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Contrato de parceria entre ALDEIA, Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) e ANA – Aeroportos de Portugal, SA.

Colaboração para a gestão do CERVAS durante 3 anos

A 27 de Março de 2009 foi assinado um contrato de parceria entre a ALDEIA, o ICNB e a ANA para a recuperação de animais selvagens no CERVAS, após lançamento de concurso público por parte do ICNB.

Sob a orientação do ICNB, a ALDEIA assegurará a gestão do CERVAS e a ANA contribuirá financeiramente durante pelo menos 3 anos, no âmbito da iniciativa “Business &Biodiversity” (B&B).

A ALDEIA terá a seu cargo as seguintes acções:

- Acolhimento e tratamento médico-veterinários dos animais selvagens de espécies protegidas;
- Apresentação de propostas de soluções e destinos para os animais recolhidos;
- Devolução dos espécimes aptos ao seu habitat natural;
- Gestão da informação recolhida e o seu envio para a coordenação da Rede Nacional de Recolha e Recuperação de Animais Selvagens (RNRRAS);
- Contribuição para:
a) a educação ambiental através de actividades de recuperação da fauna selvagem;
b) o conhecimento científico;
c) a vigilância sanitária;
d) a realização de acções de conservação da natureza, designadamente, ex situ.

No âmbito de um contrato assinado em moldes semelhantes, a ALDEIA irá também assegurar a gestão do Centro de Recuperação de Animais Selvagens do Parque Natural da Ria Formosa, em Olhão, assumindo funções de recepção e tratamento de animais a partir de Outubro de 2009.

Coruja-das-torres de Vinhó é recuperada no CERVAS


Foi devolvida à natureza no passado dia 19 de Março a coruja-das-torres (Tyto alba) que se encontrava em recuperação no Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS).
Esta coruja-das-torres tinha sido encontrada no dia 2 de Março numa sala de aula da Escola Primária de Vinhó pelos alunos e professores junto de outro indivíduo da mesma espécie que já se encontrava morto. Pensa-se que estas duas aves terão caído pela chaminé da escola, mas continua a desconhecer-se o que terá provocado essa mesma queda bem como a morte de uma delas.

A reintegração deste animal é de elevada importância para a manutenção da espécie na freguesia de Vinhó, onde existem registos de presença e reprodução nos últimos anos. Segundo a população local, esta espécie costumava nidificar na torre da Igreja mas, após obras nesta, terá começado a nidificar na torre da chaminé da escola primária com regularidade. Desconhece-se ao certo se se tratará do mesmo casal, no entanto, anteriormente já outras duas corujas-das-torres teriam caído pela chaminé, tendo sido encontradas na mesma sala de aula. Este facto reforça a ideia de que se trata de um local adequado à espécie, sendo ao mesmo tempo, como se pode perceber com estes acontecimentos, problemático e perigoso para estas aves a tentativa de nidificação na chaminé da escola. Assim sendo, resolveu-se tapar a chaminé uma vez que já nem sequer era usada, impedindo assim que as corujas voltem a cair dentro da escola.


Tendo em conta que a chaminé deveria estar a ser usada como local de nidificação da coruja-das-torres procedeu-se à colocação de uma caixa-ninho ao lado da chaminé para que esta ave pudesse continuar a nidificar no seu território. Esta acção foi levada a cabo no dia 19 de Março da parte da manhã e contou com a preciosa ajuda dos Bombeiros Voluntários de Gouveia.

Já ao final da tarde foi realizada uma palestra sobre a coruja-das-torres para que todos ficassem a saber um pouco mais sobre este “habitante” de Vinhó. Já com uma nova “casa”, o animal foi devolvido à natureza ao fim da tarde no seu local de origem, juntando assim pais, filhos e avós para comemorar de um modo único o Dia do Pai e contando com a presença do presidente da Junta de Freguesia de Vinhó, Mário Alberto dos Santos Almeida e do vereador do Pelouro da educação da Câmara Municipal de Gouveia, Joaquim Lourenço.


Na noite anterior a esta acção, dia 18 de Março, foi realizada uma tertúlia sobre conservação e recuperação de fauna selvagem que contou com a presença de cerca de 30 habitantes de Vinhó, jovens e adultos, que participaram de modo activo e muito interessado numa pequena conversa sobre esta temática, contribuindo assim para um aumento do conhecimento da história e dos hábitos da coruja-das-torres e de outros animais que habitam em Vinhó.

Libertações: Março de 2009



3 a 6 de Março de 2009
Libertações de 3 aves recuperadas no CERVAS (Buteo buteo (2) e Strix aluco)
Acção organizada pelo Parque Natural da Serra de S. Mamede
Inseridas na "Semana da Conservação" da Escola EB 2,3 José Régio - Portalegre



5 de Março de 2009, 5ª feira
14h00: Assinatura de um protocolo de parceria entre a Associação ALDEIA e a Vinícola Castelar Lda - Museu do Vinho da Bairrada
15h00: Libertação de uma Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) - Biblioteca Municipal de Anadia
Colaboradores: Câmara Municipal de Anadia, Vinícola Castelar Lda.

Esta águia-de-asa-redonda foi encontrada por um funcionário da Câmara Municipal de Anadia no Estádio Municipal desta cidade no dia 28 de Janeiro, apresentando lesões e comportamentos compatíveis com a permanência em cativeiro ilegal. A equipa do SEPNA de Anadia recolheu a ave e entregou-a no CERVAS, onde foi sujeita a todo o processo de recuperação que incluiu aumento do peso, melhoria da condição corporal e contacto com aves da mesma espécie.

Esta libertação complementou a cerimónia de assinatura de um protocolo de parceria entre a Associação ALDEIA e a Vinícola Castelar Lda., empresa esta que irá apoiar o CERVAS através da cedência de parte das verbas obtidas na venda de um lote de garrafas de Vinho Tinto da Bairrada "Trôno Real" com um rótulo especial dedicado à temática da recuperação de águias.


Dia 17 de Março de 2009
Libertação de um Milhafre-real (Milvus milvus)
12h30, Estremoz
Patrocinador: ADT - Fire & Security
Colaborador: Câmara Municipal de Estremoz

Este Milhafre-real (Milvus milvus), foi recolhido no passado dia 28 de Janeiro no Monte Redondo (Sta Maria, Estremoz) pela equipa do SEPNA de Estremoz, por se encontrar muito débil e desnutrido. Esta ave foi entregue ao PNSSM que por sua vez a entregou no CERVAS. Após todo o processo de recuperação que incluiu alimentação para aumento e estabilização de peso e treinos de voo e musculação nas instalações deste centro, esta ave encontrava-se finalmente pronta para ser devolvida à Natureza.


Esta libertação contou com a presença de um importante patrocinador do CERVAS, a empresa ADT - Fire & Security, que cedeu e instalou gratuitamente câmaras de vigilância nas câmaras de muda e túnel de voo do centro. Estes equipamentos permitirão observar os animais em recuperação 24h por dia, o que providenciará informações essenciais sobre o comportamento dos indivíduos, levando a que o processo de recuperação possa ser melhorado e acelerado.
Este momento de devolução à Natureza de uma ave recuperada no CERVAS foi ainda antecedido por uma acção de educação ambiental com uma turma do 10º ano de escolaridade da Escola Secundária Rainha Santa Isabel - Estremoz.

Dia 18 de Março - Sporting Clube de Vinhó:
Libertação de uma coruja-das-torres (Tyto alba)
21h30 - Tertúlia sobre recuperação e conservação de espécies e sobre a Tyto alba

Dia 19 de Março - Escola Primária de Vinhó:
9h00 - Palestra sobre caixas-ninho
10h30 - Montagem e colocação de uma caixa-ninho
18h30 - Palestra sobre corujas-das-torres (Tyto alba)
19h00 - Libertação de uma coruja-das-torres (Tyto alba) recuperada no CERVAS

Para complementar de um modo único as comemorações do Dia do Pai, o CERVAS realizou mais uma devolução à Natureza de uma ave recuperada neste centro: uma coruja-das-torres (Tyto alba), recolhida em Vinhó por se encontrar ferida e debilitada. Este evento incluiu ainda uma tertúlia sobre recuperação e conservação de espécies e sobre esta espécie em particular e uma palestra, montagem e colocação de caixas-ninho.


Dia 19 de Março – Biblioteca Municipal, Mangualde
Libertação de uma águia-calçada (Aquila pennata)
14h00 - Palestra sobre Centros de Recuperação e espécies de animais selvagens (em particular sobre a Águia-calçada (Aquila pennata))
16h00 – Libertação de uma Águia-calçada (Aquila pennata) recuperada no CERVAS

Acções inseridas na comemoração da “Semana da Floresta e da Segurança” organizada pelo Agrupamento de Escolas Gomes Eanes de Azurara, PROSEPE e Eco-Escolas

ADT Fire & Security oferece Sistema de Videovigilância ao CERVAS

A ADT Fire & Security, fornecedor líder europeu de soluções de segurança electrónica e protecção contra incêndio, celebrou um contrato de mecenato com a Associação ALDEIA, para apoio ao trabalho desenvolvido no CERVAS, (Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens), uma estrutura do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) em Gouveia, através do qual vai doar um sistema de videovigilância para o projecto “Monitorização da eficácia da recuperação de aves de rapina selvagens: seguimento de animais após Libertação”.

Este projecto, no qual estão englobadas várias acções, pretende estudar a eficácia da recuperação de animais selvagens nos centros de recuperação. Uma destas acções, designada “Enriquecimento ambiental das jaulas”, vai ser a principal beneficiada com a parceria da ADT Fire & Security pois os resultados da investigação dependem da análise do comportamento dos animais nas jaulas sem a presença humana, os quais serão registados pelas câmaras de videovigilância.


Para assinalar a cooperação entre a ADT Fire & Security e o CERVAS, ontem, pelas 12h30, em Estremoz, a ADT Fire & Security esteve presente no momento de libertação de um milhafre-real Milvus milvus, uma espécie ameaçada, apadrinhado pela empresa.

“É muito importante contar com o apoio da ADT Fire & Security pois só desta forma podemos desenvolver as nossas investigações com todo o rigor exigido. Os equipamentos da ADT Fire & Security vão permitir que estudemos os animais nas jaulas sem a interferência humana, o que causa, inevitavelmente, um enviesamento dos dados recolhidos”, declara Ricardo Brandão, Médico Veterinário e responsável técnico do CERVAS.


“A filosofia da ADT Fire & Security é contribuir para um mundo mais seguro. Se pudermos associar a nossa actividade à protecção de espécies ameaçadas e cooperar para a sua sobrevivência, então alargamos a nossa acção ao expoente máximo. Acredito que as câmaras de videovigilância instaladas vão garantir o sucesso deste projecto e contribuir para uma investigação aprofundada sobre o comportamento de indivíduos de espécies ameaçadas durante a sua permanência em centros de recuperação”, afirma João Ribeiro, Director Geral da ADT Fire & Security.

O principal objectivo do CERVAS é a detecção e a solução de problemas associados à conservação e gestão das populações de animais selvagens. A recuperação de animais selvagens feridos ou debilitados é uma das principais actividades deste centro, que consiste na recepção e tratamento dos indivíduos recolhidos, com o objectivo de os libertar no local onde foram encontrados. O apoio e/ou a realização de trabalhos de monitorização ecológica e sanitária das populações de animais selvagens, o apoio e fomento à aplicação do Programa Antídoto – Portugal, a promoção da sensibilização ambiental em matéria de conservação e gestão dos animais selvagens e o funcionamento como unidade intermédia de gestão e transferência de informação e amostras tratadas através de parcerias científicas são outras linhas de acção do CERVAS.

Desde 2007 que o CERVAS conta com o apoio da ALDEIA, uma associação sem fins lucrativos que tem como objectivo contribuir para um desenvolvimento sustentável, fundamentado na conservação da Natureza e na preservação da Cultura e Tradições que sobrevivem nos meios rurais.

Convénio entre a Escola Universitária Vasco da Gama (EUVG) e a Associação ALDEIA

Colaboração no âmbito do CERVAS (Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens)

A 6 de Março de 2009 foi assinado um convénio entre a EUVG e a ALDEIA para uma colaboração no âmbito do CERVAS. O objectivo geral é a conjugação dos recursos e capacidades específicas de cada uma das instituições envolvidas, no sentido de criar sinergias que permitam a formação prática de profissionais e o desenvolvimento de investigação. Neste contexto - e com o envolvimento activo de docentes e alunos da EUVG – pretende-se empreender de forma eficaz projectos que visem o desenvolvimento de acções e metodologias de investigação sobre medicina, recuperação e conservação de animais selvagens autóctones. Por outro lado, pretende-se contribuir para uma formação veterinária relacionada com a Fauna Selvagem, através de estágios de Prática Veterinária Integrada (com a duração de 1 mês) e de estágios de Trabalho Final de Curso (com a duração de 1 semestre) e outros de alunos da EUVG. Estes estágios decorrerão, de forma repartida, nas instalações geridas pela ALDEIA, com o apoio dos espaços da EUVG (laboratórios) e serão subordinados às temáticas da Clínica de recuperação de fauna selvagem autóctone; e áreas básicas relacionadas com a fauna selvagem: Parasitologia, Microbiologia, Farmacologia/Toxicologia, Epidemiologia, Patologia Animal e outras.

A Vinícola Castelar, Lda. assina protocolo com Associação ALDEIA

No dia 5 de Março de 2009 vai-se celebrar às 14 horas no Museu do Vinho em Anadia um protocolo entre a Vinícola Castelar, Lda. e a Associação ALDEIA (Acção, Liberdade, Desenvolvimento, Educação, Investigação, Ambiente).

A ALDEIA tem como objectivos a defesa e conservação da Natureza e da Biodiversidade, bem como a educação ambiental e promoção do património natural. Um dos projectos em que a associação está envolvida é o apoio à gestão do Centro de Ecologia, Recuperação, Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS), em Gouveia.

A Vinícola Castelar, Lda., pretende associar-se à promoção das acções do CERVAS, contribuindo para a conservação e divulgação da importância da fauna selvagem autóctone. Neste contexto a Vinícola Castelar, Lda., pelas mãos da sócia gerente Eng.ª Vanda Póvoa, apadrinhou a devolução de uma águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) ao seu habitat natural no lugar do Pereiro – Anadia.

Para comemorar este feito, engarrafou 150 garrafas de 1,5L de vinho tinto Bairrada 2000 com um rótulo exclusivo. O preço fixo da garrafa foi estabelecido em 10€ + IVA sendo 2€ por garrafa entregues à Associação ALDEIA para ser utilizado na gestão do CERVAS, para apoiar a recuperação e vigilância dos animais selvagens que ingressem neste centro.


O CERVAS é uma estrutura que pertence ao ICNB – Parque Natural da Serra da Estrela e tem como objectivos detectar e solucionar diversos problemas associados à conservação e gestão das populações de animais selvagens e dos seus habitates. As linhas de acção do CERVAS são a recuperação de animais selvagens feridos ou debilitados, o apoio e/ou a realização de trabalhos de monitorização ecológica e sanitária das populações de animais selvagens, o apoio e fomento à aplicação do Programa Antídoto – Portugal, a promoção da sensibilização ambiental em matéria de conservação e gestão dos animais selvagens e o funcionamento como unidade intermédia de gestão e transferência de informação e amostras tratadas através de parcerias cientificas.

O CERVAS mantém em curso uma campanha de apadrinhamento de animais selvagens em recuperação ou um projecto desenvolvido no centro. Para apadrinhar um animal ou um projecto através de uma contribuição financeira ou de angariação e cedência de material de diversos tipos contacte o CERVAS.

VI Workshop Prático de Recuperação de Animais Silvestres

Objectivo:
O crescimento do interesse pela recuperação de animais silvestres em Portugal tem sido evidente nos últimos tempos. Por isso, a necessidade de formação que tem sido manifestada por técnicos, colaboradores e voluntários que trabalham ou pretendem trabalhar em recuperação de fauna silvestre em Portugal tem-se materializado numa grande adesão a diversos eventos relacionados com este tema que têm vindo a ser organizados no nosso país por diversas entidades.
Após 5 edições muito participadas, o Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS) e a ALDEIA organizam a 6ª edição do Workshop Prático de Recuperação de Animais Silvestres em Gouveia e Seia entre 27 de Fevereiro e 1 de Março de 2009.
O objectivo é continuar a dinamizar iniciativas que contribuam para dar resposta às exigências do trabalho que é desenvolvido nos centros de recuperação, que cada vez tem sido mais divulgado e que começa a ser considerado como uma importante ferramenta ao serviço da conservação da fauna silvestre portuguesa.

Data: 27 de Fevereiro a 1 de Março de 2009

Local: Gouveia (Teatro-Cine e CERVAS) e Seia (CISE)

Organização: ALDEIA

Colaboração:
CERVAS – Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens
DLCG – Desporto, Lazer e Cultura de Gouveia - Empresa Municipal
CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela

Apoios:
Câmara Municipal de Gouveia/DLCG
CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela, Seia

Nº inscritos: 42

Nº participantes (incluindo formadores e organização): 55



Libertações: Fevereiro de 2009

13 de Fevereiro, 6ª feira
Libertação de uma Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)
10h30, Prado dos Vales, Vermiosa (Figueira de Castelo Rodrigo)


Esta acção foi antecedida por uma acção de educação ambiental com as crianças da E.B.1 e o Jardim de Infância da Vermiosa, que assitiram posteriormente à devolução à Natureza desta águia.

Esta ave de rapina foi recolhida na freguesia da Vermiosa, no dia 15 de Setembro de 2008, após ter sido acidentalmente atropelada. Foi entregue pela própria condutora ao Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) que, através dos Vigilantes da Natureza, a fez chegar ao CERVAS. Neste centro, o processo de recuperação consistiu na resolução de uma fractura na asa, aumento de peso, convívio com aves da mesma espécie e treino de caça e voo.

13 de Fevereiro, 6ª feira
Libertação de um Grifo (Gyps fulvus)
12h30, Santuário de Sto. André das Arribas, Almofala (Figueira de Castelo Rodrigo)




Esta acção contou com a presença de um representante da Junta de Freguesia de Almofala, entre outros.

No dia 15 de Janeiro de 2009, este grifo sub-adulto foi recolhido em Figueira de Castelo Rodrigo, em condição de grave debilidade, tendo sido prontamente entregue no CERVAS por um Vigilante da Natureza do PNDI. Já no centro, considerando todos os sinais clínicos (incapacidade de se manter em pé, vómitos...) e também o local de recolha da ave e circunstâncias descritas, suspeitou-se que a ave teria sido vítima de intoxicação (por consumo de carcaças ilegalmente envenenadas). O processo de recuperação consistiu então na administração de medicação específica, convívio com outro abutre, manutenção do peso e treinos de voo.
Esta ave apresentava dimensões consideradas máximas para a espécie, sendo possivelmente um dos maiores grifos alguma vez registados em Portugal, apresentando cerca de 12kg (o peso médio para a espécie é de 8,5kg) e mais de 2,5m de envergadura (o valor máximo estipulado é de 2,65m).



20 de Fevereiro, 6ª feira
Libertação de uma Gaivota-tridáctila (Rissa tridactyla)
10h00, Praia da Barra, Aveiro

Esta acção contou com o apoio do Bionúcleo (Universidade de Aveiro) e com a presença do programa 3810-UA.

Este foi um caso de recuperação muito particular já que se trata de uma gaivota-tridáctila (Rissa tridactyla) recolhida por um particular no dia 4 de Fevereiro em Vide (Seia), por se encontrar muito debilitada. Trata-se de uma espécie quase exclusivamente marinha que não nidifica em Portugal (apenas passando ao largo da nossa costa) pelo que, para ser detectada neste local, eventualmente terá procurado abrigo contra o mau tempo subindo um rio, acabando assim por chegar à Serra da Estrela. Concluído o processo de recuperação realizado neste centro, com o apoio do Parque Ecológico de Gouveia, chegou então o momento de devolver esta ave à Natureza.

A recuperação desta ave incluiu a passagem por um processo de enriquecimento ambiental que lhe permitiu exercitar as capacidades de voar e nadar e uma alimentação cuidada para que recuperasse o peso adequado.




O local da libertação foi escolhido por ser adequado para a espécie, pela maior proximidade geográfica ao local onde a ave foi encontrada e recuperada e também pela possibilidade de divulgação e educação ambiental junto da Universidade de Aveiro e de outras entidades e população locais.


Após a libertação, foi ainda realizada uma saída para observação de aves marinhas e aquáticas, naquela zona e arredores (inclusivé Dunas de S. Jacinto).

Espécie do mês de Fevereiro: Gaivota-tridáctila


A gaivota-tridáctila (Rissa tridactyla) é uma ave marinha que pode atingir os 43 cm de envergadura e cerca de 320g de peso. Esta espécie possui a cabeça pequena, bico amarelo e curto. De todas as espécies de gaivotas é a mais delicada devido às suas cores, comportamento e dimensões. Os adultos apresentam um manto cinzento na parte superior do corpo, enquanto que o abdómen é completamente branco. A ponta das asas é preta, assim como a totalidade das patas. Aquando da plumagem de Inverno, os adultos apresentam a nuca em tons escuros. Os juvenis apresentam uma mancha preta na base da nuca, têm o bico escuro e a coloração preta das asas faz lembrar um “W”, apresentando ainda uma barra preta na base da cauda.

Distribui-se nas regiões subárticas do norte e centro da Europa, raramente ocorre em grandes bandos e quase nunca aparece junto à costa. Em Portugal pode ser vista durante o Inverno, pois é uma espécie migratória que durante as épocas mais frias recorre ao nosso país, que tem temperaturas mais amenas. Tem capacidade de nadar e de levantar voo e pousar tanto na água como no solo.

É oportunista no que diz respeito à alimentação, podendo comer quase todos os tipos de peixes e invertebrados. Reproduz-se nas costas rochosas do oceano Atlântico, em especial no Norte e no Ocidente, formando grandes bandos. Põe dois ovos de cor creme com manchas castanhas, que demoram cerca de 25-30 dias a incubar e eclodir. As crias quando eclodem são bastante activas e muito penugentas.

Em termos de conservação em Portugal, esta ave não se encontra ameaçada (o seu estatuto de conservação, atribuído pelo ICNB, em 2005, era “pouco preocupante”. No entanto, como todas as aves marinhas, pode ser prejudicada por alguns factores de origem humana. Os principais factores de ameaça para são a captura acidental em redes de pesca e os derrames de crude e seus derivados no oceano.

BARN — Conservação e Estudo da Distribuição e Ecologia de Aves de Rapina Nocturnas


BARN — Conservação e Estudo da Distribuição e Ecologia de Aves de Rapina Nocturnas é um projecto do CERVAS que está a ser desenvolvido numa primeira fase no concelho de Gouveia, mas tem como objectivo alargar a área de estudo para toda a zona da Serra da Estrela. As espécies alvo serão as que ocupam habitats agrossilvopastoris, ou seja, Coruja-das-torres (Tyto alba), Mocho-galego (Athene noctua), Coruja-do-mato (Strix aluco) e Mocho-d’orelhas (Otus scops). O projecto BARN tem como objectivos principais identificar e monitorizar os locais de presença e nidificação de aves de rapina nocturna, bem como potenciar a reprodução e fixação destas espécies através da colocação de caixas-ninho.


Este último objectivo é bastante importante, tendo em conta que estas espécies não constroem ninhos, mas sim ocupam cavidades de árvores e de construções humanas (torres de igrejas, celeiros, casas abandonadas, etc.), que são cada vez mais raros devido à pressão humana. Para complementar todo o processo de conservação das aves de rapina nocturnas é necessário que a população em geral esteja sensibilizada e para isso o projecto BARN terá uma forte componente de educação e sensibilização ambiental, com o intuito de suprimir mitos relacionados com as aves de rapina nocturnas e mostrar às populações locais a importância destas espécies no combate a pragas, nomeadamente, de roedores e insectos.

Lúcia Lopes e André Aguiar, Biólogos

Espécie do mês de Janeiro: Milhafre-real

O milhafre-real (Milvus milvus) é uma ave de rapina diurna de comprimento compreendido entre 55 e 64 cm, e com uma envergadura máxima de 180 cm. Esta ave apresenta uma plumagem corporal castanha com pequenas manchas escuras e uma cauda comprida marcadamente bifurcada de cor ruiva. As asas são de cor castanha escura e com pontas de cor negra. Na face superior destas pode-se observar uma linha diagonal descendente mais clara e na parte inferior é possível identificar uma janela translúcida de cor branca. A cabeça é de cor cinza claro com um padrão listrado vertical de cor negra. O milhafre-real juvenil apresenta uma cor mais clara que os adultos, as penas corporais destes têm uma lista preta central e pontas pálidas e a cauda é de cor castanha.

Esta espécie é residente e pode ser encontrada principalmente em planícies e montados, encostas e bosques, podendo também ser observada em áreas de cultivo (principalmente de cereais) e zonas urbanizadas. A alimentação desta ave é constituída por roedores, pequenos pássaros e peixes, contudo esta adopta, sempre que possível, hábitos necrófagos.

O milhafre-real é normalmente solitário mas no Inverno muitos destes agrupam-se em locais de abrigo. Além disso, é uma espécie que acasala para toda a vida (monógama) sendo possível observá-los aos pares na época de acasalamento.
O período de nidificação tem início em Março e a postura decorre ao longo do mês de Abril, com a deposição de 1 a 3 ovos. Após 31 a 32 dias dá-se a eclosão das crias que irão permanecer aos cuidados dos progenitores durante aproximadamente 50 dias.

Em Portugal encontramos uma população bastante fragmentada, principalmente nos meses de Inverno durante a estadia de populações invernantes provenientes do norte e centro da Europa. Da população residente, 70 a 80% destas aves encontram-se nas regiões do Planalto Mirandês, Ribacôa e entre Castelo Branco e Idanha-a-Nova. O restante efectivo encontra-se disperso em vários locais do Alentejo e das bacias do Mondego e Tejo.

Actualmente, em Portugal, a população nidificante (residente), que se distribui pelo nordeste do território, encontra-se “Criticamente em Perigo” e a população invernante, que envolve quase todas as aves que surgem no Alentejo, tem o estatuto de "Vulnerável", estatutos de conservação definidos pelo ICNB em 2005.

As principais ameaças são o abate ilegal e o envenenamento por consumo de carcaças e iscos. Podemos ainda assinalar a electrocussão em linhas eléctricas, a colisão com as pás dos aerogeradores em parques eólicos, o corte de maciços florestais, o abandono da agricultutra tradicional, a redução da disponibilidade alimentar devido ao cumprimento das exigências higieno-sanitárias e ainda a competição com outras aves de rapina florestais.

Libertações: Janeiro de 2009

O CERVAS iniciou o ano de 2009 com duas acções de devolução à Natureza de animais recuperados, entre outras actividades.

22 de Janeiro, 5ª feira
Libertação de um Grifo (Gyps fulvus)
10h00, Vale de Espinho
Esta acção contou com a presença de cerca de 70 crianças do pré-escolar e foi organizada com a colaboração da Câmara Municipal do Sabugal.


Este grifo juvenil ingressou no CERVAS em Novembro de 2008 por se encontrar muito debilitado. Foi encontrado por um particular e recolhido pelo SEPNA da Guarda. O processo de recuperação consistiu em medicação e alimentação, para que recuperasse as forças, e em treinos de voo e musculação.


29 de Janeiro, 5ª Feira
Libertação de uma Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo)
14h30, Anadia


Esta libertação foi organizada com a colaboração da Câmara Municipal e do SEPNA-GNR de Anadia e contou com o apoio da Vinícola Castelar, Lda., que apadrinhou esta ave, e foi antecedida por uma acção de educação ambiental no Colégio de Nossa Sra da Assunção, em Famalicão - Anadia. Estiveram presentes no momento de devolução à natureza desta ave cerca de 100 crianças do Ensino Pré-Primário e Primário, Vanda Póvoa da Vinícola Castelar e representantes da Câmara Municipal de Anadia, entre outros.

Esta ave, também juvenil, foi recolhida por um particular em Paredes de Baixo - Anadia, em Agosto de 2008, e encaminhada para a Reserva Natural do Paúl da Arzila. Foi transportada depois até ao CERVAS onde se verificou que apresentava uma fractura na asa direita, compatível com colisão. O processo de recuperação consistiu na resolução da fractura através da colocação de uma ligadura e posterior fisioterapia, convivio com outras aves da mesma espécie e treinos de voo e musculação.

Mapeamento dos ingressos do CERVAS

No âmbito de um estágio profissionalizante da Licenciatura em Biologia pela Universidade de Aveiro deu-se início a um importante trabalho de mapeamento dos ingressos de animais selvagens no CERVAS, desenvolvido em Sistemas de Informação Geográfica (SIG's). Esta é uma base de trabalho cada vez mais fundamental para a gestão dos centros de recuperação e das suas actividades, permitindo determinar áreas de acção, pontos críticos para a biodiversidade e relações biológicas macrogeográficas dos animais com o meio ambiente.

A) Resultados quantitativos de ingressos no CERVAS durante os anos 2006,2007 e 2008


B) Relação entre os ingressos de atropelamento e a rede de auto estradas nacional e determinação de pontos críticos

Pedro Horta, Biólogo

Enriquecimento Ambiental

No âmbito de um estágio profissionalizante da Licenciatura em Biologia pela Universidade de Aveiro deu-se início a um importante trabalho de enriquecimento ambiental da instalações de recuperação de animais selvagens no CERVAS.
O processo de enriquecimento ambiental consiste no desenvolvimento de três fases: enriquecimento físico, enriquecimento alimentar e enriquecimento sensorial, com o objectivo de tornar o ambiente da jaula o mais próximo possível da vida selvagem.


Helena Raposeira, Bióloga

Treinos de voo em Creance para aves de rapina em recuperação

A recuperação de aves de rapina selvagens é um processo complexo e de elevada exigência. As espécies de aves pertencentes a este grupo são as “atletas de alta competição” da Natureza, sendo necessário que apresentem uma condição física – fitness - óptima de modo a poderem sobreviver no seu habitat natural.

A reabilitação física através de treinos específicos tem então o objectivo de completar os cuidados clínicos proporcionados às aves e é essencial para que o fitness da ave alcance ou retorne aos níveis necessários à sua sobrevivência (Arent, 2001). É condição essencial à libertação de uma ave de rapina sujeita a um processo de recuperação que esta apresente a melhor condição física possível, que lhe permita capturar as suas presas (Arent, 2001). Se tal não acontecer, esta ave nunca sobreviverá na natureza, tornando todo o processo de recuperação inútil para a reabilitação da ave em si e para a conservação da espécie e ecossistemas a ela associados no geral.

Os movimentos diários e constantes realizados pelas aves numa câmara de muda ou túnel de voo permitem-lhes manter um estado saudável mas são insuficientes para que esta alcance um nível de condição física ideal, o chamado fitness de performance (Clayton, 1950, in: Arent, 2001), que lhes possibilite comportar-se normalmente e sobreviver na natureza. Esta condição implica o desenvolvimento dos sistemas muscular e cardiovascular e uma amplificação da capacidade aeróbia. Assim sendo, esta condição apenas é alcançável através de um plano de treinos muito bem definido, complementando o treino que as aves fazem só por si dentro das estruturas já referidas. Os treinos de voo permitem assim colmatar as limitações destes espaços, que dificilmente apresentam dimensões suficientes para um auto-treino completo ou podem mesmo não existir em alguns centros de recuperação.


Estimulando o voo num túnel de voo ou realizando treinos mediante a técnica do Creance é possível proporcionar às aves de rapina exercícios mais completos e diversificados (Redig et al., 2007), apropriados às exigências naturais a que se encontrarão sujeitas quando regressarem à natureza.

As técnicas de treino de voo podem dividir-se em dois grupos gerais, sendo possível exercitar aves de um modo livre (sem qualquer equipamento acoplado a si) ou usando um equipamento apropriado.

Nos treinos livres, a ave é colocada num corredor fechado, com comprimento definido, sem ter qualquer equipamento adicionado e é estimulada a voar o número de voos necessários para completar a distância adequada.

O Creance é uma técnica adaptada da falcoaria que envolve a ligação de tiras de couro, as piós ou braceletes e correias, aos tarsos da ave e a adição de um cordel, o fiador (ou, em inglês, Creance) a essas mesmas tiras. A ave é então treinada com este equipamento, de peso irrelevante para o tamanho da ave, num espaço aberto, livre de obstáculos e num terreno que permita aterragens seguras. A quantidade de fiador disponível determinará a distância permitida para cada voo e o número de voos deverá perfazer a distância total prevista para cada espécie (Arent, 2001).

Esta técnica permite melhorar e acompanhar a fase final da preparação dos animais a libertar mediante a aplicação de planos de treino de voo em Creance e a avaliação de parâmetros físicos e fisiológicos (peso corporal, frequência respiratória, frequência cardíaca, temperatura corporal, concentração de lactato, glicose, proteínas totais e hematócrito), estilos de voo e comportamentos específicos.

Analisando e comparando os dados obtidos durante todo o programa de treino, é possível estudar o progresso das várias aves durante a implementação de um plano de treino de voo específico, procurando determinar o momento em que estas alcançaram a fitness de performance, condição essencial para que a devolução da ave à natureza seja bem sucedida, resultando numa maior probabilidade de sobrevivência e reprodução no habitat ao qual será devolvida.

Este estudo foi desenvolvido no âmbito da tese de Mestrado em Ecologia, Biodiversidade e Gestão de Ecossistemas, da Universidade de Aveiro.

Liliana Barosa, Bióloga

Percepções sociais da população do concelho de Gouveia em relação à fauna silvestre local e aos centros de recuperação de animais selvagens

A análise das percepções sociais tem-se revelado um alicerce extremamente importante no campo da conservação e da gestão faunística, determinando muitas das vezes o sucesso ou fracasso das medidas a aplicar. Tal é o caso das campanhas de educação e sensibilização ambiental, cuja promoção é uma das várias linhas de actuação do CERVAS.
Com esta consideração como pano de fundo, a investigação antropológica desenvolvida girou em torno de dois objectivos. Em primeiro lugar, pretendeu-se apreender as percepções sociais da população residente no concelho de Gouveia acerca da fauna silvestre local, bem como as (possíveis) variáveis que lhes subjazem. Para tal, foram seleccionadas cinco espécies: o Pintassilgo (Carduelis carduelis), a Coruja-das-torres (Tyto alba), a Fuinha (Martes foina), o Grifo (Gyps fulvus) e o Milhafre-preto (Milvus migrans). Por outro lado, pretendeu-se aceder ao grau de conhecimento e aceitação da população em causa, bem como às respectivas opiniões, em relação ao trabalho e actuação dos Centros de Recuperação de Animais Selvagens em Portugal, no geral, e do CERVAS, em particular. Foi, então, conduzido um inquérito por questionário entre inícios de Junho e finais de Agosto de 2008 nas ruas de seis freguesias do concelho de Gouveia: Aldeias, Nespereira, S. Paio, S. Pedro, Ribamondego e Vinhó. Da amostra fizeram parte 109 casos (50 do sexo masculino, 59 do feminino), representando cerca de 2% dos casos do Universo.

Os resultados sugerem que a maioria das percepções demonstradas pelos inquiridos em relação às espécies consideradas são eminentemente positivas, embora nalguns casos a positividade das respostas tenha sido muito superior à de outras, como se verificou no caso do Pintassilgo e do Milhafre-preto. Por outro lado, as percepções sociais parecem estar de certa forma relacionadas com o conhecimento empírico das espécies, tendendo ainda a ser influenciadas por algumas das variáveis sócio-demográficas tidas em conta (como é o caso da idade, residência e habilitações literárias). Quanto aos Centros de Recuperação, os dados revelam que as opiniões são positivas, apesar de a maioria dos inquiridos não conhecer o CERVAS (58%). Para além disso, a população demonstrou interesse em assistir a futuras libertações e na recepção de informações sobre as actividades dos Centros, apesar de um número igualmente significativo não demonstrar qualquer interesse.
Este estudo pioneiro permitiu, entre outros aspectos, demonstar a importância de ter em conta as percepções locais para o próprio trabalho dos Centros de Recuperação de Animais Selvagens, podendo ser interessante desenvolver estudos mais alargados nesta área, em termos quantitativos e geográficos, num futuro próximo.
Filipa Soares, Antropóloga

Libertações 2008



ACÇÕES DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL / LIBERTAÇÃO DE ANIMAIS (2008):
Nº de acções: 70
Nº de participantes: 2796

Protocolo entre a Associação ALDEIA e a D.L.C.G – Desporto, Lazer e Cultura de Gouveia, Empresa Municipal (DLCG-EM).

Colaboração na gestão do CERVAS e do Parque Ecológico de Gouveia

A 20 de Outubro de 2008 foi celebrado um protocolo entre a ALDEIA e a DLCG-EM que visa estabelecer uma relação de colaboração entre as duas entidades no sentido de:

- Contribuir para um maior conhecimento sobre a fauna selvagem autóctone por parte da população;
- Contribuir para a sensibilização em relação às principais ameaças das espécies selvagens;
- Contribuir para um maior conhecimento sobre o trabalho que é desenvolvido nos centros de recuperação de fauna selvagem;
- Contribuir para uma maior valorização e reconhecimento público da importância do trabalho dos centros de recuperação no que respeita à conservação da fauna selvagem autóctone;
- Contribuir para a valorização do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), através de um maior conhecimento da sua diversidade biológica, em particular no que se refere à fauna selvagem;
- Valorizar das espécies selvagens autóctones da região, com particular ênfase nas existentes no PNSE;
- Recuperar indivíduos de espécies de animais selvagens autóctones, preparando-os para a devolução à natureza em condições óptimas que garantam a sua sobrevivência;
- Dar destino a animais irrecuperáveis que tenham que ser retirados do CERVAS, e que tenham potencial e condições para serem usados em programas pedagógicos no PEG;
- Aumentar a dinâmica de trabalho de ambas as estruturas.

Campanha de Apadrinhamentos


O CERVAS encontra-se a desenvolver uma campanha que permite o apadrinhamento de um animal em recuperação ou de um projecto que esteja a ser desenvolvido no centro.

Ao apadrinhar um animal terá a possibilidade de assistir à sua devolução à Natureza (se tal for possível no final do processo de recuperação) e receberá um certificado de apadrinhamento. O seu contacto será inserido na lista de divulgação do CERVAS para que possa obter informações e fotos do animal apadrinhado, se o desejar, e informações sobre as próximas actividades em que poderá participar, tornando-se, desta forma, um membro activo na dinamização da recuperação de animais selvagens em Portugal.

Espécies de animais normalmente em recuperação no CERVAS:
a) Com uma contribuição mínima de 15€
Coruja-do-mato (Strix aluco);
Coruja-das-torres (Tyto alba);
Mocho-galego (Athene noctua);
Mocho-de-orelhas (Otus scops);
Milhafre-preto (Milvus migrans);
Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo);
Águia-cobreira (Circaetus gallicus);
Açor (Accipiter gentilis);
Gavião (Accipiter nisus);
Peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus);
Ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus)

b) Com uma contribuição mínima de 25€
Abutre-preto (Aegypius monachus);
Grifo (Gyps fulvus);
Bufo-real (Bubo bubo);
Falcão-abelheiro (Pernis apivorus);
Britango (Neophron percnopterus);
Garça-vermelha (Ardea purpurea)

Nota: os valores indicados referem-se a apadrinhamento individual/particular. Caso pretenda ceder apoios através de uma instituição / empresa, os valores mínimos serão de 250€ para qualquer espécie indicada anteriormente (podendo ser deduzidos no IRS ao abrigo da lei do mecenato ambiental).


Poderá descarregar a ficha de apadrinhamento aqui.



Além da possibilidade de apadrinhamento de animais, apresentamos também a campanha de apadrinhamento de projectos para 2009, para empresas ou particulares que queiram contribuir para a evolução do trabalho a desenvolver a partir do CERVAS.

Os projectos que estão em desenvolvimento são:
- Treino de voo e Musculação de Aves Pré-Libertação
- Enriquecimento ambiental no CERVAS
- Monitorização da eficácia da recuperação de aves de rapina selvagens: seguimento de animais libertados após tratamento.
- A influência do abandono agrícola na avifauna da Serra da Estrela
- Educação Ambiental – oficinas e produção de material pedagógico



Contactos : CERVAS/PNSE : cervas.pnse@gmail.com
Tel: 962714492 (CERVAS)/ 238492411 (PNSE Gouveia)

Modos de pagamento:
- CHEQUE: Em nome de Associação ALDEIA enviado juntamente com a ficha de inscrição para:
CERVAS – Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens
Apartado 126
6290-909 Gouveia

- TRANSFERÊNCIA*:
NIB: 003503540003190733089 (Caixa Geral de Depósitos de Gouveia)
* Enviar comprovativo de transferência por correio para a morada acima indicada ou por correio electrónico para cervas.pnse@gmail.com

CERVAS - Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens

O Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS) é uma estrutura que pertence ao Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) mas que se encontra actualmente sob a gestão da Associação ALDEIA, e que tem como objectivos detectar e solucionar diversos problemas associados à conservação e gestão das populações de animais selvagens e dos seus habitates.

As linhas de acção do CERVAS são a recuperação de animais selvagens feridos ou debilitados, o apoio e/ou a realização de trabalhos de monitorização ecológica e sanitária das populações de animais selvagens, o apoio e fomento à aplicação do Programa Antídoto – Portugal, a promoção da sensibilização ambiental em matéria de conservação e gestão dos animais selvagens e o funcionamento como unidade intermédia de gestão e transferência de informação e amostras tratadas através de parcerias científicas.

O trabalho de recuperação de animais selvagens consiste na recepção e tratamento dos indivíduos recolhidos, com o objectivo de os libertar no local onde foram encontrados. Em Portugal, existe uma Rede Nacional de Recolha e Recuperação de Animais Selvagens, de que fazem parte cerca de uma dezena de centros de recuperação, sendo a rede gerida pelo Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB).

Concomitantemente, o CERVAS desenvolve trabalho de monitorização de todos os animais que ingressam no centro, vivos e/ou cadáveres, no sentido de determinar causas de entrada e de morte respectivamente, patologias predisponentes e agentes infecciosos, parasitários e tóxicos presentes. Este trabalho é importante pois há muita informação que pode e deve ser obtida através dele, não só para fins de preservação das espécies em causa, mas também para detecção atempada de potenciais impactos em saúde pública. Por isso, todos os animais vivos, cadáveres e partes de animais que ingressam no CERVAS são estudados cuidadosamente. Nestes procedimentos, globalmente denominados vigilância sanitária, o CERVAS apresenta-se capacitado, também, para realizar alguns trabalhos de recolha de informação em animais em liberdade, dispondo de meios próprios ou estando capacitado para gerir parcerias para proceder à captura de diversas espécies.

Na sequência destes trabalhos, o CERVAS afigura-se como uma unidade fundamental na aplicação do Programa Antídoto - Portugal. Este constitui um instrumento decisivo na detecção e combate ao uso de venenos no meio natural, gerindo uma vasta lista de parcerias institucionais que abrangem autoridades científicas, policiais, organizações de cidadania e outras. O uso de venenos continua prática corrente em Portugal e tem sido, ao longo dos tempos, uma das principais causas de regressão ou extinção, pelo menos local, de diversas espécies. Note-se, como exemplo, o facto de ser atribuída a esta prática a extinção do Lobo-ibérico (Canis lupus) na Serra da Estrela.

Finalmente, o CERVAS assume-se como um centro de ecologia aplicada no sentido em que permite a realização de trabalhos práticos relativos à monitorização da dinâmica das populações de animais selvagens no meio natural. Esta funcionalidade, complementada com o estabelecimento de parcerias com o meio científico, torna-o numa unidade intermédia de pesquisa aplicada para o acompanhamento e estudo das espécies selvagens. Neste aspecto assume particular destaque a possibilidade de efectuar a monitorização da abundância populacional das espécies cinegéticas, monitorizando os resultados globais do ordenamento e gestão da caça.

Assim, pode dizer-se que o CERVAS é um instrumento essencial porque permite avaliar, detectar e indicar soluções para diversos problemas práticos da conservação das espécies selvagens. Por estar estabelecido como unidade de trabalho intermédio entre a recolha de informação no terreno e os procedimentos científicos a que se dedicam os investigadores universitários, pode dizer-se que ocupa um vazio funcional. O espaço de trabalho que ocupa insere-se no plano multidisciplinar da monitorização da fauna e, por isso, é da competência do ICNB e não dos centros de investigação científica. Contudo, é inviável sem o estabelecimento de parcerias, quer a montante, quer a jusante.

Vista geral das instalações do CERVAS


Para assegurar o seu funcionamento, o CERVAS possui instalações próprias para recepção e avaliação dos animais: uma clínica, uma sala de cirurgia, uma sala de radiografias, um laboratório misto de sanidade e ecologia, uma unidade de cuidados intensivos com jaulas de diferentes tamanhos, jaulas exteriores de recuperação, túneis de voo, sala de necrópsia, biotério para produção de alimento e salas de armazenamento de comida e material diverso, bem como um escritório para trabalho técnico. Além disso, beneficia das instalações da delegação de Gouveia do PNSE como espaço administrativo, de biblioteca e de reuniões de trabalho e acções de sensibilização. Possui ainda algum equipamento móvel de captura, detenção e seguimento de animais selvagens. Internamente dispõe, também, de diversos equipamentos laboratoriais e informáticos.

Edifício principal (escritório, clínica e internamento) e biotério e sala de necrópsias (edificio amarelo)


Câmaras de muda


Câmara de musculação ou túnel de voo



Assim, o CERVAS é um projecto que pretende ser pioneiro em Portugal. Não é um simples centro de recuperação de animais selvagens, mas sim um avançado meio de observação e diagnóstico primário da situação da fauna existente em Portugal. O seu funcionamento tem estado associado a requisitos simples, mas absolutamente necessários nesta fase inicial da sua existência. Só tem sido possível devido a três alicerces: a dedicação técnica interna no PNSE/ICNB, a contratação de um veterinário e a parceria externa com outras entidades, como por exemplo o CIBIO-UP. Paralelamente, tem havido recurso a despesas esporádicas de aquisição de materiais complementares ou manutenção mínima das infra-estruturas mas, principalmente, a trabalho voluntário de estagiários das áreas da medicina veterinária e da biologia.