trabalho diário relacionado com a recolha e envio de animais para os centros de recuperação, tendo em vista a melhoria dos procedimentos no futuro.


O CERVAS aproveitou a excelente oportunidade para apresentar o LIFE - MEDWOLF aos elementos que trabalham em áreas protegidas que estão dentro da área geográfica do projecto, com o objectivo de conseguir a sua colaboração na recolha de informações e de forma a uniformizar procedimentos futuros que estejam relacionados com as acções em a Associação ALDEIA estará envolvida.




Espécie do mês de Novembro: Ferreirinha-serrana



A ferreirinha-serrana (Prunella Collaris), também conhecida por ferreirinha-alpina é um passeriforme que ocorre em Portugal durante o Inverno, sendo considerada uma espécie invernante rara e localizada.
A ferreirinha-serrana apresenta uma plumagem acinzentada na cabeça com tons acastanhados no resto do corpo. Possui um bico fino com amarelo na base, e apresenta os flancos riscados de cor-de-laranja.



Apesar de a ferreirinha-serrana ser considerada rara no nosso país, apresenta uma distribuição alargada, embora localizada, durante o seu período de invernada. É invernante regular na região da Peneda Gerês, na serra da Estrela, nas Portas de Rodão e no Castelo de Marvão, embora a zona onde a sua ocorrência seja mais bem conhecida, seja a serra de Sintra, ocorrendo em diversos pontos desta serra.

A ferreirinha-serrana frequenta normalmente zonas expostas, de solo rochoso e vegetação esparsa, situadas quer em montanhas, quer em promontórios costeiros ou mesmo ruínas e construções situadas em locais elevados, como por exemplo, castelos. Esta espécie ocorre desde um pouco acima do nível do mar até ao topo da serra da estrela, frequentando ai as zonas mais altas, mesmo quando a serra está coberta de neve.
Dado que muitas das zonas onde a ferreirinha-serrana ocorre, são isoladas e de difícil acesso, a sua prospecção torna-se igualmente difícil, por isso é possível que a sua abundância e distribuição se encontrem subestimadas.


Normalmente a ferreirinha-serrana é observada em pequenos grupos de 3 a 6 indivíduos, embora a maior parte dos registos se reportem a aves isoladas.
A ferreirinha-serrana ocorre em Portugal de finais de Outubro a finais de Março, embora muitas vezes possa ser encontrada a partir de finais de Setembro. A origem destas aves invernantes é desconhecida, apesar de ser provável que envolva indivíduos dos maciços montanhosos espanhóis e, porventura, também dos Alpes.

A ferreirinha-serrana alimenta-se de insectos e também de pequenas sementes, que procura no solo.

Bibliografia: 
Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.

Mini-Workshop Práctico de Necrópsia de Aves Selvagens (2ª Edição) no CERVAS


Nos dias 2 e 3 de Novembro de 2013 a ALDEIA / CERVAS organizou a 2ª edição do Mini-Workshop Práctico de Necrópsia de Aves Selvagens em Gouveia.



Esta actividade decorreu nos mesmos moldes da edição anterior e teve como objectivo disponibilizar informação sobre a técnica de necrópsia de aves selvagens, com destaque para os aspectos de maior relevância para a clínica de recuperação, com uma abordagem totalmente prática.


Os 6 participantes tiveram a oportunidade de realizar necrópsias em 18 aves de 11 espécies diferentes, principalmente de rapinas diurnas e nocturnas, e assim aumentar o seu conhecimento e experiência ao nível da anatomia comparada e principais problemas detectados na necrópsia a partir dos centros de recuperação.



Devolução à Natureza de uma lebre-ibérica em Gouveia


No dia 26 de Outubro de 2013 foi devolvida uma lebre-ibérica (Lepus granatensis) no Parque Natural da Serra da Estrela, em Gouveia.


Este animal tinha sido encontrado na berma de uma estrada, após ter sofrido um atropelamento, e foi encaminhado para o CERVAS pelas pessoas que o recolheram.


No momento do ingresso a lebre ainda apresentava sinais de descoordenação motora e dificuldade de locomoção devido ao trauma que tinha sofrido e a recuperação passou por tratamento da sintomatologia neurológica, repouso e alimentação adequada.


A devolução à Natureza decorreu durante uma actividade do Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE), uma saída de campo para identificação de cogumelos silvestres.


O local escolhido para a devolução à Natureza foi uma zona elevada, com áreas abertas intercaladas com matos, próxima de zonas florestais, com condições adequadas à espécie e sem actividade cinegética.

Devolução à Natureza de 1 milhafre-real em Almeida


No dia 16 de Outubro de 2013 foi devolvido à Natureza um milhafre-real (Milvus milvus) em Almeida.


Esta ave juvenil tinha sido encontrada no chão, ferida, por particulares que encaminharam o animal para o CERVAS através de técnicos do Parque Natural do Douro Internacional.


No momento do ingresso no CERVAS o milhafre apresentava uma fractura numa das asas, pelo que foi necessário proceder ao tratamento da lesão, e de seguida treino de voo em conjunto com outras aves de rapina diurnas.


A devolução à Natureza foi realizada com alunos, professores e auxiliares da Escola Básica e Secundária Dr. José Casimiro Matias, em Almeida, a quem o CERVAS agradece o interesse e empenho na dinamização da acção.



Antes da libertação realizou-se uma acção de educação ambiental dedicada às aves de rapina diurnas, com particular ênfase na ecologia e identificação dos principais grupos existentes na região, recorrendo a diversos tipos de materiais didácticos e biológicos.


Os problemas de conservação e ameaças foram também abordados, tendo sido dado um destaque especial à problemática do envenenamento, que afecta espécies de hábitos necrófagos como o milhafre-real, mas também outras espécies ameaçadas, como é o caso do lobo-ibérico (Canis lupus signatus).



Por isso, no âmbito do projecto LIFE MED-WOLF, no qual a ALDEIA desenvolve acções relacionadas com a problemática do uso ilegal de venenos, foram abordadas as consequências do uso de venenos e o que deve ser feito quando se detectam situações que estejam relacionadas com esta ameaça à conservação da fauna selvagem.



Devolução à Natureza de 1 abutre-preto e 2 grifos na Reserva Natural da Serra da Malcata


No dia 16 de Outubro de 2013 foram devolvidos à Natureza 1 abutre-preto (Aegypius monachus) e 2 grifos (Gyps fulvus) na Reserva Natural da Serra da Malcata (RNSM), Sabugal.


Esta acção fez parte do programa do dia aberto e aniversário da área protegida, que também incluiu visita à reserva, passeio micológico e anilhagem de aves, entre outras actividades.



O abutre-preto era um indivíduo juvenil que tinha sido encontrado debilitado em Aldeia do Bispo, concelho da Guarda, e encaminhado para o CERVAS pelas pessoas que o encontraram e entregaram ao SEPNA/GNR da Guarda.



No momento do ingresso a ave não apresentava lesões e apenas foi necessário fazer a recuperação da condição física, treino de voo para musculação e socialização com outros abutres num túnel de voo de grandes dimensões.


Antes da devolução à Natureza o animal foi anilhado com anilha metálica e em pvc e marcado com marcas alares por técnicos do CERAS de Castelo Branco.



Esta metodologia de seguimento através da colocação de marcas alares aumenta a probabilidade do animal ser observado, o que que dará informações em relação aos movimentos do indivíduo.



Optou-se por realizar uma sessão aberta, na presença de vigilantes da Natureza e outras pessoas, com o objectivo de divulgar a importância da monitorização de aves marcadas e encaminhamento da informação obtida.



De seguida, foram também marcados com a mesma técnica 2 grifos, também juvenis, que tinham sido encontrados debilitados em Barca d´Alva e Castro Daire, e que foram encaminhados para o CERVAS pelas equipas do SEPNA/GNR de Vilar Formoso e Viseu, respectivamente.




O local da devolução à Natureza apresenta as condições ideais para ambas as espécies de abutres e estava próximo de um campo de alimentação de aves necrófagas que é gerido pela RNSM.



O CERVAS agradece a colaboração dos técnicos do CERAS e disponibilidade para a marcação dos abutres e à RNSM pela integração da acção no programa do evento.




Espécie do mês de Outubro: Lebre-ibérica

A lebre-ibérica (Lepus granatensis) é a única espécie de lebre que ocorre em Portugal. Na Península-Ibérica distinguem-se, ainda, duas outras espécies de lebres: a lebre-europeia (Lepus europaeus) e a lebre-de-piornal (Lepus castroviejoi). Estas duas espécies são endémicas da Península-Ibérica, no entanto, enquanto a primeira tem uma distribuição ampla, a lebre-do-piornal está restrita aos Montes Cantábricos.

As lebres ocupam preferencialmente espaços abertos, como zonas agrícolas e prados, mas também podem ocorrer em zonas montanhosas, em zonas de bosque ou áreas de matos intercalados com pastagens. Distribuem-se por locais que se estendem desde o nível do mar até altitudes de cerca de 2000m, como por exemplo, na Serra da Estrela.

A lebre-ibérica é social, não apresentando comportamento territorial. As lebres não escavam tocas, ao contrário dos coelhos, refugiando-se em pequenas depressões no terreno localizadas em zonas abrigadas (camas). Possuem uma actividade essencialmente crepuscular e nocturna, formando, nessa altura, pequenos grupos nos locais de alimentação.

À semelhança dos coelhos, são animais herbívoros. Alimentam-se igualmente de plantas herbáceas, com preferência pelas gramíneas. No Verão, altura de menor disponibilidade de alimento, ingerem espécies alternativas, nomeadamente leguminosas como o tojo.

Apesar de se reproduzirem durante todo o ano, as lebres apresentam uma menor actividade reprodutiva no Outono. Do mesmo modo que os coelhos, a lebre-ibérica atinge precocemente a maturidade sexual. No entanto, ao contrário daqueles, as crias nascem à superfície, já com pêlo, com os olhos abertos e capacidade de movimentação passados poucos minutos. A gestação dura em média 42 dias, nascendo em média 1,6 crias por parto. Uma fêmea adulta pode ter, em média, cerca de 10 crias por ano.

As principais ameaças passam pela deterioração do habitat provocada pelo abandono da agricultura tradicional, pela ocorrência frequente de incêndios e pela actividade cinegética desordenada e excessiva.

Devolução à Natureza de 1 mocho-galego e 1 coruja-do-mato em Viseu


No dia 14 de Outubro de 2013 foram devolvidos à Natureza um mocho-galego (Athene noctua) em Ranhados e uma coruja-do-mato (Strix aluco) em Fragosela, concelho de Viseu.


Ambas as aves tinham sido encontradas por particulares e encaminhadas para o CERVAS através do SEPNA/GNR de Viseu.


No momento do ingresso no CERVAS O mocho apresentava uma fractura numa das asas provavelmente devido a atropelamento.


A coruja tinha sido encontrada no chão quando ainda era uma cria com a plumagem em desenvolvimento.


Em ambos os casos, depois de uma fase clínica para recuperação das lesões e da condição física, as aves estiveram permanentemente em contacto com outros indivíduos das mesmas espécies para treino de voo e caça.


O mocho-galego foi devolvido à Natureza num local próximo de onde tinha sido encontrado, no interior das instalações da Fundação Mariana Seixas, na presença de funcionárias e crianças, tendo sido libertado pela pessoa que o encontrou.



A coruja-do-mato foi devolvida à Natureza no local exacto em que tinha sido encontrada, pela família que a recolheu e vizinhos.