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Devolução à Natureza de 3 milhafres-pretos e 1 mocho-galego em Coimbra e Anadia


No dia 27 de Agosto de 2012 às 17h foram devolvidos à Natureza 3 milhafres-pretos (Milvus migrans) na Mata Nacional do Choupal em Coimbra.


Uma das aves tinha ingressado em Julho de 2011 após queda do ninho e foi encaminhada para o CERVAS pela Reserva Natural do Paul da Arzila (RNPA). A plumagem apresentava problemas de desenvolvimento que impediram a sua libertação no mesmo ano, tendo permanecido em contacto com outras aves de rapina enquando as penas recuperavam. 


A ave adulta tinha ingressado no CERVAS através do SEPNA-GNR da Guarda a 08-06-12 com uma fractura numa das asas. O tratamento consistiu em imobilização da asa e posterior fisioterapia e treino de voo.


O indivíduo juvenil tinha ingressado a 09-08-12 após queda do ninho, encaminhado pelo SEPNA-GNR de Viseu. A rápida recuperação consistiu em desenvolvimento de plumagem e treino de voo e contacto com outras aves de rapina.


Tendo em consideração o facto da espécie já ter iniciado o período de migração nalgumas zonas do país optou-se pela devolução destas aves à Natureza na Mata Nacional do Choupal visto que na zona de Coimbra ainda permanecem alguns milhafres-pretos.



No mesmo dia às 19h, em Pereiro, Anadia, procedeu-se à devolução à Natureza de um mocho-galego (Athene noctua).


Esta ave tinha sido encontrada por particulares na varanda de uma habitação provavelmente após saída precoce do ninho, tendo sido encaminhada para o CERVAS pela RNPA, onde a recuperação consistiu em treino de voo e caça em contacto com outros mochos-galegos.


A devolução à Natureza decorreu num local próximo daquele onde o mocho tinha sido encontrado, na presença de 20 pessoas, junto a campos agrícolas na periferia da aldeia.

Devolução à Natureza de 6 andorinhões-pretos e 3 andorinhões-pálidos


Durante os meses de Julho e Agosto de 2012 foram devolvidos à Natureza 6 andorinhões-pretos (Apus apus) e 3 andorinhões-pálidos (Apus pallidus).


Estas aves tinham ingressado no CERVAS durante o Verão oriundas de diversas zonas da região centro e foram entregues pelos particulares que as encontraram e por equipas do SEPNA-GNR e áreas protegidas. O ingresso deveu-se maioritariamente a queda do ninho mas também a predação por gatos e a colisão.


A recuperação de andorinhões pode-se considerar simples, mas trabalhosa, por requerer refeições frequentes e maneio adequado. Ainda que com um muito reduzido número de ingressos, comparando com outros centros da Península Ibérica, o CERVAS tem conseguido acumular alguma experiência com estas aves e assim melhorar gradualmente as percentagens de libertação (84% em 2012, até ao momento), de ano para ano, fruto de melhorias ao nível dos protocolos de alimentação e maneio. 


Normalmente as aves são mantidas em caixas de pequena dimensão, em grupos de vários indivíduos e utilizam-se pequenos “ninhos”. A higiene do espaço onde se mantém as aves deve ser uma das prioridades, assim como a tranquilidade e silêncio, tanto durante o repouso, como, e principalmente, durante a manipulação para a alimentação.


A alimentação baseia-se em larvas de tenébrios, complementada com ração, e a frequência de refeições é de 4 a 5 vezes por dia, mas poderá ir diminuindo dependendo do estado de desenvolvimento dos animais e do respectivo ganho de peso.



Uma das mensagem que o CERVAS considera importante passar para a população é a de que a recuperação destas aves nos centros é mais fácil e de maior sucesso se as aves forem entregues de imediato por parte de quem as encontra, para que os técnicos dos centros consigam iniciar os protocolos correctos o mais cedo possível.


Na parte final da recuperação são realizados exercícios para estímulo de voo e musculação e a decisão final de quando libertar cada ave depende das biometrias, peso, desenvolvimento da plumagem e estado geral de cada indivíduo.


As devoluções à Natureza têm sido realizadas em Gouveia, maioritariamente no miradouro do Paixotão, envolvendo as pessoas que encontraram as aves, população local ou visitantes ocasionais.


Este local reúne condições óptimas, por se tratar de um local elevado, com vista para a zona urbana onde existem colónias numerosas de ambas as espécies de andorinhões o que, teoricamente, aumenta a probabilidade de integração dos indivíduos recuperados.



Para consultar mais informações sobre recuperação de andorinhões recomendamos os seguintes sítios na Internet:

http://www.falciotnegre.com/
http://www.apusapus.net/
http://www.asapus.org/
http://www.chimneyswifts.org/

Devolução à Natureza de um peneireiro-vulgar na praia fluvial de Loriga


No dia 21 de Agosto de 2012 às 15:30 foi devolvido à Natureza um peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus) na praia fluvial de Loriga, Seia.



Este ave juvenil tinha sido recolhida por habitantes locais que a encontraram debilitada na via pública, tendo sido encaminhada para o CERVAS por uma equipa de protecção florestal do posto da GNR de Loriga.


Durante o curto período de recuperação, de cerca de 1 mês e meio, o peneireiro terminou o desenvolvimento da plumagem e realizou treinos de voo e caça em conjunto com outras aves da mesma espécie.


O local escolhido, a praia fluvial de Loriga, está próximo de onde a ave tinha sido encontrada e é frequentado por um grande número de pessoas nesta altura do ano, o que permitiu a realização de uma acção de sensibilização para a população.


As cerca de 200 pessoas presentes demonstraram um grande interesse e curiosidade em conhecer a história desta ave bem como outras informações relacionadas com a ecologia, identificação e conservação das aves de rapina.


O CERVAS agradece o acolhimento por parte dos responsáveis pela gestão da praia e toda a simpatia e entusiasmo da população, desde as pessoas que estiveram envolvidas na recolha e encaminhamento da ave até aos turistas que frequentavam o local e que foram surpreendidos com a acção.


Veja o vídeo aqui

Devolução à Natureza de 1 mocho-galego em Galisteu


No dia 19 de Agosto de 2012 às 19:15 foi devolvido à Natureza um mocho-galego (Athene noctua) em Galisteu (Vide-entre-vinhas, Celorico da Beira).


Esta acção foi integrada num evento de convívio da população local organizado pela Associação de Apoio Social e Desenvolvimento de Galisteu e Vide-entre-vinhas.


Após uma sessão de esclarecimento sobre a identificação, ecologia e conservação de aves de rapina nocturnas, cerca de 50 pessoas tiveram a oportunidade de presenciar a libertação de um jovem mocho-galego.


Esta ave tinha sido recolhida na berma de uma estrada e recolhida por um particular que a entregou no Parque Ecológico de Gouveia, que por sua vez a encaminhou para o CERVAS.


Após cerca de 2 meses e meio de recuperação, em contacto com outros mochos-galegos de diferentes idades, esta ave regressou à Natureza num local próximo de campos agrícolas e áreas florestais.


O CERVAS agradece o convite e interesse demonstrado pela Associação de Galisteu bem como a oportunidade de contacto com a população local.




Devolução à Natureza de 2 corujas-das-torres em Casal de Ribafeita, Viseu


No dia 14 de Agosto de 2012 às 20:30 foram devolvidas à Natureza 2 corujas-das-torres (Tyto alba) em Casal de Ribafeita, Viseu.


Uma das aves tinha sido recolhida nesta aldeia, tendo sido encontrada debilitada e dentro de um sótão de uma casa, e a outra tinha sido recolhida ainda com a plumagem em desenvolvimento, após queda do ninho, numa aldeia próxima, Bodiosa.


A população local aderiu à iniciativa com grande interesse e cerca de 40 pessoas assistiram à libertação das duas corujas-das-torres, após cerca de 2 meses de recuperação no CERVAS onde foram entregues pelo SEPNA/GNR de Viseu.


O local escolhido era muito próximo de onde uma das corujas tinha sido encontrada, dentro da povoação, ao lado de campos agrícolas e zonas de bosque.


Espécie do mês de Agosto: Pisco-de-peito-ruivo



Com um aspecto rechonchudo o pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) é um pequeno passeriforme da família dos turdídeos com o peito e faces ruivas. Possui uma cabeça e olhos escuros grandes e um bico fino, com um amplo peito e ventre esbranquiçado. Os juvenis são mais parecidos com outros turdídeos, acastanhados e malhados.


É uma espécie residente muito comum, havendo igualmente indivíduos invernantes provenientes da Europa Ocidental, Setentrional, Central e Oriental, desde o Reino Unido à antiga URSS. As primeiras aves migradoras surgem no sul do país a partir da 2ª quinzena de Setembro e a espécie torna-se abundante no norte e no centro no princípio de Outubro, verificando-se que a maioria dos indivíduos invernantes desta espécie é do sexo feminino. Devido à captura de indivíduos no algarve, com grandes reservas de gordura em Outubro e em Novembro, é possível que alguns dos piscos-de-peito-ruivo observados no Outono estejam de passagem para o Norte de África. No Inicio de Fevereiro começam as partidas para as áreas de reprodução, tornando-se escassos no sul de Portugal, onde ficam restritos a áreas com maior humidade, principalmente em zonas acidentadas junto ao litoral. Estes migradores tendem a distribuir-se pelos habitats consoante o sexo e a classe etária a que pertencem, destacando que há maior proporção de fêmeas em zonas de matagais mediterrânicos em comparação com os machos que ocorrem mais em bosques e montados com pouco sub-bosque. Em zonas muito abertas, com pouco abrigo e poucos recursos alimentares encontram-se principalmente indivíduos juvenis.


Tanto no verão como no inverno o pisco-de-peito-ruivo frequenta uma enorme variedade de habitats desde que estes possuam alguma cobertura arbórea ou apenas arbustiva, frequentando ainda pomares, vinhas, parques, jardins e pequenos quintais nas zonas urbanas.

A população residente começa a reprodução a partir do mês de Março, embora a maioria das posturas seja feita nos meses de Abril, Maio e Junho (apesar de este aspecto não estar bem estudado). Os ninhos são construídos em pequenas cavidades pouco profundas em diversos substratos que incluem árvores, rochas, taludes e em algumas estruturas artificiais. Estes ninhos geralmente localizam-se a baixa altura, desde o nível do solo até cinco metros ou mais. As posturas são geralmente compostas por 4 a 6 ovos, criando entre duas e ocasionalmente três ninhadas por ano. A incubação dura cerca de 14 dias e as crias estão aptas a abandonar o ninho, aproximadamente, aos 14 dias de idade.



A alimentação do pisco-de-peito-ruivo na Primavera deverá ser essencialmente insectívora, ao passo que no inverno as aves invernantes alimentam-se essencialmente de frutos carnudos, como por exemplo as azeitonas, de bagas, pedaços de bolotas e pequenos invertebrados que apanha desde o solo.



O pisco-de-peito-ruivo é uma ave solitária e bastante curiosa, que emite durante grande parte do ano um canto doce e com uma variada sucessão de melodiosos trinados, por vezes ténues e agudos. O canto dos piscos-de-peito-ruivo invernantes ouve-se com mais intensidade de Outubro a meados de Novembro, diminuindo a sua frequência até se tornar raro desde Dezembro até à partida de regresso às áreas de nidificação. Relativamente às aves residentes ocorre igualmente uma diminuição do canto ao longo do Outono, aumentando este a partir de Janeiro ou Fevereiro, altura em que as aves invernantes são quase silenciosas. Muitas vezes em zonas com iluminação artificial, é possível escutar o canto do pisco-de-peito-ruivo durante a noite.

Devolução à Natureza de 1 coruja-do-mato em Orgens, Viseu


No dia 14 de Agosto de 2012 às 19:30 o CERVAS procedeu à devolução à Natureza de uma coruja-do-mato (Strix aluco) em Orgens, Viseu.


Esta ave tinha sido encontrada junto à berma de uma estrada por uma equipa da GNR após atropelamento por um autocarro e foi encaminhada para o CERVAS pelo SEPNA-GNR de Viseu.


No momento do ingresso a ave apresentava sintomas de traumatismo craniano, descoordenação motora e hemorragias. Após cerca de 3 meses de tratamento e treino de voo e caça em contacto com outras corujas-do-mato a ave foi devolvida à Natureza num bosque próximo do local onde tinha sido encontrada.


A devolução à Natureza foi realizada pela madrinha e respectiva família, a quem o CERVAS agradece o apoio e interesse, bem como de alguns habitantes locais e voluntários do centro.


CERVAS nas Festas do Senhor do Calvário em Gouveia


A ALDEIA / CERVAS participou nas Festas do Senhor do Calvário, em Gouveia, que decorreram entre 10 e 13 de Agosto de 2012.


Ao contrário do que aconteceu nos anos anteriores e devido ao facto de não ter sido organizada a Feira do Associativismo, o CERVAS não dinamizou o seu espaço de divulgação e educação ambiental mas como alternativa foi possível gerir um espaço de venda de bebidas junto ao palco principal do evento.


Esta acção foi desenvolvida em parceria com a DLCG, a quem o CERVAS agradece por mais esta excelente oportunidade de contacto com a população e angariação de fundos para o trabalho do centro.


Em paralelo decorreram outras actividades, como uma saída de campo para observação de aves no dia 11, e ainda a devolução à Natureza de uma coruja-do-mato (Strix aluco) no dia 13.


Esta ave foi devolvida à Natureza por voluntários do CERVAS que têm apoiado o centro durante o Verão e a quem o CERVAS deixa um sincero agradecimento pelo esforço, dedicação e entusiasmo demonstrado em todos os tipos de actividades.

Saída de campo: As Aves de Gouveia, Serra da Estrela / Ciência Viva no Verão 2012


Nos dias 28 de Julho e 11 de Agosto a ALDEIA / CERVAS organizou duas saídas de campo para observação das aves de Gouveia, Serra da Estrela, no âmbito do Ciência Viva no Verão 2012.


No total participaram 23 pessoas de diferentes partes do país, sendo que a maioria se inscreveu através do programa Ciência Viva, mas também participaram voluntários que estão a colaborar nos trabalhos do CERVAS durante o Verão.


Foram registadas 40 espécies de aves, sendo de destacar o falcão-abelheiro (Pernis apivorus), águia-calçada (Aquila pennata), tartaranhão-caçador (Circus pygargus) e o papa-figos (Oriolus oriolus).


Tendo em conta que a maior parte dos participantes estava a iniciar-se na observação de aves, um dos principais objectivos das saídas foi apresentar alguns princípios básicos de observação e identificação e foi dada particular relevância à identificação visual e auditiva de espécies comuns, com referências às mais características da Serra da Estrela.


O ponto de partida foi o Parque Ecológico de Gouveia, seguindo-se uma breve passagem no CERVAS, a caminho da Mata da Cerca, sendo o ponto de chegada ao final da manhã o Curral do Negro.


Este percurso permitiu aos participantes observar aves em zonas de matos, florestas, campos agrícolas, encostas próximas de linhas de água e ainda zonas peri-urbanas.