Mensagens

Devolução à Natureza de 1 peneireiro-vulgar em Valezim, Seia


No dia 30 de Março de 2013 foi devolvido à Natureza um peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus) em Valezim, Seia.


Esta ave tinha sido encontrada ferida em Outubro de 2012, presa numa rede junto a uma estrada e foi recolhida por particulares que a entregaram à GNR, que por sua vez a encaminhou para o CERVAS.


Após avaliação no centro verificou-se que o peneireiro tinha uma fractura numa das asas e o tratamento consistiu na imobilização da asa com posteriores períodos de fisioterapia e treino de voo e caça em contacto com outra aves da mesma espécie.



A libertação foi realizada no próprio local onde a ave tinha sido encontrada, pelas pessoas que a encaminharam para o CERVAS e outras que se juntaram para presenciar a acção.


Saída de campo: Observação de Aves no Rio Mondego


No dia 29 de Março de 2013 a ALDEIA/CERVAS realizou uma saída de campo dedicada à observação de aves no Rio Mondego.



Durante a manhã foram visitados vários locais no concelho de Gouveia e durante a tarde no de Seia, em zonas próximas ao rio Mondego e ribeiras afluentes.



Apesar da chuva foi possível registar 41 espécies de aves sendo de destacar algumas que acabam de chegar de África, como é o caso do andorinhão-preto (Apus apus) ou da felosinha-ibérica (Phylloscopus ibericus), ou espécies invernantes que estão prestes a partir, como o corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo).



Brevemente serão divulgadas em www.aldeia.org novas saída de campo para observação de aves noutros habitats da região.



Devolução à Natureza de uma gineta em Gouveia


No dia 23 de Março de 2013 foi devolvida à Natureza uma gineta (Genetta genetta) no Curral do Negro, em Gouveia.


Esta acção foi organizada pelo CERVAS em parceria com estudantes de Engenharia Ambiental da Universidade de Coimbra que estavam a realizar actividades na Serra da Estrela.


A primeira parte da acção consistiu numa breve oficina sobre fauna selvagem durante a qual foram apresentadas algumas espécies com as quais o CERVAS trabalha e as suas principais características.


De seguida, ao final da tarde, no interior da zona de carvalhal do bosque do Curral do Negro, na presença de cerca de 40 pessoas, procedeu-se à libertação da gineta.


Este indivíduo tinha ingressado no CERVAS em Janeiro após ter sido capturado numa armadilha e estava debilitado, apresentando também uma lesão ocular.


Após cerca de 2 meses de recuperação este animal foi devolvido à Natureza num local diferente de onde tinha sido capturado, mas que apresentava condições ecológicas consideradas adequadas para a espécie. 



Mini-Workshop Práctico de Necrópsia de Aves Selvagens no CERVAS


Durante os dias 23 e 24 de Março de 2013 a Associação ALDEIA / CERVAS dinamizou o Mini-Workshop Práctico de Necrópsia de Aves Selvagens em Gouveia.


Esta actividade decorreu nas instalações do CERVAS e foram utilizados diversos cadáveres de aves que tinham ingressado mortas no centro ou que morreram durante o processo de recuperação.


O curso foi totalmente práctico e, após uma breve introdução e exemplificação da técnica de necrópsia por parte dos formadores, os 8 formandos, oriundos de diversas zonas do país, tiveram a oportunidade de realizar necrópsias a mais de 30 aves de espécies diferentes durante todo o evento.


O contacto com uma grande diversidade de espécies permitiu abordar diferentes aspectos da anatomia comparada de aves selvagens, e a grande percentagem de aves de rapina que estava disponível permitiu também um estudo detalhado de características relevantes para a determinação de sexo e idade dos vários indivíduos, nomeadamente as biometrias, muda das penas, entre outras.


Sempre que possível foi disponibilizado todo o historial e informação clínica de cada um dos animais para que o exame realizado pudesse ser o mais minucioso possível no sentido de determinar a causa de morte, através da interpretação das lesões detectadas.


Tal como é habitual nas necrópsias realizadas no CERVAS foram recolhidas amostras de vários órgãos de todos os animais para fins de investigação, que é realizada em parceria com diversos investigadores e entidades que têm colaborado com o CERVAS nos últimos anos.


A ALDEIA/CERVAS irá continuar a organizar acções sobre esta temática no futuro, e toda a informação sobre as mesmas será divulgada em www.aldeia.org.

CERVAS no Dia da Floresta em Manteigas


Tal como em anos anteriores a Associação ALDEIA/CERVAS participou nas comemorações do Dia da Floresta em Manteigas no dia 21 de Março de 2013.


Esta iniciativa foi organizada pela Câmara Municipal de Manteigas e contou com a participação de diversas instituições da região, nomeadamente o ICNF, a GNR, Bombeiros e Sapadores Florestais.


A primeira acção da manhã consistiu na plantação de várias árvores, maioritariamente de espécies autóctones, por parte de crianças e jovens de uma escola de Manteigas e da AFACIDASE, auxiliados por elementos das diferentes entidades participantes.


O CERVAS contribuiu com a realização de uma breve oficina sobre a fauna selvagem, com destaque para algumas das espécies florestais que existem na região.


De seguida procedeu-se à devolução à Natureza de uma águia-de-asa-redonda que tinha sido recolhida numa zona próxima no final de 2012 e que esteve em recuperação no CERVAS durante cerca de 3 meses.


O local  da actividade tinha as condições necessárias para a espécie por ser uma zona florestal com campos agrícolas, nas proximidades do Rio Zêzere.


O CERVAS agradece o convite que mais uma vez foi feito pelo Município de Manteigas e continua sempre disponível para participar em futuras acções que promovam a biodiversidade da região e que contribuam para a Educação Ambiental da população.


Escola Secundária Pinhal do Rei visitou o CERVAS


No dia 16 de Março de 2013 o CERVAS recebeu a visita de alunos e professores da Escola Secundária Pinhal do Rei, da Marinha Grande.


Os cerca de 50 visitantes dividiram-se em grupos de forma a poderem conhecer as diferentes zonas do centro e também do Parque Ecológico de Gouveia.


Tal como tem sido habitual neste tipo de acções, os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer as espécies que ingressam no centro e as suas principais ameaças e causas de ingresso, através do contacto  com o material pedagógico do kit de educação ambiental do CERVAS.


Desta forma foi possível realizar diferentes sessões onde foram apresentadas breve noções sobre identificação, morfologia, hábitos alimentares, entre outros aspectos relacionados com os diferentes grupos de animais com que o CERVAS trabalha.


O CERVAS agradece o interesse demonstrado por todos os alunos e professores e está disponível para futuras acções de colaboração ao nível da Educação Ambiental.


Espécie do mês de Março: Geneta



De origem Africana , a geneta (Genetta genetta) é um carnívoro com o corpo delgado e alongado como um felídeo, apresentando membros curtos e cauda comprida com extremidade afilada e anéis escuros que alternam com a pelagem cinzenta que apresenta manchas escuras que se fundem muitas vezes para formar listas longitudinais. As garras são semi-retrácteis. 


O período de reprodução ocorre durante todo o ano, embora o pico dos nascimentos se verifique em Abril-Maio e Agosto-Setembro. O período de gestação dura 70 dias e têm 1-4 crias por cada 2 ninhadas por ano. Atingem a maturidade sexual aos 2 anos. Os juvenis abandonam o ninho às 8 semanas, ocorrendo o desmame só aos 6 meses e tornam-se independentes a partir dos 12 meses.


A geneta prefere áreas sossegadas, longe de habitações humanas, de preferência com vegetação densa e terrenos rochosos, bosques com cursos de água. Pode habitar até 2000 metros de altitude. O ninho encontra-se em árvores ou tocas, entre as rochas ou debaixo de arbustos, sendo forrado com vegetação. Visto ser uma espécie crepuscular e nocturna, durante o dia, repousa nas copas cerradas das árvores como as coníferas ou castanheiros. 


A geneta é omnívora, alimentando-se principalmente de roedores (essencialmente ratos), coelhos, bagas e insectos.


A geneta está classificada como espécie Pouco Preocupante (LC), mas incluída no anexo III da convenção de Berna. Os principais factores de ameaça estão relacionados directamente com actividades humanas, nomeadamente com as medidas de controlo de predadores, implementadas pelas Zonas de caça dos diversos regimes cinegéticos e a elevada densidade da rede viária.


Campanha de apadrinhamentos: Dia do Pai


Neste mês de Março, não deixes passar o dia do pai em branco! Oferece um presente especial ao teu pai e ao mesmo tempo estás a ajudar o CERVAS e a recuperação de animais selvagens.

O que recebe o teu pai?
O teu pai como padrinho de um animal terá a possibilidade de devolvê-lo à natureza (se tal for possível no final do processo de recuperação, e se assim o desejar) e receberá um certificado de apadrinhamento especial do dia do pai. Receberá um boletim informativo sobre a espécie apadrinhada e poderá solicitar dados e fotos do animal de forma a acompanhar o processo de recuperação. O seu contacto será inserido na lista de divulgação do CERVAS para que possa obter informações sobre as próximas actividades em que poderá participar, tornando-se, desta forma, um membro activo na dinamização da recuperação de animais selvagens em Portugal.  A visita ao centro para toda a família também será possível quando solicitada atempadamente e adequadamente combinada com os respectivos técnicos e colaboradores.

Neste momento, os animais selvagens em recuperação no CERVAS, que podem ser apadrinhados, são os seguintes:

Geneta (Genetta genetta)


FICHA DE APADRINHAMENTO DISPONÍVEL AQUI

Nota: os valores indicados referem-se a apadrinhamento individual/particular. Caso pretenda ceder apoios através de uma instituição / empresa, os valores mínimos serão de 250€ para qualquer espécie indicada anteriormente (podendo ser deduzidos no IRS ao abrigo da lei do mecenato ambiental).

Modos de pagamento:
- CHEQUE: Em nome de Associação ALDEIA enviado juntamente com a ficha de apadrinhamento para:
ALDEIA/CERVAS. Apartado 126. 6290-909 Gouveia

- TRANSFERÊNCIA*:
NIB: 003503540003190733089 (Caixa Geral de Depósitos de Gouveia)
*Enviar comprovativo de transferência por correio para a morada acima indicada ou por correio electrónico para cervas.pnse@gmail.com

Para qualquer informação adicional contactar:
CERVAS: 962714492 ou cervas.pnse@gmail.com


Espécie do mês de Fevereiro: Falcão-peregrino


O falcão-peregrino (Falco peregrinus) é um falconiforme com um aspecto poderoso e compacto. Morfologicamente apresenta o peito amplo, asas largas e pontiagudas e uma cauda relativamente curta. Os indivíduos adultos possuem as partes ventrais esbranquiçadas ou rosadas e as partes dorsais cinzento-azuladas, e a cabeça cinzento-escura com bigodes pretos bem marcados. As fêmeas apresentam uma plumagem semelhante à dos machos, mas normalmente são muito maiores. Os juvenis são mais aprimorados, com plumagem acastanhada e com estrias ventrais largas em vez de finas barras, como apresentam os adultos, e bigodes menos marcados.


O Falcão-peregrino distribui-se de forma descontínua de norte a sul do país, quer no interior quer no litoral, frequentando zonas com escarpas altas, onde instala os seus ninhos. As principais áreas de nidificação do falcão-peregrino situam-se ao longo de toda a costa rochosa com falésias elevadas. Zonas montanhosas ou rios com fragas do interior, como o Parque Nacional da Peneda-Gerês ou Douro Internacional, também albergam uma percentagem significativa da população nacional. Salienta-se uma escassez desta espécie no Alto Tejo, do Rio Sabor ou do rio Côa, locais potencialmente favoráveis à sua presença, tal poderá dever-se à abundância de águias-reais e de águias de Bonelli, espécies que aparentemente o falcão-peregrino parece evitar. Como já foi referido, o falcão-peregrino instala os seus ninhos em escarpas, em edifícios e por vezes em árvores. Em Portugal, os ninhos são instalados em escarpas podendo igualmente aproveitar ninhos de outras espécies construídos em árvores. O processo de nidificação ocorre normalmente entre Março a Julho e as posturas são geralmente compostas por 3 ou 4 ovos e a incubação dura 29 a 32 dias, estando as crias aptas a voar passados dois meses.

As aves que nidificam em Portugal são essencialmente residentes, podendo ser observadas ao longo de todo o ciclo anual. Os que ocorrem com alguma regularidade em áreas onde não nidificam, como acontece no interior alentejano ou em zonas húmidas do litoral, observam-se alguns juvenis em movimentos de dispersão, que provêm da população nacional. Outros são com certeza migradores oriundos de áreas de reprodução mais setentrionais, facto comprovado pela recaptura de aves anilhadas no Reino Unido, França, Alemanha, Polónia, Suécia e na Finlândia. É provável ainda que alguns dos falcões-peregrinos do norte da Europa se encontrem em Portugal apenas de passagem, quando realizam a migração para as zonas de invernada na África Ocidental.


Uma das características deste falcão que o tornam notável é possuir um voo extremamente rápido, podendo atingir velocidades superiores a 300Km/h em voo picado, sobre áreas abertas com matos de montanha e costeiros, arribas sobre o mar, planos de água, pastagens, cultivos cerealíferos e pousios. A sua técnica de caça baseia-se sobretudo na velocidade com que desfere o ataque, dando uso da sua extraordinária velocidade os falcões-peregrinos agarram as suas presas em pleno voo, com a ajuda das garras que são usadas como lâminas, ou simplesmente através do impacto abatem as presas.

O falcão-peregrino possui uma dieta constituída quase exclusivamente por aves. Um estudo realizado em Portugal no Parque Nacional da Peneda-Gerês em 1996 constatou que a ave mais consumida era o pombo, sendo a grande maioria pombos-domésticos, seguindo-se de pequenos passeriformes e ainda morcegos do género pipistrellus. Nas zonas húmidas costeiras nacionais a espécie é frequentemente observada caçando limícolas e patos.


O estatuto de conservação a nível nacional está classificado como vulnerável, apesar de após um período de possível declínio durante as décadas de 1970 e de 1980, a população nidificante parecer estar a aumentar. Entre as muitas ameaças que existem, destacam-se a perseguição humana através do abate a tiro e a utilização de iscos envenenados, a pilhagem de ninho e o roubo de juvenis  para a falcoaria continuam a ser factores importantes que intervêm na diminuição da produtividade das colónias e a electrocussão e colisão com linhas eléctricas.


Como curiosidade é de referir que em todo o mundo são reconhecidas mais de 20 subespécies, sendo que a espécie que reside em Portugal pertence à subespécie Falco peregrinus brookei e que durante o inverno chegam ao nosso país aves que pertencem às subespécies Falco peregrinus peregrinus e Falco peregrinus calidus.