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9 de Julho de 2011: Saída de Campo 'Flora da Serra da Estrela'

A Serra da Estrela alberga um precioso coberto vegetal, onde se encontram reunidos muitos dos elementos característicos de várias regiões do país numa combinação única, acrescentando-lhe ainda algumas riquezas próprias.

Com o objectivo de divulgar o património natural da Serra da Estrela, foi realizado no dia 09 de Julho uma saída de campo, que contou com a presença de 30 participantes, para observação da flora característica da Serra da Estrela, e de alguma forma dar continuidade às actividades relacionadas com este tema que o CERVAS organizou em anos anteriores. Mais uma vez a saída decorreu de acordo com um itinerário pré-definido (diferente do realizado nas saídas anteriores) de forma a contemplar uma variedade de habitats com diferentes características.

O ponto de encontro para dar inicio à actividade foi o CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela, ao qual a equipa do CERVAS quer desde já agradecer a colaboração na realização desta actividade.

Após a recepção aos participantes o autocarro dirigiu-se para o primeiro ponto de paragem, a Central Ponte dos Jugais – Souto da Lapa/Lapa dos Dinheiros, uma mata de castanheiros e galeria ripícola de amieiros, onde se observou uma grande variedade de espécies típicas destas formações.

Seguiu-se para Cabeça (Seia) e realizou-se um percurso a pé até à Ribeira de Loriga. Neste percurso visitaram-se os matos altos lauróides e medronhais, galerias ribeirinhas de salgueiros, e um bosque de azereiros.

Após o almoço dirigimo-nos às Salgadeiras - Planalto Superior onde visitamos os ambientes lacustres de altitude, complexos de turfeiras, cervunais, e zimbrais rasteiros. Por fim, o autocarro seguiu para a Srª da Estrela/Cântaro Raso onde se realizou mais um percurso antes do regresso.



A paragem seguinte seria o Covão da Ametade, Barroca do Teixo - Vale do Zêzere (vidoal/bosquete de teixos), no entanto o tempo já era escasso.

Gentiana lutea subsp. aurantiaca - Argençana-dos-pastores

Tudo correu como previsto, e ao longo do dia observaram-se dezenas de espécies características de diversos habitats da Serra da Estrela.

Algumas espécies de plantas observadas por habitat:

Ponto 1: Central Ponte dos Jugais

Viburnum tinus
- Folhado
Dianthus lusitanus – Cravinas-bravas
Anarrhinum bellidifolium
Sedum hirsutum - Uva-de-gato
Quercus robur – Carvalho-alvarinho
Castanea sativa - Castanheiro
Erica arborea – Urze-branca
Ruscus aculeatus – Gilbardeira
Thapsia vilosa
Cytisus grandiflorus subsp. grandiflorus – Giesteira-das-sebes
Lonicera periclymenum subsp. periclymenum – Madressilva
Polystichum setiferum – Fentanha
Umbilicus rupestris – Umbigo-de-Vénus
Hedera hibernica - Hera
Circaea lutetiana – Erva-das-feiticeiras
Ornithogalum pyrenaicum
Aquilegia vulgaris subsp. dichroa - Columbina
Sorbus latifolia – mustajeiro
Narcissus triandrus subsp. pallidulus
Prunus avium - Cerejeira
Phillyrea angustifolia – Lentisco-bastardo
Melica uniflora Tamus communis – Uva-de-cão
Arum italicum – jarro-dos-campos
Genista falcata – Tojo-gadanho
Campanula rapunculus – Rapôncio
Crataegus monagyna – Pilriteiro
Hypericum androsaemum – Hipericão-do-gerês
Cytisus multiflorus - Giesta-branca
Cytisus striatus – Giesteira-das-serras
Chaerophyllum temulentum
Prunus institita – Abrunheiro
Asplenium trichomanes subsp quadrivalves
Blechnum spicant – Feto-pente
Saxifraga spathularis
Lapsana communis - Labresto
Hieracium sp.
Teucrium scorodonia – Escorodónia
Urtica dioica – Urtiga-maior
Vincetoxicum nigrum
Polygonatum odoratum – Selo-de-salomão
Chelidonium majus – Erva-andorinha
Calamintha npeta subsp. nepeta - Calaminta
Digitalis purpurea subsp. purpurea - Dedaleira
Arenaria montana
Geranium robertianum – Erva-de-São-Roberto
Sambucus nigra - Sabugueiro
Lilium martagon - Martagão
Chrisosplenium oppositifolium
Primula vulgaris – Pão-de-leite
Arabis stenocarpa
Erysimum merxmuelleri
Alnus glutinosa – Amieiro
Carex elata subsp reuteriana
Saponaria officinalis - Saboeira

2 – Fonte de Cabeça (Seia)

Hakea sericea – háquea-espinhosa
Hypericum undulatum
Wallenbergia hederacea
Daphne gnidium – Trovisco
Origanum virens – Oregão
Lotus pedunculatus – Erva-coelheira
Quercus suber – sobreiro
Lythrum portula - Patinha
Erica ciliaris – Urze-carapaça
Cistus psilosepalus - Sanganho

3- Ribeira de Loriga

Parietaria judaica – Alfavaca-da-cobra
Erigeron karvinskianus – Vitadinha-das-florista
Reseda luteola – Reseda-brava
Clinopodium vulgare – Clinopódio
Tolpis barbata – Olho-de-mocho
Juncus effusus
Lycopus europaeus Cirsium palustre – Cardo-roxo
Eupatorium canabinum – Trevo-cervino
Frangula alnus – Amieiro-negro
Mentha suaveolens - Mentrasto
Hypericum undulatum
Osmunda regalis – Feto-real
Fraxinus angustifolia - Freixo
Salix atrinerea – Borranzeira-negra Salix salvifolia – Borranzeira-branca
Hypericum perforatum s.l. – Milfurada
Lotus pedunculatus - Erva-coelheira
Anagallis tenella
Scutellaria minor – Escutélaria
Hypericum pulchrum Oxalis corniculata – Erva-azeda
Plantago lanceolata – Língua-de-ovelha
Plantago major – Tanchagem-maior
Rumex otusifolius

4 – Bosque azereiros (Prunus lusitanica)

Prunus lusitanica subsp. lusitanica- azereiro
Centaurium erythraea – Fel-da-Terra
Phillyrea angustifolia – Lentisco-bastardo
Arbutus unedo – medronheiro
Viburnum tinus – folhado
Ilex aquifolium – azevinho
Betula alba - Vidoeiro Lavandula pedunculata – Rosmaninho maior
Lythrum portula - Patinha
Scutellaria minor – Escutélaria
Jasione montana – Baton-azul Erica arborea – Urze branca
Erica cinerea – Urze-roxa
Rosa pouzinii
Daphne gnidium - Trovisco

5 – Salgadeiras/Planalto Superior

Festuca henriquesii
Juncus squarrosus
Juncus tenageia
Juniperus communis – Zimbro-rasteiro
Plantago holosteum
Sparganium angustifolium Antinoria agrostidea
Potentilla erecta – sete-em-rama
Sphagnum spp.
Cytisus oromediterraneus - Piorno
Sedum brevifolium
Sedum anglicum
Juncus bulbosus
Campanula herminii
Arenaria querioides
Jasione crispa
Calluna vulgaris – Torga-ordinária
Echinospartum ibericum subsp.. pulviniformis
Fontinalis antipyretica
Spergularia capillacea
Teucrium salviastrum
Armeria sampaioi
Festuca indigesta
Solidago virgaurea
Dianthus lusitanus – Cravinas-bravas
Phalacrocarpum oppositifollium
Genista florida - Piorno-dos-tintureiros
Carex nigra subsp. iberica
Carex echinata
Erica australis subsp. aragonensis – Urze-vermelha
Luzula caespitosa
Minuartia recurva subsp. juressi
Saxifraga spathularis
Silene ciliata subsp. elegans
Silene acutifolia
Gentiana lutea subsp. aurantiaca – Argençana-dos-pastores
Gentiana pneumonanthe

6- Sr.ª da Estrela/Cântaro Raso

Sagina saginoides
Saxifraga stellaris
Festuca rivularis
Myosotis stolonifera
Epilobium anagallidifolium
Silene foetida subsp. foetida
Ranunculus ololeucos
Fontinalis antipyretica
Cytisus oromediterraneus - Piorno
Minuartia recurva subsp. juressi
Leontodon hispidus subsp. bourgaeanus
Saxifraga spathularis
Eryngium duriaei subsp. duriaei
Teucrium salviastrum
Rumex suffruticosus
Cytisus oromediterraneus - Piorno
Silene ciliata subsp. elegans
Echinospartum ibericum subsp. pulviniformis – Caldoneira
Crepis lampsanoides
Dryopteris oreades
Jasione crispa
Reseda gredensis
Gentiana lutea subsp. aurantiaca – Argençana-dos-pastores
Alchemilla transiens
Coincya monensis

21 e 22 de Julho de 2011: Devolução à natureza de sete aves selvagens

21 de Julho de 2011, Quinta-feira
16.30h - Devolução à natureza de uma águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)
Escola Básica 2/3 do Mundão, Viseu

Esta ave foi encontrada por um particular num pinhal e estava desorientada, possivelmente terá fugido de cativeiro já que no momento do seu ingresso apresentava as penas de voo partidas e alguns sinais de domesticação. Foi encaminhada para o CERVAS através do SEPNA-GNR de Viseu. O seu processo de recuperação passou pela diminuição ao mínimo indispensável do contacto com humanos. Também esteve em contacto com animais da mesma espécie, de forma a adquirir alguns dos comportamentos específicos da espécie, e realizou treinos de voo e caça.


No momento de devolução à natureza deste animal encontravam-se cerca de 50 pessoas, entre as quais o ATL da EB 2/3 do Mundão, alunos e professores, a Direcção da Escola, agentes do SEPNA-GNR de Viseu e técnicos e voluntários do CERVAS. O animal foi baptizado de 'Foguete'.




18.00h - Devolução à natureza de duas cegonhas-brancas (Ciconia ciconia)
Mata Nacional do Choupal, Coimbra


Estas duas aves foram vítimas de queda do ninho. Foram encontradas por particulares e encaminhadas para o CERVAS através dos Vigilantes da Natureza da RNPA - Reserva Natural do Paúl de Arzila. O seu processo de recuperação passou por uma alimentação adequada, pelo contacto com animais da mesma espécie e treinos de voo. Durante o processo inicial foi de extrema importância a diminuição ao mínimo indispensável do contactos com humanos.

A devolução à natureza destas duas aves foi realizada pelos Vigilantes da Natureza da RNPA - Reserva Natural do Paúl de Arzila.

18.30h - Devolução à natureza de uma coruja-do-mato (Strix aluco)
Igreja Paroquial de Loureiro de Silgueiros, Viseu


Esta ave foi vítima de uma queda do ninho e encontrada por um particular. Posteriormente foi recolhida e encaminhada para o CERVAS pelo SEPNA-GNR de Viseu. No momento do seu ingresso não apresentava nenhuma lesão pelo que a sua recuperação passou por uma alimentação adequada, pelo contacto com animais da mesma espécie e também realizou treinos de voo e caça. Durante o processo foi de extrema importância a diminuição ao mínimo indispensável do contactos com humanos.


No momento de devolução à natureza desta coruja-do-mato estiveram presentes 11 pessoas, entre as quais agentes do SEPNA-GNR de Viseu, e representantes da Junta de Freguesia de Silgueiros e técnicos e voluntários do CERVAS. Esta ave foi baptizada de 'Felizarda'.




20.00h - Devolução à natureza de uma coruja-do-mato (Strix aluco)
Estádio Municipal de Nelas, Nelas



Este animal foi encontrado num pinhal, vítima de queda do ninho, e recolhido por um particular. Posteriormente foi encaminhado para o CERVAS por intermédio do SEPNA-GNR de Mangualde. No momento do seu ingresso a coruja apresentava boa condição corporal, estava bem hidratada e comia sozinha, o que permitiu logo à partida a diminuição ao mínimo indispensável da sua manipulação, evitando assim a sua domesticação. Posteriormente esteve em contacto com animais da mesma espécie e realizou treinos de voo e de caça.



No momento de devolução à natureza desta coruja-do-mato estiveram presentes 11 pessoas, entre as quais os senhores que tinham encontrado a coruja, o Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Nelas, particulares e os técnicos e voluntários do CERVAS. O animal foi baptizado de 'Melican'.




22 de Julho de 2011, Sexta-feira
10:00 - Devolução à natureza de uma gralha-preta (Corvus corone)
CERVAS, Gouveia


Esta gralha-preta foi vítima de queda do ninho. Foi encontrada por um particular, recolhida pelo SEPNA-GNR de Gouveia e encaminhada para o centro de recuperação por técnicos do CERVAS. No momento do seu ingresso não apresentava nenhuma lesão, pelo que a sua recuperação passou por uma alimentação adequada e pela diminuição da sua manipulação de forma a evitar a domesticação. Numa fase posterior realizou treinos de voo e encontra-se agora pronta para regressar ao seu habitat natural.



No momento de devolução à natureza desta gralha-preta estiveram presentes 12 pessoas, turistas a visitar Gouveia, que baptizaram a ave de 'Porto'.


11.30h - Devolução à natureza de uma águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)
Curral do Negro, Gouveia


Esta ave caiu do ninho e foi encontrada e encaminhada para o CERVAS por intermédio dos Vigilantes da Natureza . No momento do seu ingresso não apresentava lesões, pelo que a sua recuperação demonstrou-se fácil, tendo sido essencial a diminuição ao mínimo indispensável da sua manipulação, de forma a evitar a domesticação. Foi-lhe fornecida uma alimentação adequada e esteve em contacto com animais da mesma espécie. Realizou treinos de voo e caça.


Esta devolução à natureza foi realizada com o ATL de Stª Comba Dão que baptizou o animal de 'Flecha'. A seguir a esta actividade, os técnicos do CERVAS realizaram um passeio interpretativo do bosque do Curral do Negro.


13 de Julho de 2011: Devolução à natureza de dois mochos-d'orelhas

13 de Julho de 2011, Quarta-feira
19:30 - Devolução à natureza de dois mochos-d'orelhas (Otus scops)
Capela da Sra. da Encarnação, Nespereira (Gouveia)

Estas aves ingressaram no CERVAS ainda crias, vítimas de queda de ninho, tendo sido encontradas por particulares e encaminhadas para o CERVAS pelo SEPNA - GNR. Uma das aves apresentava também, sinais de ter colidido com alguma estrutura. O processo de recuperação destas aves passou por uma alimentação adequada ao normal desenvolvimento físico e da plumagem, tendo sido posteriormente colocadas em contacto com aves da mesma espécie para adquirir comportamentos tipicamente selvagens e, assim, minimizar a habituação ao Homem. Finalmente foram submetidas a treinos de voo e caça. O local escolhido para a devolução à natureza reúne as condições ecológicas para esta espécie, havendo registos, no âmbito do Projecto BARN, da ocorrência desta espécie no local nos últimos três anos. As duas aves foram libertadas em conjunto, pois os laços que eventualmente criaram no contexto de recuperação poderão ser muito importantes na sobrevivência destas aves e na migração que irão efectuar em Setembro/Outubro.


No momento da devolução à natureza dos mochos-d'orelhas estiveram presentes cerca de 45 pessoas, entre técnicos, estagiários e voluntários do CERVAS/ALDEIA, população local, elementos da Junta de Freguesia de Nespereira, repórter do Notícias de Gouveia e uma equipa de filmagens da RTP (Veja a reportagem aqui a partir do minuto 12 da 1.ª parte). As aves foram baptizadas de Nina e Tita.


Estudo antropológico de uma possível reintrodução de espécies no Parque Natural da Serra da Estrela

No âmbito de uma tese de Mestrado em Antropologia, especialização em Natureza e Conservação, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, foi desenvolvido um estudo sobre a dimensão sócio-cultural de uma possível reintrodução de três espécies no Parque Natural da Serra da Estrela: a Águia-real (Aquila chrysaetos), o Grifo (Gyps fulvus) e o Lobo-ibérico (Canis lupus signatus).

Em traços muito gerais, pretendeu-se aceder, por um lado, ao grau de aceitação e apoio dessa possível reintrodução por parte da população local e, por outro, aos possíveis impactos não só da mudança social na extinção/não nidificação das espécies, mas também da possível reintrodução no contexto social local. Tal passou, por seu turno, por um enquadramento geral das percepções sociais da fauna local, para o que foram seleccionado, para além das três espécies em causa, outras nove (Fig. 1).

Fig. 1: As doze espécies seleccionadas e apresentadas no decurso das entrevistas semi-estruturadas. Da esquerda para a direita e de cima para baixo: Grifo (Gyps fulvus), Milhafre-preto (Milvus migrans), Corvo (Corvus corax), Burro (Equus africanus asinus), Águia-real (Aquila chrysaetos), Ovelha (Ovis aries), Coelho (Oryctologus cuniculus), Javali (Sus scrofa), Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), Gineta (Genetta genetta), Cão-assilvestrado (Canis lupus familiaris) e Raposa (Vulpes vulpes)

Os dados foram recolhidos entre Setembro de 2009 e Março de 2010 através de técnicas complementares: análise de documentos, 18 entrevistas informais e entrevistas semi-estruturadas a residentes (n=116) de sete freguesias rurais da zona noroeste do PNSE (Cadafaz, Figueiró da Serra, Folgosinho e Freixo da Serra, Linhares da Beira, Prados e Vide-Entre-Vinhas).

Os resultados sugerem que:

i) A forte mudança sócio-económica que tem caracterizado o contexto social local, sobretudo o declínio e abandono das práticas agro-pecuárias tradicionais (conducente à diminuição da disponibilidade trófica), poderá ter tido implicações a nível da extinção/não-nidificação das espécies na área de estudo, para além de poder comprometer a própria reintrodução, até porque, segundo a grande maioria dos inquiridos (n=103, 89%), o futuro da agro-pastorícia local avizinha-se negativo.

ii) As percepções sociais da fauna local estão alicerçadas sobretudo em critérios utilitários (n=136, 53%), ecológicos (n=93, 36%) e estéticos (n=12, 4%), originando uma «escala sociozoológica» (Arluke e Sanders, 1996) pautada essencialmente pelo dualismo bom/mau.

iii) Nesta escala, as três espécies em causa recaem, numa óptica local, na categoria "maus animais", devido sobretudo a conflitos com pastores e/ou caçadores e ao desconhecimento. Tal poderá estar na base das opiniões eminentemente negativas dos inquiridos (n=86, 74%) face a uma possível reintrodução do lobo, não parecendo ser determinante nos outros dois casos, onde se destacam as opiniões positivas (Fig. 2).

Fig. 2: Opiniões em relação à possível reintrodução das três espécies.

Este estudo pioneiro em contexto nacional pode ser tido como uma importante base para futuros estudos a desenvolver antes da própria reintrodução, tanto na área das ciências naturais, como na das ciências sociais. Para além disso, pode ser tido como um pequeno contributo para evidenciar a importância de atentar às diversas esferas subjacentes à conservação, nomeadamente a esfera sócio-cultural, integrando o conhecimento científico-natural com o conhecimento oriundo das ciências sociais.

Este estudo foi possível graças a um protocolo estabelecido entre a Associação ALDEIA/CERVAS e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, contando ainda com o apoio do ICNB/PNSE.


Filipa Soares, Antropóloga

08 de Julho de 2011: Devoluções à natureza de um melro-preto e de um andorinhão-preto

08 de Julho de 2011, Sexta-feira
11:30 - Devolução à natureza de um melro-preto (Turdus merula)
Nas instalações do CERVAS em Gouveia

Este melro-preto é um animal juvenil e foi encontrado por um técnico do CERVAS junto a uma estrada. Eventualmente terá efectuado o seu primeiro voo e terá sido vítima de um atropelamento. No momento do seu ingresso não apresentava nenhuma lesão, mas demonstrava-se desorientado. A sua recuperação foi rápida e consistiu numa alimentação adequada e em treinos de voo.


No momento de devolução à natureza estiveram presentes cerca de 25 pessoas, na sua maioria turistas que se encontravam de passagem por Gouveia. O animal foi baptizado de 'Jeiko'.


A preceder a libertação o grupo de turistas que se encontrava no CERVAS teve a oportunidade de fazer uma visita guiada ao centro. Puderam ficar a conhecer a clínica e os procedimentos mais comuns na recuperação de um animal, o Kit de Educação Ambiental, e através do sistema de vídeo-vigilância puderam ver alguns animais e o enriquecimento ambiental das jaulas.


Esta espécie foi escolhida pelo CERVAS para Espécie do Mês de Junho. Fique a conhecer melhor este animal seguindo o link.

08 de Julho de 2011, Sexta-feira
18:30 - Devolução à natureza de um andorinhão-preto (Apus apus)
Mirante do Paixotão, Gouveia



Este animal foi encontrado por um particular após ter caído do ninho e foi entregue no CISE - Centro de Interpretação da Serra da Estrela que o encaminhou através do SEPNA-GNR de Gouveia até ao CERVAS. No momento do seu ingresso não apresentava qualquer lesão, pelo que a sua recuperação foi relativamente rápida. É de extrema importância neste processo fornecer a estes animais uma alimentação adequada, que permita um bom desenvolvimento corporal e um bom desenvolvimento das penas, já que estes são animais exímios no seu voo.



Durante a libertação do andorinhão-preto estiveram presentes cerca de 11 pessoas, entre as quais se encontravam técnicos, estagiários e voluntários do CERVAS. O andorinhão foi baptizado de 'Gicagdo'.


Oficina de Observação de Aves em Guimarães

Na passada segunda-feira, 4 de Julho de 2011, técnicos do CERVAS/ALDEIA guiaram uma saída de campo para observação de aves no Parque da Cidade de Guimarães.


Esta actividade, organizada pela “A Oficina, CIPRL”, cujas instalações se localizam no Centro Cultural Vila Flor, estava integrada no “Programa à Descoberta das Criaturas do Céu”, sendo dirigida a crianças dos 6 aos 12 anos, tendo este programa como objectivos abrir novas perspectivas sobre o mundo que as rodeia, desenvolver a sua criatividade e contribuir para a valorização da experiência de cada um no seio do trabalho em grupo.


Nesta actividade participaram cerca de 30 crianças, que tiveram oportunidade de ficar a conhecer um pouco mais sobre a biologia e ecologia das aves, bem como aprender a utilizar binóculos e guias de campo. Durante a saída, que teve a duração de cerca de 2 horas, foi possível observar cerca de 10 espécies de aves, como por exemplo o melro-preto Turdus merula e o cartaxo-comum Saxicola torquatus.

Actividades da ALDEIA na Biologia de Verão - Ciência Viva

De 15 de Julho a 15 de Setembro vai decorrer um pouco por todo o país o Programa Ciência Viva no Verão. A Associação ALDEIA vai participar com actividades na área da Biologia. As inscrições estão abertas e são gratuitas e obrigatórias para todas as actividades.

Actividades promovidas pela Associação ALDEIA no âmbito da biologia no Verão - Ciência Viva:

Aldeia - Núcleo Nordeste - Vimioso

18 de Julho - "Oficina de Etnobotânica".
21 de Julho - “O meu herbário”.
11 de Agosto - “Oficina de tinturaria natural”.
18 de Agosto - “Pelo Trilho dos Ferreiros".


CERVAS - Centro de Ecologia, Recuperação e vigilância de Animais Selvagens - Gouveia

26 de Julho - “Conservação de Aves de Rapina Nocturnas”.
28 de Julho - "Recuperação de Fauna Selvagem".
11 de Agosto - "A vida das aves".


Rias - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens - Ria Formosa - Olhão


20 de Julho - "Biologia e ecologia de cágados"
22 de Julho - "Observação de Aves da Ria Formosa"
26 de Julho - "Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens"
2 de Agosto - "As aves e a sua alimentação"
23 de Agosto - "Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens"
2 de Setembro - "Observação de Aves da Ria Formosa"


Para mais informações e inscrições nestas actividades consulte:

http://www.cienciaviva.pt/veraocv/comum/2011/actividadeshoje.asp?accao=showactiventidade&id_actividade=2&id_entidade=385

Curso: Líquenes - Em busca de Bioindicadores


Mais informações em:
www.aldeia.org
www.cienciaviva.pt - Biologia no Verão

Espécie do mês de Julho: Andorinhão-preto

O andorinhão-preto (Apus apus) é uma ave de pequeno porte, caracterizado por se assemelhar a uma grande andorinha embora não estejam relacionados entre si dado que os andorinhões pertencem a uma ordem diferente das andorinhas,(ordem Apodiforme). Apresenta plumagem totalmente escura e as asas em forma de foice e possui umas patas curtas mas com garras fortes que utiliza para se agarrar verticalmente às superfícies onde muitas vezes nidifica. Esta espécie pode ser vista em bandos em voos rápidos, por vezes ruidosos devido aos seus chamamentos estridentes (1).


Em Portugal o andorinhão-preto tem uma distribuição ampla, abrangendo praticamente todo o país embora esteja descrito ser mais abundante no norte do que no sul (2). Esta espécie é muito gregária e possui uma estreita relação com o Homem sendo mais frequente nas zonas densamente urbanizadas como as grandes cidades (1;2) embora no norte do país existam pequenas colónias em aldeias (1). Estas colónias são constituídas muitas vezes por centenas de indivíduos da mesma espécie em edifícios urbanos, barragens, castelos, pontes, fragas e paredões (2).



O andorinhão-preto cria somente uma ninhada por ano, durando a incubação 18 a 24 dias e com posturas constituídas por 2 a 3 ovos. As crias adquirem a capacidade de voo aos 37 a 56 dias,(estando muitas vezes condicionadas pelas condições meteorológicas) (2).



O andorinhão-preto é uma espécie estival e está presente no nosso território de Março a Outubro (1), onde muitas das aves encontram-se em passagem de e para o Norte da Europa embora também existam em Portugal importantes populações nidificantes (2). Durante a época de migração para África forma grandes bandos associando-se muitas vezes ao andorinhão-pálido e ao andorinhão-real. A passagem pós-nupcial começa cedo e a maioria das aves abandona o país até Setembro embora ainda seja possível observar alguns indivíduos desta espécie em Outubro (2).

O andorinhão-preto alimenta-se sobretudo de insectos voadores e de aranhas de tamanho pequeno ou médio, evitando insectos com ferrão como abelhas e vespas (2).

Os andorinhões por norma nunca pousam voluntariamente no chão, passando a maior parte da sua vida no ar, caçando, bebendo e por vezes acasalando, podendo igualmente alcançar estados de dormência em pleno voo (3).



No Cervas esta espécie ingressa com frequência entre Junho e Julho grande parte devido a queda do ninho de juvenis que ainda não apresentam a plumagem totalmente desenvolvida e por isso não se encontram preparados para o voo.



Bibliografia

(1) Aves de Portugal: Apus apus, consultado em http://www.avesdeportugal.info/apuapu.html, a 5-07-2011.
(2) Catry, P., Costa, H., Elias, G. & Matias, R. 2010. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa. ISBN: 978-972-37-1494-4.
(3)Commonswift worldwide: FAQ, consultado em http://www.commonswift.org/FAQ_english.html, a 5-07-2011

Compreender e Abraçar a Natureza

No âmbito do estágio curricular de Biologia da Universidade de Aveiro, desenvolvido no CERVAS, foram realizadas actividades nas escolas EB1 e Jardins de Infância do Agrupamento de Gouveia.

Este estágio tomou o nome de: Compreender e Abraçar a Natureza, pois o seu objectivo era que os alunos percebessem a dinâmica da natureza, a respeitassem e definissem uma postura amiga do ambiente em que actuam de forma a conservá-la.

Foi um projecto que chegou até às escolas do agrupamento inseridas no programa Eco-Escolas, como as Escolas Básicas de Melo, Folgosinho, Paços da Serra, S. Julião e Arcozelo e os Jardins de Infância de Melo, Folgosinho, Arcozelo, Gouveia e Moimenta da Serra.

Para os Jardins de Infância o CERVAS levou temas para discutir, fez jogos sobre os mesmos assuntos e lançou desafios, dos quais resultaram trabalhos muito interessantes.

O programa das Escolas Básicas foi um pouco mais longo. Entre Março e Abril, o CERVAS visitou as escolas citadas, quatro vezes, uma vez em cada mês. Cada visita foi marcada por um tema, actividades relacionadas, testes diagnóstico e desafios. Na primeira visita foi abordada a temática "Trabalho dos Centros de Recuperação de Animais Selvagens", na segunda "Aves de Rapina", na terceira "Mamíferos de Portugal" e na última "Fogos na Serra da Estrela". No final destas quatro sessões os alunos ficaram a saber quais os animais selvagens que existem em Portugal, o que se deve fazer quando se vê um ferido, o que são aves de rapina, suas características, ameaças e como podemos ajudar a preservá-las, as particularidades dos mamíferos, onde podem habitar e muito sobre morcegos, incluindo o que é a ecolocalização, pois 2011 é o ano europeu do morcego.



Cada uma das sessões teve inicio com a apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos, resultantes do desafio lançado na visita anterior, seguiu-se com a resolução de testes diagnóstico e com uma apresentação em power-point sobre o tema proposto para o dia. No final eram repetidos os mesmos testes diagnóstico do inicio, eram feitos jogos relacionados com o assunto e era lançado um desafio, também relacionado com o tema abordado nesse dia, para ser apresentado na visita seguinte.



Através dos testes diagnóstico e dos trabalhos feitos pelos alunos foram recolhidos dados para tratamento estatístico. Esses dados são bastante animadores, pois apresentam diferenças notórias entre as percentagens de respostas correctas dos testes feitos no início e no final, sendo as do segundo teste mais elevadas. Estes resultados demonstram que os alunos aprenderam as lições e que o CERVAS conseguiu fazer chegar a mensagem até às crianças, com sucesso.

Foi um trabalho muito satisfatório e produtivo para ambas as partes, pois os alunos ficaram a saber mais sobre a natureza que os rodeia e como podem ajudar a preservá-la, e o CERVAS obteve dados importantes de como lidar com este público-alvo tão importante na área de Educação Ambiental, dado que transmitem a informação que aprendem para todos os que os rodeiam e, para além disso, são a próxima geração de população activa.


Contudo, o mais gratificante, não é só verificar os resultados demonstrativos dos testes, mas é também saber que se alguma pergunta sobres os temas abordados for feita, os alunos sabem responder sem hesitar!

De entre diversão e aprender ficam já as saudades dos meninos destas escolas e o orgulho de um trabalho bem sucedido.

01 de Julho de 2011: Devoluções à natureza de duas cegonhas-brancas, um milhafre-preto e um britango

01 de Junho de 2011, Sexta-feira
09:15 - Devolução à natureza de uma cegonha-branca (Ciconia ciconia)
Freguesia de Ade, Almeida


Esta ave é um juvenil que caiu do ninho e foi encontrada e encaminhada para o CERVAS pelo SEPNA - GNR (Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente da GNR). No momento do seu ingresso apresentava uma fractura do dedo da pata direita e pequenas lesões na cabeça. O processo de recuperação passou pelo tratamento destas lesões e numa alimentação adequada, e numa fase posterior realizou treinos de voo e esteve em contacto com animais da mesma espécie. Foi devolvida à natureza num local que reúne condições óptimas para a sobrevivência da espécie.


No momento da devolução à natureza desta cegonha estiveram presentes cerca de 25 pessoas, todas habitantes desta freguesia. O momento foi muito gratificante pelo interesse demonstrado pela povoação por estes animais. A ave foi baptizada de 'Belinha'.






11:15 - Devolução à natureza de uma cegonha-branca (Ciconia ciconia)
Freguesia de Vale de Coelha, Almeida


Esta cegonha é um animal juvenil que caiu do ninho. Foi encontrada e recolhida pelo SEPNA - GNR e posteriormente encaminhada para o CERVAS através dos Vigilantes da Natureza. No momento do seu ingresso apresentava-se ligeiramente desidratada pelo que lhe foram administrados fluidos. Posteriormente realizou treinos de voo, esteve em contacto com animais da mesma espécie e foi fornecido alimento adequada à espécie. A libertação teve lugar num local onde se podiam observar os ninhos e os cerca de 8 indivíduos de cegonha-branca que pairavam no ar.



No momento de devolução à natureza desta ave estiveram presentes 4 pessoas, entre as quais técnicos do CERVAS e a pessoa que encontrou a cegonha. A cegonha foi baptizada de 'Cabecinha'.




14:00 - Devolução à natureza de um milhafre-preto (Milvus migrans)
Freguesia de Reigada, Figueira de Castelo Rodrigo



Esta ave foi encontrada e encaminhada para o CERVAS por um particular. No momento do seu ingresso apresentava-se bastante debilitada, desnutrida e desidratada, pois não terá conseguido encontrar alimento no seu habitat natural. O sua recuperação passou pela administração de fluidos numa fase inicial, e depois por uma alimentação adequada de forma a que recuperasse a boa condição corporal. Numa fase posterior esteve em contacto com animais da mesma espécie e realizou treinos de voo.



No momento de devolução à natureza do milhafre estiveram presentes cerca de 18 pessoas, entre as quais a pessoa que encontrou o animal, os alunos e professores da escola primária da Reigada e alguns particulares. As crianças baptizaram o milhafre de 'Mimico'.






16:00 - Devolução à natureza de um britango (Neophron percnopterus)
Alimentador de Aves Necrófagas - Reserva da Faia Brava, Figueira de Castelo Rodrigo


Foto: Britango em recuperação no CERVAS

Esta ave é um animal juvenil e foi encontrado por um Vigilante da Natureza do Parque Natural da Serra de São Mamede e encaminhada para o CERVAS por um técnico do ICNB - Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade. No momento do seu ingresso apresentava lesões na face interna do pulso de cada asa, compatíveis com electrocussão. O seu processo de recuperação passou pelo tratamento das lesões numa fase inicial, e posteriormente em fisioterapia para melhorar a mobilidade e articulação da zona do pulso. Além disso esteve em contacto com outros animais e foi fornecida uma alimentação adequada para esta espécie, tendo realizado também treinos de voo. Este animal foi devolvido à natureza no alimentador de aves necrófagas da Reserva Biológica da Faia Brava, local que apresenta características ideais para os requisitos da espécie.


No momento de devolução à natureza deste animal estiveram presentes 12 pessoas, entre as quais alguns turistas, fotógrafos, técnicos e voluntários da ATN - Associação Transumância e Natureza, particulares e técnicos do CERVAS. O britango foi baptizado de 'Zé' e o momento foi bastante interessante, já que ele após um voo elegante, parou numa rocha na qual foi possível observá-lo durante algum tempo.


Foto: Britango recuperado em liberdade na Reserva Faia Brava



O CERVAS agradece à ATN a colaboração e apoio prestado nesta acção.

Fique a conhecer melhor esta espécie - britango ou abutre do Egipto (Neophron percnopterus) - que o CERVAS escolheu para espécie do mês de Julho de 2010.

Leia a notícia publicada no Jornal Público seguindo este Link para o Ecosfera.