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2 de Outubro de 2011: Fim de Semana Europeu de Observação de Aves em Gouveia


Tal como em anos anteriores o CERVAS/ALDEIA organizaram uma saída de campo em Gouveia no âmbito do Fim de Semana Europeu de Observação de Aves, um evento que é coordenado a nível internacional pela Birdlife International e em Portugal pela SPEA/Birdlife.



Nesta actividade estiveram presentes 11 pessoas que percorreram alguns dos pontos mais interessantes para observação de aves no concelho de Gouveia entre as 8:00 e as 19:00.


As primeiras horas do dia foram passadas junto de campos agrícolas e linhas de água na aldeia de Vila Cortês da Serra, que se vieram a revelar como os pontos mais ricos em aves de todo o percurso realizado durante o dia.

Depois de passagens por Freixo da Serra, Folgosinho e Gouveia (Curral do Negro), os locais escolhidos para as últimas horas do dia foram o Rio Mondego, entre Ribamondego e Gouveia-Gare e os campos agrícolas de Arcozelo, onde foi possível observar também uma quantidade significativa de aves.


A contagem final foi de 53 espécies observadas, que constam na listagem seguinte:

Nome vulgar

Nome científico

Gavião

Accipiter nisus

Águia-d’asa-redonda

Buteo buteo

Perdiz

Alectoris rufa

Pombo-das-rochas

Columba livia

Rola-turca

Streptopelia decaocto

Guarda-rios

Alcedo atthis

Peto-real

Picus viridis

Pica-pau-malhado

Dendrocopos major

Cotovia-dos-bosques

Lullula arborea

Andorinha-das-rochas

Ptyonoprogne rupestris

Andorinha-dáurica

Hirundo daurica

Andorinha-dos-beirais

Delichon urbica

Petinha-das-árvores

Anthus trivialis

Alvéola-cinzenta

Motacilla cinerea

Alvéola-branca

Motacilla alba

Carriça

Troglodytes troglodytes

Pisco-de-peito-ruivo

Erithacus rubecula

Rabirruivo

Phoenicurus ochruros

Cartaxo-nortenho

Saxicola rubetra

Cartaxo

Saxicola torquata

Chasco-cinzento

Oenanthe oenanthe

Melro

Turdus merula

Tordo-pinto

Turdus philomelos

Rouxinol-bravo

Cettia cetti

Toutinegra-do-mato

Sylvia undata

Toutinegra-dos-valados

Sylvia melanocephala

Toutinegra-de-barrete

Sylvia atricapilla

Felosinha-ibérica

Phylloscopus ibericus

Felosa-musical

Phylloscopus trochilus

Estrelinha-real

Regulus ignicapillus

Taralhão-cinzento

Muscicapa striata

Papa-moscas

Ficedula hypoleuca

Chapim-rabilongo

Aegithalos caudatus

Chapim-carvoeiro

Parus ater

Chapim-azul

Parus caeruleus

Chapim-real

Parus major

Trepadeira-azul

Sitta europaea

Trepadeira

Certhia brachydactyla

Gaio

Garrulus glandarius

Gralha-preta

Corvus corone

Corvo

Corvus corax

Estorninho-preto

Sturnus unicolor

Pardal

Passer domesticus

Pardal-montês

Passer montanus

Pardal-francês

Petronia petronia

Bico-de-lacre

Estrilda astrild

Tentilhão

Fringilla coelebs

Milheirinha

Serinus serinus

Verdilhão

Carduelis chloris

Pintassilgo

Carduelis carduelis

Pintarroxo

Carduelis cannabina

Escrevedeira

Emberiza cirlus

Cia

Emberiza cia



Durante a pausa realizada para o almoço os participantes tiveram a oportunidade de conhecer as instalações do CERVAS e de devolver à Natureza uma gralha-preta (Corvus corone) que tinha ingressado no dia 25 de Agosto após ter sido recolhida por um particular.


Esta ave apresentava uma fractura numa das asas e após tratamento das lesões, treino, musculação e contacto com outras aves foi devolvida à Natureza num local adequado e frequentado por animais da mesma espécie.


Espécie do mês de Outubro: Garça-real


A garça-real (Ardea cinerea), é a garça europeia mais abundante. Como é característico noutras garças, a garça-real durante o voo recolhe o pescoço e quando pousada é vista muitas vezes com um comportamento de observação muito paciente e posição muito rígida, por vezes atarracada do pescoço, mas é facilmente distinguida de todas as outras garças europeias, pelo seu tamanho e pela sua plumagem cinzenta, branca e preta.


A garça-real,fora da época reprodutora encontra-se distribuída praticamente por todo o país, sendo mais numerosa em zonas húmidas do litoral. Ao contrário de outras aves aquáticas também é frequente vê-la nos rios e represas do norte e do centro (por vezes mesmo em altitude), frequentando, portanto, um vasto leque de zonas húmidas como estuários, salinas, pauis, aquaculturas, lagoas costeiras, arrozais, barragens, rios e ribeiras.
A garça-real alimenta-se de peixes, anfíbios, pequenos mamíferos, insectos e répteis. Ocasionalmente pode alimentar-se de crustáceos, moluscos, vermes, aves e matéria vegetal (que ajuda na formação das regurgitações).


A garça-real pode nidificar colonialmente ou individualmente, fazendo os seus ninhos em árvores como o pinheiro-manso, eucaliptos de grande porte, sobreiros e por vezes em azinheiras. As primeiras posturas começam aparentemente em Fevereiro ocorrendo muitas em Março. As posturas são constituídas por 4-5 ovos produzindo normalmente só uma ninhada, podendo fazer até três posturas de substituição; a incubação dura 25-26 dias saindo as crias do ninho ao fim de 20-30 dias, encontrando-se aptas a voar por volta dos 50 dias de idade.


Uma parte das garças-reais europeias inverna em África, incluindo provavelmente aves de passagem por Portugal e eventualmente aves nidificantes neste país. A passagem pós-nupcial desta espécie é bastante notória, aumentando o número de aves em Agosto, Setembro e Outubro. As garças-reais que invernam em Portugal provêm da generalidade da Europa Ocidental e Central.


Bibliografia
(1) Bruun B., Svensson H. 2002. Aves de Portugal e Europa. Guias FAPAS. ISNB:972-95951-0-0
(2) Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.

18 e 21 de Setembro: Devolução à Natureza de 1 gavião e 1 mocho-galego

18 de Setembro de 2011, Domingo
14:30, Vila Nova de Tazem, Gouveia - devolução à Natureza de um gavião

Este gavião (Accipiter nisus) foi recolhido por um particular e ingressou no CERVAS no dia 25 de Agosto com lesões oculares devido a um trauma. O processo de recuperação consistiu no tratamento dos problemas detectados seguido de treino e musculação em contacto com outras aves de rapina diurnas de pequeno porte.


A devolução à Natureza foi efectuada num local próximo de uma área florestal junto a campos agrícolas e foi presenciada por cerca de 50 pessoas.


Esta acção foi integrada no programa da 2ª edição da Vinal - Feira do Vinho e da Alambicada que decorreu em Vila Nova de Tazem, Gouveia, entre 16 e 18 de Setembro, pelo que o CERVAS agradece o convite da Câmara Municipal de Gouveia, uma das entidades organizadoras do evento.



21 de Setembro de 2011, Quarta-feira
19:30, Guarda - devolução à Natureza de um mocho-galego

Este mocho-galego (Athene noctua) ingressou no CERVAS a 30 de Julho depois de ter sofrido um atropelamento e ser recolhido por um particular que o encaminhou para o centro através do SEPNA/GNR - Guarda.


A ave não apresentava lesões mas estava magra, desidratada e muito parasitada. Após os tratamentos necessários, o mocho foi colocado em contacto com outros indivíduos da mesma espécie, para treino de caça e musculação.


A devolução à Natureza foi realizada num espaço pertencente ao Lusitânia Parque Hotel, na Guarda, numa área onde está a ser realizado um interessante projecto de hortas biológicas.


Esta acção foi integrada num evento de inauguração de uma nova área dedicada à agricultura biológica no espaço do hotel, em que foi celebrado um protocolo entre a Quinta da Maúnça - Espaço Educativo Florestal / Câmara Municipal da Guarda e o Hotel Lusitânia, entidades a quem o CERVAS agradece a oportunidade de realizar a acção de sensibilização e divulgação.


Após uma breve apresentação do trabalho do CERVAS e de alguns aspectos relacionados com a ecologia e conservação do mocho-galego, a ave foi devolvida à Natureza na presença de cerca de 60 pessoas que estavam a participar no evento.


O mocho-galego que já tinha sido carinhosamente baptizado de "Toni" pela família que o recolheu e encaminhou para o CERVAS recebeu o nome adicional de "Lusitana" por parte do grupo que presenciou a libertação.

13 e 14 de Setembro de 2011: Devolução à Natureza de 1 noitibó-cinzento, 1 grifo e 2 águias-cobreiras

13 de Setembro de 2011, Terça-feira
19:30, S. Pedro, Gouveia - devolução à Natureza de um noitibó-cinzento

Este noitibó-cinzento (Caprimulgus europaeus) foi encontrado por particulares no dia 25 de Julho e foi encaminhado para o CERVAS através do SEPNA-GNR de Montemor-o Velho e Reserva Natural do Paul da Arzila.


A ave apresentava uma fractura do metacarpo, a asa foi imobilizada e o processo de recuperação consistiu em repouso, alimentação adequada, fisioterapia e treino.


A devolução à Natureza foi realizada por técnicos do CERVAS numa zona de matos e campos agrícolas próxima a áreas florestais ao final da tarde.


14 de Setembro de 2011, Quarta-feira
10:00, Reserva Natural da Serra da Malcata - devolução à Natureza de um grifo.

Este grifo (Gyps fulvus) foi encontrado por um particular no dia 23 de Julho em Castro Daire, que o encaminhou para o CERVAS através do SEPNA/GNR-Viseu. A ave estava desnutrida mas não apresentava lesões e a recuperação consistiu em alimentação adequada e treinos de voo numa jaula de grandes dimensões.


A devolução à Natureza foi realizada numa zona próxima a um campo de alimentação de aves necrófagas, na Reserva Natural da Serra da Malcata, por técnicos desta área protegida e do Parque Natural da Serra da Estrela, a quem o CERVAS agradece o apoio no transporte e libertação do grifo.




14 de Setembro de 2011, Quarta-feira

11:00, Palhais, Trancoso - devolução à Natureza de duas águias-cobreiras.


Uma das águias-cobreiras (Circaetus gallicus) foi encontrada por dois habitantes da aldeia de Palhais, em Trancoso, no dia 28 de Agosto e apresentava extensas lesões traumáticas na cabeça e numa das asas. O processo de recuperação consistiu no tratamento das feridas, repouso, alimentação adequada à base de répteis - o principal alimento desta espécie - e posteriormente treino e musculação em jaulas de grandes dimensões, em contacto com outras aves.


No momento da libertação estavam presentes 13 pessoas, entre as quais as pessoas que encontraram a ave, o presidente da junta de freguesia de Palhais e outros habitantes locais, bem como técnicos e colaboradores do CERVAS.


Em simultâneo procedeu-se à devolução à Natureza de outra águia-cobreira que tinha sido recolhida no dia 27 de Julho após queda do ninho, sem lesões.



A devolução à Natureza de ambas as águias foi realizada numa zona de floresta próxima de lameiros, campos agrícolas, na periferia da aldeia onde uma delas tinha sido encontrada ferida.


Espécie do mês de Setembro: Cobra-de-água-de-colar

A cobra-de-água-de-colar (Natrix natrix) é um ofídio de dimensões médias que pode atingir os 2 m de comprimento não ultrapassando geralmente os 1,20 m. Apresenta escamas dorsais carenadas e geralmente 3 escamas pós-oculares (1).


Os adultos desta espécie apresentam uma cor uniforme verde-acinzentada com pequenas manchas escuras dispersas ao longo do corpo e ventre esbranquiçado ou esverdeado com manchas pretas (1;3). Os juvenis possuem um notável colar branco, ou amarelado, orlado de negro na parte posterior da cabeça, resultando daí o nome que lhe é atribuído (1).



Esta espécie possui uma ampla distribuição Paleártica, da Europa e Magreb até à Mongolia (1), encontrando-se bem distribuída na Península Ibérica embora de forma descontinua, (no sul a aridez ambiental restringe a espécie aos meios mais favoráveis com presença de massas de água estáveis e limpas) (2). Em Portugal a cobra-de-água-de-colar distribui-se por todo o território continental embora se considere que a espécie seja mais frequente em áreas de altitude média a elevada (acima dos 400m) do que baixa, no entanto distribui-se desde o nível do mar até aos 1875 m, na Serra da Estrela (2).


A cobra-de-água-de-colar tem hábitos aquáticos ocorrendo tanto em locais húmidos, prados e ribeiras, como em locais mais afastados de água, como matagais e bosques. Alimenta-se essencialmente de sapos e rãs e ocasionalmente de tritões, peixes e salamandras (1;3) caçando muitas vezes junto da água e fazendo-o sempre à superfície (ao contrário da sua congénere cobra-de-água-viperina) (3).



Na época de reprodução que ocorre entre Abril a Maio é possível ver vários machos tentarem acasalar com uma única fêmea formando curiosas “bolas” de serpentes. As fêmeas são ovíparas fazendo posturas de 5 a 50 ovos, demonstrando tendências para a ovoviparidade onde aquando da postura muitos dos ovos apresentam embriões em estado de desenvolvimento mais ou menos avançados (1).


Esta espécie desenvolveu comportamentos de defesa singulares onde quando surpreendida tem tendência a fugir mas quando encurralada sopra ruidosamente podendo bater com o focinho sem abrir a boca, e quando agarrada pode libertar um odor nauseabundo através das glândulas cloacais e fingir-se morta apresentando o corpo flácido e a boca aberta com a língua pendente, este comportamento permite enganar os predadores que acabam por se afastar desinteressados (1;3).


A cobra-de-água-de-colar por ser uma espécie dependente da água é vulnerável à contaminação e desaparecimento dos meios aquáticos, tanto naturais como artificiais, grande parte devido às alterações dos usos agrícolas e pecuários tradicionais que favorecem a fragmentação e o isolamento das suas populações (2;3). Verifica-se que no Norte de Portugal a cobra-de-água-de-colar é uma espécie muito ubíqua sendo vítima de atropelamento e do uso de pesticidas e no Centro e Sul a baixa densidade e isolamento das populações aumentam a sua vulnerabilidade (2). Segundo o Livro vermelho dos vertebrados de Portugal esta espécie encontra-se classificada como Pouco Preocupante-LC.

Bibliografia:

(1) Lesparre, D.; Crespo, E.. A Herpetofauna do Parque Natural da Serra da Estrela. CISE - Munícipio de Seia

(2) Loureiro, A.; Almeida, N. F.; Carretero, M. A.; Paulo, O. S., 2008. Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, I.P. - Lisboa

(3) http://anfibioserepteis.blogspot.com/

8 de Setembro de 2011: Devolução à Natureza de 1 andorinha-dos-beirais, 1 carriça e 1 cobra-de-água-de-colar

8 de Setembro de 2011, Quinta-feira
9:00, Vinhó, Gouveia - Devolução à Natureza de uma andorinha-dos-beirais

Esta andorinha-dos-beirais (Delichon urbica) ingressou no dia 25 de Agosto, após queda de ninho, e foi recolhida por um particular que a encaminhou para o CERVAS através do SEPNA-GNR de Gouveia.



A ave apresentava uma boa condição física mas estava ligeiramente desidratada e desnutrida, pelo que a sua recuperação consistiu em hidratação e alimentação adequada, com larvas de insectos, durante cerca de duas semanas. No fase final do processo, foram realizados treinos de voo e musculação para garantir uma boa capacidade de voo.


A devolução à Natureza desta ave, baptizada de "Tenébrio", teve lugar na aldeia de Vinhó, em Gouveia, e foi realizada por técnicos e voluntários do CERVAS junto de uma colónia onde ainda se podem observar uma grande quantidade de indivíduos da mesma espécie.





8 de Setembro de 2011, Quinta-feira
10:30, Vinhó, Gouveia - Devolução à Natureza de uma carriça

Esta carriça (Troglodytes troglodytes) foi vítima de cativeiro acidental tendo ficado presa numa área vedada dentro das instalações do CERVAS e apresentava sinais de algum desgaste físico e cansaço.


Após exame físico no qual não foram detectadas lesões, foram efectuados testes de voo e a ave foi devolvida à Natureza num local próximo daquele onde tinha sido encontrada.




8 de Setembro de 2011, Quinta-feira
18:00, Ribamondego, Gouveia - Devolução à Natureza de uma cobra-de-água-de-colar

Esta cobra-de-água-de-colar (Natrix natrix) ingressou no CERVAS no dia 21 de Julho de 2011 após ter sido atacada por um cão.


Durante o exame físico foi possível detectar várias feridas bem como uma lesão traumática ao nível da coluna vertebral. Após tratamento das lesões e várias semanas de repouso e alimentação à base de peixe e pequenos ratos, a cobra ficou apta para a devolução à Natureza.


Foram também realizados vários testes e sessões de treino para avaliar a capacidade de mobilidade do animal, principalmente no terço posterior do corpo que tinha sido o mais afectado pelo trauma.


A devolução à Natureza foi efectuada num local tranquilo que reunia condições optimas para a espécie, junto ao rio Mondego.


No momento da libertação da cobra, baptizada de "Scofield" - uma alusão às excelentes capacidade de fuga que este animal demonstrou durante o processo de recuperação -, estiveram presentes técnicos e voluntários do CERVAS.




O local escolhido foi o rio Mondego, entre Ribamondego e Arcozelo, um dos locais mais bonitos do concelho de Gouveia, muito frequentado por turistas e pescadores. Infelizmente, apesar da beleza natural do local, é frequente encontrar muito lixo dentro do rio e nas margens, pelo que fica o apelo à população e entidades competentes para que haja maior respeito e cuidado com este local. No final da devolução à Natureza da cobra, procedeu-se à recolha de algum do lixo existente, com os meios disponíveis no momento, mas infelizmente muito mais ficou por recolher.