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Saída de campo: Introdução à Identificação de Cogumelos Silvestres. 27 de Outubro de 2012


No dia 27 de Outubro de 2012 a ALDEIA/CERVAS organizou mais uma saída de campo de introdução à identificação de cogumelos silvestres em Gouveia.


Durante esta actividade os participantes tiveram oportunidade de contactar com uma grande variedade de espécies de cogumelos silvestres em diferentes habitats do concelho de Gouveia.


Durante a manhã a actividade decorreu em bosques dominados por carvalhos e castanheiros na periferia de Gouveia, e os participantes receberam formação sobre os conceitos básicos de recolha e identificação de cogumelos silvestres.


À medidas que se iam detectando diferentes exemplares as espécies eram identificadas no local, sempre que possível, e alguns cogumelos eram recolhidos em cestos para posterior identificação com recurso a bibliografia especializada.


Durante o almoço foi possível introduzir também alguns conceitos relacionados com a utilização de cogumelos silvestres na gastronomia, com apresentação de um exemplo prático, uma bola de Boletus edulis, Boletus pinicola e Marasmius oreades.


Durante a tarde foram percorridas algumas zonas de bosque de altitude dominados por bétulas, próximas do Mondeguinho, uma área do Parque Natural da Serra da Estrela que durante esta época do ano sofre uma enorme pressão de apanha descontrolada de diversas espécies de cogumelos silvestres.


No final do dia procedeu-se à identificação de todos os cogumelos recolhidos, tendo sido possível até ao momento registar cerca de 75 espécies diferentes.

A próxima saída de campo decorrerá no dia 11 de Novembro e toda a informação pode ser encontrada aqui

Devolução à Natureza de 3 grifos em Figueira de Castelo Rodrigo


No dia 20 de Outubro de 2012 às 13h foram devolvidos à Natureza 2 grifos (Gyps fulvus) em Algodres, Figueira de Castelo Rodrigo.


Esta acção decorreu na Reserva da Faia Brava, e fez parte do programa de actividades do FAIA BRAVA FEST promovido pela Associação Transumância e Natureza


Ambas as aves eram juvenis que ingressaram no CERVAS após terem sido recolhidas por particulares em estado de grande debilidade/desnutrição e foram encaminhadas para o centro pelas equipas do SEPNA/GNR de Viseu e Mangualde.



Estes abutres estiveram em recuperação durante cerca de 1 mês e meio tendo passado por uma fase inicial de hidratação e alimentação para recuperação da condição física, seguida posteriormente de fases de treino de voo e musculação numa jaula de grandes dimensões em conjunto com outros grifos e outras aves necrófagas para socialização.



Anteriormente, no dia 30 de Setembro ao final da tarde já tinha sido devolvido à Natureza outro grifo junto ao santuário de Santo André das Arribas, em Almofala, Figueira de Castelo Rodrigo.


Esta ave era também um indivíduo juvenil recolhido em condições semelhantes aos anteriores e encaminhado para o CERVAS através do SEPNA/GNR da Guarda.


Espécie do mês de Outubro: Pega-rabuda



A pega-rabuda (Pica pica) é um passeriforme pertencente à família dos corvídeos. Possui uma plumagem preta com reflexos metálicos esverdeados de onde sobressai grandes manchas brancas, e uma cauda e patas compridas. Tem um bico de corvídeo e umas asas algo curtas e arredondadas. É vista muitas vezes a caminhar e a saltar no solo, levantando a cauda com frequência. Pode ser observada solitária, em casais ou em pequenos bandos.

A pega-rabuda é essencialmente residente, sendo comum a pouco comum no nosso país. Distribui-se de norte a sul sendo mais numerosa no litoral norte e no Alto Alentejo e possui uma distribuição bem delimitada, estando ausente de vastas regiões da Estremadura, do Baixo Alentejo e do Algarve, embora não se saibam os motivos para essa ausência. Apesar de não ser consensual, a pega-rabuda poderá realizar movimentos migratórios, durante o Outono, na costa norte de Portugal movimentando-se para o sul em pequenos bandos.

É uma espécie que frequenta diversos tipos de habitat, frequentando zonas com aproveitamento agrícola de características diferentes, consoante a zona do país, por exemplo, no noroeste e no centro-oeste aparece em paisagens em mosaico com pequenas parcelas agrícolas, no interior do país frequenta terrenos abertos amplos com culturas cerealíferas, pastagens ou pousios, e no norte a pega surge muito associada à presença humana desde que esta esteja situada nas imediações de zonas rurais ou de pequenas manchas florestais. No sul é menos frequente e afasta-se das povoações. A pega-rabuda é escassa nas regiões de maior altitude, em bosques e em áreas muito abertas.

Pouco se sabe sobre a biologia de reprodução da pega-rabuda em Portugal. Os ninhos são grandes, construídos com dossel e instalados em árvores. As posturas são constituídas por 5 a 7 ovos, e a incubação dura 21 a 22 dias, estando as crias aptas a voar ao fim de 24 a 30 dias. A pega-rabuda tem tendência para o gregarismo, tendo sido observado na serra de Montejunto dois ninhos na mesma árvore, observando-se também esta tendência nos períodos pós-nupcial e invernal onde no Alentejo se podem encontrar dormitórios que chegam a ser constituídos por mais de meia centena de aves.

A dieta da pega-rabuda é variada, incluindo desde invertebrados, principalmente escaravelhos, frutos, sementes, carne em decomposição e desperdícios gerados pelas actividades humanas. 

ALDEIA/CERVAS no GLOCAL 2012


No dia 11 de Outubro de 2012 a ALDEIA/CERVAS participou no GLOCAL 2012 - Pensar Global, Agir Local (IV Conferência de Agenda 21 e Sustentabilidade local), em Seia. Esta actividade decorreu em paralelo com o Cine´Eco - Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela.


A participação enquadrou-se nas Conversas Ambiente em Transição, concretamente no debate Tecer Teias de Sustentabilidade - Proteger a Natureza valorizando a cultura e as tradições, que decorreu no Museu do Pão.


Durante cerca de 90 minutos foi possível partilhar experiências com vários outros projectos de Portugal e do Brasil e o trabalho realizado pela Associação ALDEIA através do CERVAS foi um dos que serviu de ponto de partida para uma conversa informal que reuniu cerca de 50 pessoas.


Associação Campo Aberto visita o CERVAS


No dia 6 de Outubro de 2012 a Campo Aberto - Associação de Defesa do Ambiente, do Porto, visitou o CERVAS.


Após uma manhã em que tiveram a oportunidade de conhecer algumas zonas de Gouveia no âmbito de uma saída de campo de observação de aves, os cerca de 20 elementos da associação puderam conhecer as instalações do CERVAS durante a tarde.


Durante a visita foi possível apresentar o trabalho realizado pelo CERVAS e algumas das espécies que ingressam com maior frequência, com destaque para as respectivas causas de ingresso e aspectos da sua ecologia que são relevantes em termos de maneio no contexto dos centros de recuperação.


No final os participantes tiveram a oportunidade de devolver à Natureza duas gralhas-pretas (Corvus corone) que tinham ingressado devido a cativeiro ilegal, num dos casos, e debilidade, no outro, e que tinham estado em recuperação durante cerca de quatro e um mês, respectivamente.


A ALDEIA/CERVAS agradece o interesse e apoio da Associação Campo Aberto ao trabalho do CERVAS e está disponível para futuras acções de colaboração.

Fim de Semana Europeu de Observação de Aves em Gouveia / Serra da Estrela



No dia 6 de Outubro de 2012 a ALDEIA/CERVAS organizou uma saída de campo para observação de aves de Gouveia / Serra da Estrela.


Esta actividade foi realizada no âmbito do Fim de Semana Europeu de Observação de Aves organizado pela SPEA e outros parceiros.



Durante o dia foram visitados 5 locais em Gouveia, nomeadamente o Vale do Rossim, o Curral do Negro, o CERVAS, os campos agrícolas de Arcozelo e o Rio Mondego, tendo sido possível registar 45 espécies de aves.


Nesta actividade participaram cerca de 25 pessoas, sendo de destacar a presença da Associação Campo Aberto, do Porto, que realizou uma visita à Serra da Estrela na qual estava incluida esta saída de campo e uma visita ao CERVAS.



Devolução à Natureza de 1 coruja-das-torres em Penalva de Alva


No dia 4 de Outubro de 2012 às 21h foi devolvida à Natureza uma coruja-das-torres (Tyto alba) em Penalva de Alva, Oliveira do Hospital.


Esta ave tinha sido recolhida debilitada após ter sido detectada numa horta por um cão. Os habitantes locais que resgataram a ave encaminharam-na para o CERVAS através do SEPNA/GNR da Lousã.


Durante o exame físico não foram detectadas lesões e o processo de recuperação consistiu na melhoria da condição física e treino de voo e caça em conjunto com outras corujas-das-torres.


Tal como numa acção anterior em Penalva de Alva a população local demonstrou muito interesse e carinho pelas corujas-das-torres que existem na aldeia e mais de 50 pessoas assistiram à devolução à Natureza desta ave recuperada.


Devolução à Natureza de 2 corujas-das-torres em Mortágua


No dia 3 de Outubro de 2012 às 20h foram devolvidas à Natureza duas corujas-das-torres (Tyto alba) em Vale de Remígio, Mortágua.


Estas aves tinham sido encontradas por habitantes da aldeia após queda do ninho e encaminhadas para o CERVAS através do SEPNA/GNR de Santa Comba Dão.


Após cerca de um mês e meio de recuperação no CERVAS onde estiveram em contacto com outras corujas-das-torres durante as fases de desenvolvimento da plumagem e treino de voo e caça, as aves foram devolvidas à Natureza no mesmo local onde tinham sido encontradas.



CERVAS devolve águia-de-asa-redonda à Natureza no Festival Tempo d´Aldeia


No dia 30 de Setembro de 2012 o CERVAS participou no Festival Tempo d´Aldeia em S. Pedro de Rio Seco, Almeida.


Este evento decorreu entre 26 e 30 de Setembro e apresentou um programa diversificado com palestras, exposições, cinema, contadores de histórias, música e vários workshops sobre várias temáticas relacionadas com Natureza e vida rural.


No último dia de festival, durante a tarde, a ALDEIA/CERVAS dinamizou um workshop de Educação Ambiental sobre Fauna Selvagem durante o qual apresentou informação sobre diferentes espécies e respectivos aspectos da sua ecologia e problemas de conservação.


De seguida, procedeu-se à devolução à Natureza de uma águia-de-asa-redonda, com a participação de cerca de 80 participantes no festival, na periferia da aldeia de S. Pedro de Rio Seco.


Esta ave tinha sido apreendida pelo SEPNA/GNR da Guarda a um particular que a mantinha em cativeiro ilegal, em conjunto com outra ave da mesma espécie, que entretanto também já tinha sido libertada.



O processo de recuperação da ave consistiu na melhoria da plumagem, treino de voo e caça e socialização em conjunto com outras aves de rapina, tendo demorado cerca de 6 meses.


O local escolhido reunia boas condições para esta espécie pois estava próximo de campos agrícolas e linhas de água com reduzida perturbação humana.




Espécie do mês de Setembro: Estorninho-preto


Semelhante ao melro-preto, o estorninho-preto (Sturnus unicolor) possui penas compridas com um aspecto “gorduroso” na garganta e no peito, com reflexos arroxeados. As patas são curtas e avermelhadas, a fronte é plana e o bico é fino e amarelo, onde a base nos machos é azul e nas fêmeas rosada, as asas são curtas e triangulares. No Inverno possui variações na plumagem, possuindo pequenas marcas brancas que se desgastam rapidamente e apresenta o bico escuro. Os juvenis são acastanhados com a garganta pálida. O estorninho-preto vocaliza muito durante todo o ano, emitindo fortes silvos e imitando muitas vezes o som de outras aves. 



O estorninho-preto é residente e muito comum não sendo totalmente sedentário, realiza em certas regiões movimentos de âmbito local. O estorninho-preto encontra-se assim em todo o território continental frequentando desde terrenos agrícolas e zonas arborizadas, até áreas com forte presença humana, como parques e jardins em grandes cidades, preferindo no entanto paisagens em mosaico, com pequenas matas, campos agrícolas e prados, assim como montados com pouco sub-bosque. Surge frequentemente em pastagens com existência de gado bovino onde se alimenta amiúde. Durante o inverno encontra-se também em olivais e restolhos, evitando áreas de elevada altitude. Durante a Primavera os estorninhos-pretos estão dependentes de locais com cavidades onde instala os ninhos. 

As cavidades utilizadas para nidificar, situam-se normalmente em árvores, podendo no entanto utilizar cavidades naturais ou buracos abertos por pica-paus. Pode também nidificar em cavidades de edifícios ou ocupar caixas-ninho.

Segundo um estudo efectuado na região de Serpa num montado de azinho, verificou-se um pico principal de posturas em finais de Março/inícios de Abril e um pico secundário, já com posturas de reposição, em meados de Abril. As posturas variavam entre 2 a 6 ovos, sendo as de 4 mais frequentes. O período de incubação foi de 9 a 15 dias e as crias permaneceram no ninho durante 18 a 23 dias. Verificou-se que alguns casais criaram duas ninhadas numa mesma Primavera. 

A partir do final do verão, e durante o Outono e no Inverno o estorninho-preto pode formar bandos de grandes dimensões constituídos, muitas vezes, por milhares de indivíduos que se reúnem em grandes dormitórios. No inverno forma bandos mistos com os estorninhos-malhados. Durante o dia pode ser vista com frequência pousada em fios e em telhados, com uma postura erecta, ou a alimentar-se nos campos associada muitas vezes a bandos de abibes e tarambolas-douradas. 

Estorninho-malhado (Sturnus vulgaris)

A alimentação do estorninho-preto no Outono e no inverno é essencialmente mais frugívora, ingerindo azeitonas, entre outros frutos e bagas. A alimentação das crias nos ninhos é composta essencialmente por invertebrados terrestres.

Existem alguns indícios de que o estorninho-preto poderá estar em regressão em certas regiões, mas em expansão noutras áreas do país.

Devolução à Natureza de uma águia-calçada em Aldeia do Souto, Covilhã


No dia 10 de Setembro de 2012 às 14h foi devolvida à Natureza uma águia-calçada (Aquila pennata) em Aldeia do Souto, Covilhã.


Esta ave tinha sido encontrada ferida após electrocussão por habitantes locais e encaminhada para o CERVAS pelo Parque Natural da Serra da Estrela.


No momento do ingresso foram detectadas lesões numa das patas e numa das asas, o que é comum em situações de electrocussão, e o tratamento foi iniciado de imediato.


Após 2 meses de recuperação a águia foi devolvida à Natureza pelas pessoas que a tinham encontrado e encaminhado para o CERVAS, na presença de outros habitantes de Aldeia do Souto.


O local escolhido para a devolução era muito próximo daquele onde a ave tinha sido encontrada ferida, na periferia da aldeia e junto de zonas florestais e campos agrícolas.



Devolução à Natureza de 2 açores no Encontro Ibérico Land Rover 2012


No dia 9 de Setembro o CERVAS participou no Encontro Ibérico Land Rover 2012, em Cativelos, Gouveia, através da dinamização de um espaço de divulgação e da devolução à Natureza de dois açores (Accipiter gentilis).


Durante a manhã os participantes tiveram a oportunidade de conhecer o trabalho desenvolvido pelo CERVAS, as espécies que ingressam com mais frequência no centro e os seus principais problemas de conservação.


Devido ao grande interesse e curiosidade demonstrados pelas crianças e adultos que visitaram o espaço do CERVAS foram realizadas diversas oficinas de forma contínua durante cerca de 3h.


De seguida, às 14:30 foi reunido um grupo de pessoas interessadas em assistir à devolução à Natureza de dois açores que tinham sido recuperados no CERVAS.


Estas aves eram fêmeas juvenis que tinham ingressado devido a debilidade, num dos casos, e após ter sido apanhada num galinheiro, no outro.


Após cerca de 2 meses de recuperação da condição física e treino de voo em contacto com outras aves de rapina ambos os indivíduos foram libertados no Parque Senhora dos Verdes, numa zona próxima a uma área florestal, na presença de cerca de 35 participantes no evento.


O CERVAS agradece o convite das entidades organizadoras do evento e está disponível e interessado em continuar a participar nas próximas edições.