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Espécie do mês de Janeiro: Gaivota-d'asa-escura

Foto: T. Valkenburg

A gaivota-d'asa-escura, Larus fuscus, é a mais comum das gaivotas portuguesas, ocorre durante todo o ano. Trata-se de uma raça báltica, fortemente migratória, que voa através da Europa para invernar no Mediterrâneo e Este da África. Assim sendo, a sua presença é uma constante em quase todas as zonas húmidas do litoral português durante o Inverno. É muito abundante em estuários, praias e portos de pesca, sendo que a qualquer altura, a população nacional conta com várias dezenas de milhares de indivíduos (1). Ocorre também, embora em menor quantidade, no interior do país, frequentando rios, albufeiras e campos recentemente agricultados (2).

Foto: T. Valkenburg

Os juvenis desta espécie, tal como acontece com a generalidade das gaivotas grandes, podem ser de identificação difícil, já que a sua plumagem varia consoante a idade até ao 4º ano de vida. De asas estreitas e pontiagudas com uma pinta branca em cima, mesmo na ponta, os adultos apresentam uma plumagem típica de gaivota: dorso cinzento-escuro que é adquirido por volta de 1 ano de idade, cabeça e peito brancos, patas amarelo pálido, e bico amarelo com uma pinta que pode ir do vermelho ao preto.


Como nidificante, a gaivota-d’asa-escura é rara e localizada, escolhendo as Berlengas como local de nidificação mais regular. São também conhecidos casos de reprodução na ilha do Pessegueiro (Sines) e na Ria Formosa (1). Esta ave constrói o seu ninho no solo, revestindo-o com vegetação e algas, sendo que a postura conta geralmente com 3 ovos que são incubados de 24 a 27 dias.


São aves omnívoras, alimentando-se particularmente de peixes, detritos e animais mortos. São no entanto muito versáteis, chegando a apanhar insectos em voo quando estes surgem em elevada densidade (1).

Bibliografia:

(1) Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.
(2) www.avesdeportugal.info/
(3) Bruun B., Svensson H. 2002. Aves de Portugal e Europa. Guias FAPAS. ISNB:972-95951-0-0

Espécie do mês de Dezembro: Peneireiro-cinzento


O Peneireiro-cinzento (Elanus caeruleus) é uma rapina de pequenas dimensões, apresenta uma tonalidade clara (tom esbranquiçado), com as asas mais escuras o que facilita a sua localização quando pousada, e a curta distância é possível vislumbrar os olhos vermelhos. Quando observada por cima distinguem-se facilmente os ombros escuros contrastantes com o claro do resto do corpo, e quando observada por baixo são extremamente visíveis as pontas das asas escuras. O seu voo levemente ondulado e o peneirar com as asas em V, comportamento observado quando se encontra a caçar, são bastante característicos desta espécie.

O Peneireiro-cinzento alimenta-se de pequenos mamíferos, répteis, aves (onde os trigueirões parecem ser as suas presas favoritas) e insectos, no entanto não existem muitos dados da sua dieta em Portugal mas os poucos dados disponíveis não fogem muito a este padrão geral.




Em Portugal o Peneireiro-cinzento é uma espécie nidificante que distribui-se essencialmente pelo centro e sul do país, sendo mais frequente no Alentejo, Ribatejo e no sul da Beira Baixa. Também se pode observar no Algarve onde é principalmente invernante.
O habitat mais utilizado consiste em montados de sobro ou azinho abertos e associados a culturas arvenses. No entanto em regiões da Beira Interior ocorre em baixas densidades como nidificante e invernante, ao longo de grande parte da faixa raiana (Sabugal, Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo), aparecendo associado a planaltos com arvoredo disperso, nomeadamente bosquetes de carvalhos e a zonas cerealíferas.


Reproduz-se muito raramente e localmente em regiões secas, cultivadas no SO da Europa, onde recentemente têm aumentado em número e em ocupação. Fora da época de reprodução pode efectuar movimentos dispersivos, aparecendo em regiões onde habitualmente não se reproduzem, nomeadamente em certas áreas do Algarve e da Beira Litoral. Apesar desses movimentos, no Inverno os peneireiros – cinzentos são mais abundantes nas regiões onde nidificam, por comparação com as zonas onde são exclusivamente invernantes, o que leva a suspeitar que a espécie seja essencialmente sedentária ou que realize apenas pequenas deslocações.

Os ninhos desta espécie encontram-se em árvores de médio ou pequeno porte (ex:sobreiros e azinheiras) e são construidos todos os anos embora a mesma árvore possa ser utilizada em anos sucessivos.
É feita uma postura de 3-4 ovos durando a incubação 26 dias. As crias estão aptas a voar aos 30-35 dias.
A postura é realizada normalmente em meados de Março até finais de Abril ou principio de Maio.



Bibliografia:
(1) Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.

(2) Aves de Portugal: Elanus acaeruleus consultado em http://www.avesdeportugal.info/elacae.html