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Libertações: 14 de Setembro 2010

14 de Setembro, Terça-feira
11:00 Alimentador de aves necrófagas da Reserva Natural da Serra da Malcata
Libertação de três grifos (Gyps fulvus)

Foto: Observação de grifos

Estas três aves são juvenis que ingressaram no CERVAS este ano. Encontravam-se bastante debilitados talvez porque após a saída do ninho, terão iniciado o processo de dispersão pelo território e não terão encontrado alimento. Foram encontrados por particulares e recolhidos pelo SEPNA/GNR que os encaminhou para o centro. O seu processo de recuperação foi relativamente passivo e consistiu numa alimentação adequada permitindo a recuperação do seu peso normal e das suas capacidades físicas, no contacto com animais da mesma espécie e em treinos de voo de forma a recuperarem a musculatura de voo.

Foto: Breve introdução à espécie e ao trabalho realizado no CERVAS

A sua devolução à natureza realizou-se num local onde existe uma grande concentração destes animais e que para além de ter as condições ecológicas adequadas a esta espécie garante a disponibilidade de alimento, como é o caso do alimentador de aves necrófagas.



No momento de devolução à natureza destas aves estiveram presentes 20 pessoas, entre as quais o SEPNA/GNR do Sabugal, técnicos da RN Serra Malcata - ICNB, o Lar de idosos de Foios e alguns técnicos do Grupo Lobo e do CERVAS. As aves ficaram baptizadas de 'Traquina', 'S. Pedro' e 'Meimoa'.

14:30 - Piscinas Municipais da Freguesia de Penamacor (Castelo Branco)
Libertação de duas águias-calçadas (Aquila pennata)

Uma destas aves foi recolhida em Quadrazais, no concelho do Sabugal em Agosto de 2008 por um particular. Foi recolhida e depois entregue no CERVAS por intermédio de um vigilante da Reserva Natural da Serra da Malcata. A ave estava bastante debilitada e apresentava dificuldade em voar. A sua recuperação passou por uma alimentação adequada de forma a alcançar uma boa condição física, em treinos de voo para recuperar a musculatura e a lesão que tinha na asa , e em treinos de caça.

Foto: Libertação de águia-calçada.

A segunda ave encontrava-se numa situação de cativeiro ilegal, tendo sido recolhida por elementos da equipa do SEPNA da Serra da Malcata. Apresentava alguns sinais ligeiros de domesticação, pelo que o seu processo de recuperação incidiu essencialmente no contacto com animais da mesma espécie de modo a que pudesse readquirir os comportamentos normais, tendo sido ainda submetida a treinos de voo e de caça.

Foto: Libertação águia-calçada de fase escura

O momento de devolução à natureza destas aves contou com a presença de cerca de 25 pessoas entre as quais o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Penamacor, o Sr. Comandante dos B.V. Penamacor e a professora e alunos do 4º ano da Escola Primária de Penamacor assim como o responsável pelo agrupamento de escolas. As aves ficaram baptizadas de 'Cinzas' e 'Build'.

Foto: Breve introdução ao trabalho do CERVAS e à biologia da espécie

17:00 - Cemitério de Miuzela, Almeida
Libertação de uma águia-calçada (Aquila pennata)

Foto: Introdução da actividade aos participantes

Esta ave foi encontrada por um particular, na localidade de Miuzela, tendo a sua recolha e transporte até ao CERVAS sido feita pela equipa do SEPNA/GNR de Vilar Formoso. No momento do seu ingresso verificou-se que a ave se encontrava debilitada, pelo que o seu processo de recuperação envolveu a alimentação, de forma a que pudesse recuperar uma boa condição corporal, tendo ainda sido submetida a treinos de voo e de caça, e mantida em contacto com animais da mesma espécie.

Foto: Breve introdução à biologia da espécie

No momento de devolução à natureza desta ave estiveram presentes 8 pessoas entre as quais o Sr. Presidente da Junta de Miuzela, alguns populares e técnicos do CERVAS. A ave ficou baptizada de 'Miuzela'.

Os CTT apoiam o Projecto BARN do CERVAS


O Projecto BARN do CERVAS agradece o apoio do grupo CTT. Este colaboração irá apoiar a continuidade do trabalho realizado no estudo e conservação de aves de rapina nocturnas, incluindo a realização de cursos e workshops no âmbito do Projecto BARN, através da divulgação dos mesmos.

Agradecemos a vossa disponibilidade!

Libertação: 12 de Setembro 2010

12 de Setembro, Domingo
15:00 - Parque da Sra. dos Verdes, Cativelos (Gouveia)
Libertação de um Gavião (Accipiter nisus)



Esta ave foi encontrada por um particular, após ter caído do ninho. O seu processo de recuperação envolveu a alimentação, de modo a permitir um correcto desenvolvimento muscular e também da plumagem de voo, o contacto com animais da mesma espécie, de modo a permitir a aprendizagem dos comportamentos típicos, e também treinos de voo e de caça.

Esta acção de devolução à natureza esteve integrada nas actividades do Encontro Ibérico Land Rover, que se realizou entre 10 e 12 de Setembro, em Gouveia, e o momento da libertação foi presenciado por cerca de 80 pessoas, na sua maioria participantes do encontro, mas também perante elementos da Câmara Municipal de Gouveia, de diversas corporações de bombeiros e da comunicação social local. Esta ave foi apadrinhada pela organização do evento, tendo sido baptizada de "Land Rover".




Libertações: 10 de Setembro 2010

10 de Setembro, Sexta-feira
11:00 - Alimentador de aves necrófagas da Reserva Natural da Serra da Malcata
Libertação de três grifos (Gyps fulvus)


Foto 1: Grifo (Gyps fulvus)

Estas 3 aves são animais juvenis que ao iniciarem o processo de dispersão após a saída do ninho, não terão conseguido encontrar alimento, tendo por isso ficado muito debilitados. Foram encontrados por particulares e encaminhados para o CERVAS pelo SEPNA/GNR, onde se iniciou o seu processo de recuperação, que consistiu numa alimentação adequada de forma a alcançarem uma boa condição física, em treinos de voo e no contacto com animais da mesma espécie para garantir a aprendizagem de comportamentos típicos desta espécie. A sua devolução à natureza realizou-se num local que além de ter as condições adequadas à espécie garante a disponibilidade de alimento, como é o caso do alimentador de aves necrófagas.

Na devolução à natureza destes animais estiveram presentes agentes do SEPNA/GNR do Sabugal e EPNAZE Malcata, um técnico da RN Serra Malcata e os técnicos do CERVAS.

15:00 - Freguesia de Albardo, Guarda
Libertação de um peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus)

Foto 2: Libertação de peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus)

Esta ave foi encontrada por um particular após ter caído do ninho. Foi encaminhada para o CERVAS onde se iniciou o seu processo de recuperação, que consistiu, numa primeira abordagem, em disponibilizar alimento adequado para permitir um bom desenvolvimento da musculatura e da plumagem. Nesta fase foi fulcral evitar ao máximo o contacto entre o animal e os humanos de forma a evitar a domesticação. Garantindo o sucesso nesta primeira abordagem, a ave é colocada em contacto com animais da mesma espécie de forma a aprender e adquirir comportamentos típicos destes animais e também é incentivada a treinar o voo e a caça.

Foto 3: Breve introdução ao trabalho realizado pelo CERVAS.

Na devolução à natureza deste peneireiro-vulgar estiveram presentes cerca de 20 pessoas das populações do Albardo e de Vila Fernando, e baptizaram esta ave de 'Vitória'. O momento foi de curiosidade e satisfação, já que a 'Vitória' exibiu o seu voo para os participantes ficando mesmo um breve momento a peneirar, movimento que lhe dá o nome de peneireiro.


I Semana do Mocho-d'orelhas: Actividades


De 30 de Agosto a 3 de Setembro de 2010 decorreu a I Semana de Mocho-d’orelhas (Otus scops) organizada pelo CERVAS, Projecto BARN e ALDEIA. Esta semana temática, que decorreu em várias localidades, tinha como principais actividades a devolução à natureza de várias aves desta espécie, recuperadas no CERVAS, e a realização de palestras e oficinas de educação ambiental, com o objectivo de sensibilizar as populações para a importância destes animais e para o trabalho realizado pelos centros de recuperação de fauna selvagem.


30 de Agosto de 2010, Segunda-feira
19:00 - Devolução à natureza de três mochos-d’orelhas
Aldeia da Serra, S. Pedro (Celorico da Beira)

Estas aves foram encontradas ainda crias, caídas do ninho, por particulares, tendo sido posteriormente encaminhadas para o CERVAS através do SEPNA. No centro passaram pelo processo de recuperação comum a todas as crias que ingressam no CERVAS, que passa pela alimentação adequada para que haja um normal desenvolvimento corporal e da plumagem, contacto com indivíduos da mesma espécie para que adquiram comportamentos naturais. Para além disso, foram ainda submetidas a treinos de voo e caça de forma a ficarem aptas para serem devolvidas à natureza. Apesar destas aves terem origens diferentes, optamos por libertá-las juntas no local de origem de uma delas. A razão que nos levou a tomar esta decisão está relacionada com a biologia desta espécie. O mocho-d‘orelhas é uma ave migradora, que irá deslocar-se a partir de meados de Setembro para África Sub-Sariana. Esta migração costuma ser feita em pequenos grupos “familiares”, sendo que ao libertarmos esta espécie em pequenos grupos aumentamos a probabilidade de sucesso de migração. A escolha de Aldeia da Serra em detrimento dos outros locais de origem das outras aves, está relacionado com o nosso melhor conhecimento da área, bem como da existência desta espécie no mesmo local.


Durante o momento de devolução à natureza destas aves estiveram presentes cerca de 80 pessoas, entre representantes da Junta de Freguesia de S. Pedro (à qual agradecemos a divulgação entusiasta desta acção), habitantes locais e colaboradores do CERVAS, tendo baptizado as aves com o seguintes nomes: ""Serra da Estrela", "Jeremias" e "Casimiro".




31 de Agosto de 2010, Terça-feira
Monitorização de caixas-ninho para mocho-d’orelhas colocadas em Gouveia

Devido às condições metereológicas esta acção não se realizou sendo que agradecemos no entanto a disponibilidade dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Tazem e da A.B.P.G. para nos apoiarem nesta monitorização.


1 de Setembro de 2010, Quarta-feira
18:00 - Palestra “Mocho-d’orelhas - Biologia e Conservação”
Auditório da Delegação do Parque Natural da Serra da Estrela, Gouveia

Na palestra realizada pelo biólogo André Aguiar estiveram presentes cerca de 10 pessoas e tinha como objectivo dar a conhecer alguns aspectos da biologia do mocho-d’orelhas, bem como dos factores que ameaçam esta espécie e que medidas de conservação poderão ser aplicadas para diminuir estes factores de amaeça. Para além disso foi também feita referência aos resultados obtidos para esta espécie durante o trabalho de campo realizado em 2008/2009 no âmbito do Projecto BARN, sendo de referir que o mocho-d’orelhas foi a segunda espécie mais detectada no concelho de Gouveia, encontrando-se regularmente distribuído pela área de estudo, mesmo em áreas de maior altitude, notando-se uma aparente tendência para se agruparem em pequenos núcleos.




2 de Setembro de 2010, Quinta-feira
15:00 - Monitorização de caixas-ninho para mocho-d’orelhas colocadas em Manteigas
Ponto de encontro: C. M. de Manteigas


Estas caixas-ninho foram colocadas em meados de Março em conjunto com a C. M. de Manteigas, sendo que durante esta monitorização não foi detectado nenhum vestígio de ocupação por parte do mocho-d’orelhas. Esta acção contou com a presença de colaboradores do CERVAS, bem como com o apoio da C. M. de Manteigas.




3 de Setembro de 2010, Sexta-feira
19:00 - Devolução à natureza de três mochos-d’orelhas
Capela de Sto. António, V. N. de Tazem (Gouveia)

Estas aves ingressaram no CERVAS em meados de Julho ainda crias, sendo que duas delas foram encontradas caídas do ninho e a outra dentro de uma habitação, tendo caído pela chaminé. Os três mochos-d’orelhas foram encontrados por particulares, tendo sido encaminhados até ao CERVAS pelo SEPNA e, um deles, pela própria pessoa que o encontrou. No centro passaram por todo o processo de recuperação comum a outras aves que dão entrada no CERVAS pelas mesmas causas, que consistiu numa alimentação adequada para que haja um normal desenvolvimento corporal e da plumagem. Foram também colocadas em contacto com aves da mesma espécie de forma a adquirirem comportamentos naturais, bem como submetidas a treinos de voo e caça de forma a estarem aptas para voltarem a natureza. Tal como as aves libertadas no dia 30 de Agosto, apenas uma destas tinha como origem o local de libertação (V. N. de Tazem), tendo sido pelos mesmos motivos que nos fez libertar os três mochos-d’orelhas neste local.



Durante a devolução à natureza estiverem presentes cerca de 20 pessoas, entre representantes dos Bombeiros Voluntarios de V. N. de Tazem, habitantes locais e colaboradores do CERVAS. As aves foram baptizadas com os seguintes nomes: "Vilanovense", "Simão"e "Tazem".



Nova parceria entre a Associação ALDEIA e a Vinicola Castelar

Após o estabelecimento de um protocolo de colaboração entre a ALDEIA e a Vinícola Castelar, Lda., concretizado em Março de 2009, e do qual resultou a criação de uma série muito limitada de garrafas com rótulo exclusivo alusivo ao trabalho do CERVAS, estas duas entidades voltam a unir esforços no sentido de dar continuidade à parceria estabelecida há mais de um ano.


Assim, foi criado um vinho espumante bruto, produzido com recurso a método clássico, a partir das castas Síria, Maria Gomes e Bical, com um teor alcoólico de 12,5%. Este espumante será comercializado em garrafas com uma capacidade de 0,75 l e apresenta um aspecto límpido, de cor citrina e com sabor frutado e fresco, com notas aromáticas a ananás e maracujá.


As garrafas que compõem esta série muito limitada de apenas 150 unidades irão receber um rótulo exclusivo, dedicado à cegonha-branca, sendo a foto central da autoria de Artur Vaz Oliveira.

Este produto poderá ser adquirido através do CERVAS (e-mail: cervas.pnse@gmail.com) e da Vinícola Castelar, Lda. com um custo de 5€ (IVA incl.) por unidade, sendo que parte dos lucros gerados pela venda revertem para o funcionamento do CERVAS.

Espécie do mês de Agosto: Mocho-galego


O mocho-galego (Athene noctua) é uma ave de rapina nocturna (Strigiforme) de pequeno porte (21-23 cm; envergadura 54-58 cm; 140-200 g) e compacta, com plumagem de cor variável acastanhada com manchas brancas. O disco facial é mais marcado nos indivíduos mais escuros o que, em conjunto com a cor dos olhos amarela e as listas supraciliares brancas que sobressaem no disco facial, lhe conferem uma expressão severa.

Distribui-se pela Eurásia e norte de África, encontrando-se ausente na Escandinávia, Islândia e algumas regiões do Reino Unido, Europa Central e Rússia. Em Portugal encontra-se por todo o território continental, mais comummente na metade sul. Esta espécie é mais frequentemente encontrada em habitats antropogénicos, ocupando diferentes tipologias de habitats, denotando-se a sua plasticidade. Frequentemente, o seu habitat inclui uma grande variedade de campos agrícolas com muros e montes de pedras, plantações de cereais, olivais, vinhas, hortas, sistemas agro-florestais, evitando zonas demasiado húmidas, florestas densas e habitats de alta montanha. Independentemente do tipo de habitat, uma das condições para este ser óptimo é ter alimento suficiente para o casal e descendência, sendo a dieta do Mocho-galego constituída essencialmente por micromamíferos, pequenas aves, répteis, anfíbios, escaravelhos (Coleoptera), gafanhotos (Orthoptera), Dermaptera e minhocas (Lumbricidae).



Apesar desta espécie poder ser observada com relativa facilidade durante o dia (no cimo de chaminés, casas abandonadas e nos postes e linhas tanto dos telefones como eléctricas), o mocho-galego é essencialmente nocturno, caçando desde o ocaso até cerca de 2 horas antes do nascer do sol. Quando disponíveis, o mocho-galego prefere nidificar em cavidades de árvores e em fendas em troncos ou ramos, sendo que na falta destas, ocupa construções humanas como edifícios agrícolas, celeiros, muros de pedra, casas em ruínas, caixas-ninho, bem como montes de pedra e tocas de coelho. O território é defendido durante todo ano, tornando-se esta defesa mais agressiva durante a época reprodutora que se inicia em finais de Janeiro e Fevereiro e poderá ir até finais de Junho. A incubação de 4 ovos, em média, é realizada pela fêmea durante cerca de 27 dias, sendo as crias avistadas fora do ninho a partir dos 21 dias de idade, apesar de só voarem bem com cerca de 40 dias, abandonando o território dos progenitores a partir do início de Setembro até Novembro.


Na Europa, possui um estatuto de conservação Desfavorável (SPEC3) devido ao declínio moderado que as populações desta espécie têm sofrido ao longo das últimas décadas, apesar disso continua a ser considerada a espécie de Strigiforme mais abundante em Portugal. Os principais factores de ameaça são de origem antropológica, como o abandono da agricultura tradicional, colisão com veículos, envenenamento por pesticidas, bem como a redução de presas devido ao uso do mesmo, caça ilegal e pilhagem, diminuição de locais óptimos de nidificação, quedas de ninho e a predação por martas (Martes sp.) e outras aves de rapina, como o bufo-real (Bubo bubo) e a coruja-do-mato (Strix aluco), sendo o seu estatuto de conservação em Portugal considerado Pouco Preocupante pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.


No âmbito do Projecto BARN, em 2008/2009 foi realizado um estudo com o objectivo de detectar locais de presença e de nidificação de aves de rapina nocturnas no concelho de Gouveia, tendo sido o mocho-galego uma das espécies alvo deste estudo. Esta espécie distribui-se pela área de estudo de uma forma mais ou menos regular, tendo sido a espécie mais detectada (69 territórios), estimando-se a existência de 225 casais.

Mapa de distribuição dos territórios de mocho-galego obtidos em 2008/2009 no concelho de Gouveia

Libertações: 26 e 27 de Agosto

26 de Agosto, Quinta-feira
19:00 - Freguesia de São Pedro (Gouveia)
Libertação de um papa-mosca-preto (Ficedula hypoleuca)


Esta ave foi encontrada por um particular, na zona do Curral do Negro, em Gouveia, aparentando incapacidade de voar, tendo sido encaminhada para o CERVAS. O seu processo de recuperação consistiu em alimentação e em testes de voo.


A sua devolução à Natureza decorreu no mesmo local onde foi encontrada, na presença de cerca de 10 pessoas.


27 de Agosto, Sexta-feira
09:30 - Freguesia de Ereira (Montemor-o-Velho)
Libertação de duas cegonhas-brancas (Ciconia ciconia)


A primeira ave foi encontrada por um particular, no quintal de uma habitação na localidade de Formoselha, que a recolheu e entregou à equipa do SEPNA da GNR de Montemor-o-Velho. Posteriormente foi entregue aos funcionários da Reserva Natural do Paul de Arzila, que encaminharam a ave para o CERVAS. Na altura do seu ingresso apresentava lesões compatíveis com colisão contra fios eléctricos, sendo que o processo de recuperação incidiu na resolução dessas mesmas lesões, e numa fase posterior, em contacto com animais da mesma espécie e treinos de voo.


A segunda ave foi encontrada por um funcionário da Reserva Natural do Paul de Arzila, que a recolheu e encaminhou para o CERVAS. Na altura do seu ingresso verificou-se que era um animal muito jovem, que tinha caído do ninho, pelo que o seu processo de recuperação consistiu em alimentação, contacto com animais da mesma espécie e treinos de voo.


Na devolução à Natureza destas aves estiveram presentes cerca de 25 pessoas, entre as quais representantes da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, da Equipa do SEPNA, da comunicação social local e ainda um grupo de utentes da APPACDM, bem como alguns populares, que baptizaram as aves como "Ruca" e "Poupas".

Libertações: 26 de Agosto

26 de Agosto, Quinta-feira
09:30 - Freguesia de Ruivós (Sabugal)
Libertação de uma cegonha-branca (Ciconia ciconia)

Esta ave foi encontrada dentro da povoação de Ruivós após ter caído do ninho, tendo sido recolhida por um particular, tendo a sua entrega no CERVAS sido feita por um vigilante da Reserva Natural da Serra da Malcata. O seu processo de recuperação envolveu alimentação, de modo a assegurar um correcto desenvolvimento corporal e da plumagem de voo, o contacto com outros animais da mesma espécie de modo a que pudesse adquirir os comportamentos típicos da espécie, bem como treinos de voo de modo a poder fortalecer a sua musculatura.


Na sua devolução à Natureza estiveram presentes cerca de 15 pessoas, entre os quais representantes da Câmara Municipal do Sabugal, da Junta de Freguesia de Ruivós, de orgãos de comunicação social local e de diversos populares. A ave foi apadrinhada por um dos presentes, tendo sido baptizada de "São Gabriel".



11:30 - Freguesia de Freineda (Almeida)
Libertação de uma cegonha-branca

Esta ave ingressou no CERVAS após ter sido encontrada por um particular na localidade de Freineda. A ave terá caído do ninho, tendo sido recolhida e entregue à equipa do SEPNA da GNR de Vilar Formoso, que a encaminhou para o CERVAS. Tal como em outras situações semelhantes, o processo de recuperação deste animal envolveu a alimentação, o contacto com animais da mesma espécie e ainda treinos de voo.

Na sua devolução à Natureza participaram representantes da Junta de Freguesia de Freineda e da Associação de Caçadores que a baptizaram com o nome "Vitória".


14:00 - Freguesia de Vilar Formoso (Almeida)
Libertação de uma cegonha-branca

Esta ave foi encontrada após ter caído do ninho, por um particular que a recolheu, tendo sido posteriormente entregue à equipa do SEPNA de Vilar Formoso, que a encaminhou para o CERVAS. Tal como sucede com todos os animais desta espécie que ingressam por motivo semelhante, o seu processo de recuperação incidiu na alimentação, contacto com outros animais da mesma espécie e treinos de voo.


No momento da sua devolução à natureza estiveram presentes cerca de 10 pessoas, entre as quais representantes da Junta de Freguesia de Vilar Formoso, da Escola Básica do 2º e 3º Ciclo e alguns populares, que baptizaram a ave com o nome de "Formosa".

I Semana do Mocho-d'orelhas


Após a realização de uma série de semanas temáticas de aves de rapina nocturnas e diurnas (águia-d'asa-redonda,coruja-do-mato, coruja-das-torres e mocho-galego), o CERVAS vem por este meio convidá-lo a participar na I Semana do mocho-d'orelhas, a realizar entre 30 de Agosto e 3 de Setembro de 2010.

Esta semana temática, a realizar em várias localidades, tem como principais actividades a devolução à Natureza de várias aves desta espécie, recuperadas no CERVAS, e a realização de palestras e oficinas de educação ambiental, com o objectivo de sensibilizar as populações para a importância destes animais e para o trabalho realizado pelos centros de recuperação de fauna selvagem.

As oficinas e palestras de educação ambiental consistem em breves apresentações sobre as rapinas nocturnas em geral e o mocho-d'orelhas em particular (com imagens, sons e vídeos) e a exposição e realização de pequenos jogos com material biológico (penas, ossos, regurgitações, etc.). Serão também apresentados os trabalhos desenvolvidos no CERVAS.

Um dos dos projectos em desenvolvimento pelo CERVAS é o BARN — Conservação e Estudo da Distribuição e Ecologia de Aves de Rapina Nocturnas, que está a ser desenvolvido numa primeira fase no concelho de Gouveia e que tem como objectivos principais identificar e monitorizar os locais de presença e nidificação de aves de rapina nocturnas, bem como potenciar a reprodução e fixação destas espécies através da colocação de caixas-ninho. Durante o trabalho realizado em 2008/2009, o mocho-d'orelhas foi a segunda espécie mais detectada no concelho de Gouveia, encontrando-se regularmente distribuído pela área de estudo, mesmo em áreas de maior altitude, notando-se uma aparente tendência para se agruparem em pequenos núcleos.

As actividades que irão decorrer na I Semana do mocho-d'orelhas serão as seguintes:


Dia 30 de Agosto - Segunda-feira - Aldeia da Serra (S. Pedro,) Celorico da Beira
19:00 - Devolução à Natureza de 3 mochos-d'orelhas

Ponto de Encontro: Igreja do Espírito Santo da Aldeia da Serra


Dia 31 de Agosto - Terça-feira - Gouveia
15:00 - Monitorização de caixas-ninho para mocho-d'orelhas

Ponto de Encontro: Delegação de Gouveia do PNSE (Parque Natural da Serra da Estrela)


Dia 1 de Setembro - Quarta-feira - Gouveia
18:00 - Palestra "Mocho-d'orelhas - Biologia e Conservação"

Ponto de Encontro: Auditório da Delegação de Gouveia do PNSE


Dia 2 de Setembro - Quinta-feira - Manteigas
15:00 - Monitorização de caixas-ninho para mocho-d'orelhas

Ponto de Encontro: Câmara Municipal de Manteigas


Dia 3 de Setembro - Sexta-feira - Vila Nova de Tazem, Gouveia
19:00 - Devolução à Natureza de 3 mochos-d'orelhas

Ponto de Encontro: Capela de Sto. António

Quitridiomicose no Parque Natural da Serra da Estrela

O CERVAS tem colaborado desde Agosto de 2009 num estudo relacionado com o possível declínio de sapo-parteiro-comum (Alytes obstetricans) no Parque Natural da Serra da Estrela (Sistema Central, Portugal) causado por quitridiomicose.

Legenda: sapo-parteiro-comum (Alytes obstetricans)
Autor: José Conde

Os autores deste trabalho, Ibone Anza, José C. Conde, Filipe Martins, Pedro L. Moreira e Jaime Bosch, do CERVAS / ALDEIA, Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE), Centro de Biologia Ambiental (DBA/FCUL) e Museo Nacional de Ciencias Naturales (CSIC, Madrid, Espanha) irão apresentar o trabalho no XI Congresso Luso-Espanhol de Herpetología / XV Congreso Español de Herpetología que terá lugar em Sevilha de 6 a 9 de Outubro de 2010.

Legenda: postura de sapo-parteiro-comum (Alytes obstetricans)
Autor: José Conde

A quitridiomicose é uma doença emergente produzida pelo fungo patogénico Batrachotridium dendrobatidis que afecta anfíbios em todo o mundo, sobretudo em zonas tropicais e em alta montanha. Esta patologia foi descrita em 1998 e é, em grande medida, responsável pelo declínio generalizado de anfíbios, tendo já causado a extinção de algumas populações e inclusivamente de espécies. Na Península Ibérica, o surto melhor documentado ocorreu no Parque Natural de Peñalara (Madrid), entre os anos de 1997 e 1999, onde foram detectadas mortalidades massivas de exemplares recém-metamorfoseados de sapo-parteiro-comum (Alytes obstetricans), que desapareceu de 86% das lagoas onde anteriormente se reproduzia.

Legenda: lagoa do Covão do Quelhas, Parque Natural da Serra da Estrela
Autor: António Brandão

A serra da Estrela, localizada no Centro de Portugal, encontra-se na sua quase totalidade dentro dos limites do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) e constitui o extremo ocidental do Sistema Central, que também integra Peñalara. Em finais de Agosto de 2009, encontrámos 11 indivíduos recém-metamorfoseados mortos numa das suas lagoas, lagoa do Covão do Quelhas, situada a 1820 metros de altitude.

Dada a similitude desta descoberta com o caso descrito em Peñalara, suspeitou-se que os espécimes recolhidos poderiam estar infectados pelo fungo, tendo sido analisados através da técnica RT-PCR, no Museo Nacional de Ciencias Naturales de Madrid, com resultados positivos. Considerando a ameaça desta patologia para as populações de sapo-parteiro, iniciámos, em Abril de 2010, uma amostragem com o intuito de conhecer a sua prevalência e impacto no PNSE.

Legenda: recolha de amostras no Parque Natural da Serra da Estrela
Autor: José Pereira

Com base em trabalhos anteriores sobre a abundância de anfíbios no PNSE, detectou-se um declínio, não quantificado, de sapo-parteiro-comum na área, prevendo-se de acordo com a experiência de Peñalara que este decréscimo poderá ser, ainda, mais significativo.

Incêndios ameaçaram o CERVAS

Os incêndios que afectaram o Parque Natural da Serra da Estrela durante o mês de Agosto também ameaçaram o CERVAS durante a noite de 15 para 16 deste mês. A actuação rápida e eficaz dos Bombeiros Voluntários de Melo, com colaboração de técnicos e Sapadores Florestais da Câmara Municipal de Gouveia e de alguns particulares e elementos do CERVAS foi decisiva para que a área de trabalho do centro não tivesse sido afectada.

Foto: Área ardida em redor das instalações do CERVAS

Nenhum dos cerca de 80 animais em recuperação foi afectado, embora o fumo resultante do incêndio tenha provocado alguns problemas. O CERVAS gostaria de deixar um sincero agradecimento a todas as entidades e pessoas que estiveram envolvidas nas operações, deixando um destaque especial ao Nuno Carvalho pelo alerta e por todas as sugestões e empenho no ataque ao fogo.

Libertações: 16 e 17 de Agosto de 2010

16 de Agosto, Segunda-feira
09:30 – Freguesia de Santiago (Seia)
Libertação de uma águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)

Esta ave foi encontrada e recolhida por um particular, que a entregou no CERVAS. Os sintomas e lesões que apresentava na altura do seu ingresso eram compatíveis com um trauma, possivelmente resultado de uma colisão, estando também bastante debilitada. O seu processo de recuperação envolveu o tratamento das lesões, e a alimentação, de modo a que a ave pudesse recuperar a sua condição física. Numa fase posterior, foi submetida a treinos de voo e de caça, para além do contacto com animais da mesma espécie.


No momento da sua libertação estiveram presentes cerca de 10 pessoas, que baptizaram a ave com o nome da localidade onde decorreu esta devolução a natureza, “Santiago”.


10:00 - Freguesia de Freixiosa (Mangualde)
Libertação de uma águia-calçada (Aquila pennata)

Esta ave foi recolhida por um particular, após ter sido encontrada junto a uma estrada, vítima de atropelamento, tendo sido posteriormente entregue ao SEPNA de Mangualde, que a encaminhou para o CERVAS. Apresentava uma paralisia dos membros posteriores, resultado do trauma, e o seu processo de recuperação consistiu em terapia de suporte, fisioterapia e, numa fase posterior, contacto com animais da mesma espécie, bem como treinos de voo e de caça.


Na sua devolução a natureza estiveram presentes representantes do Gabinete Técnico Florestal da Câmara Municipal de Mangualde, da Junta de Freguesia de Freixiosa e membros da equipa do CERVAS.


11:30 - Freguesia de São Martinho da Cortiça (Arganil)
Libertação de uma águia-de-asa-redonda

Esta ave foi encontrada por um vigilante da Paisagem Protegida da Serra do Açor, após a mesma ter fugido de cativeiro. Apresentava as penas de voo cortadas de forma intencional e sinais de domesticação. O seu processo de recuperação incidiu essencialmente no contacto com animais da mesma espécie, de modo a reverter os sinais de domesticação, ao mesmo tempo que se permitiu que a muda das penas danificadas ocorresse de forma natural.


No momento da sua libertação estiveram presentes cerca de 40 pessoas, entre as quais representantes da Junta de Freguesia, de diversas associações locais e de vários populares, que baptizaram a ave com o nome “Martinho”.



12:00 - Freguesia de Tonda (Tondela)
Libertação de um milhafre-preto (Milvus migrans)

Esta ave foi encontrada por um particular, após a mesma ter caído do ninho. Foi recolhida e entregue à equipa do SEPNA da GNR de Santa Comba Dão, que a encaminhou para o CERVAS. O seu processo de recuperação consistiu na alimentação para que pudesse apresentar um normal desenvolvimento corporal e da plumagem de voo, bem como treinos de voo e caça e o contacto com animais a mesma espécie.


No momento de devolução à natureza desta ave selvagem estiveram presentes 8 pessoas, que puderam conhecer melhor a biologia e morfologia desta espécie. A ave foi baptizada de 'Tondeiro'.


14:00 - Freguesia de Almaça (Mortágua)
Libertação de um milhafre-preto

Esta ave foi encontrada próxima do IP3, tendo sido vitima de atropelamento. Foi recolhida pela equipa do SEPNA de Santa Comba Dão, que a encaminhou para o CERVAS. Apesar de se encontrar em estado de choque, não apresentava qualquer fractura ou lesão externa, daí que o seu processo de recuperação tenha incidido, numa fase inicial, na alimentação e em terapia de suporte. Posteriormente, foi colocada em contacto com animais da mesma espécie, tendo sido também submetida a treinos de caça e de voo.


Na sua devolução a natureza estiveram presentes representantes da equipa do SEPNA da GNR de Santa Comba Dão e da Associação de Caçadores e Pescadores de Mortágua.


17 de Agosto, Segunda-feira
18:30 – Curral do Negro, Gouveia
Libertação de uma fuinha (Martes foina)

Este animal foi recolhido por funcionários da Câmara Municipal de Gouveia, quando era bastante jovem. O seu processo de recuperação no CERVAS consistiu sobretudo na alimentação, de modo a assegurar um correcto crescimento e desenvolvimento do animal e em treinos de caça.


A sua devolução a natureza decorreu num local adequado a esta espécie, na presença da equipa técnica e de voluntarios do CERVAS.